A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) continua a investigar a dinâmica do assassinato do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, mortos dentro do apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A principal suspeita é a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, que confessou o crime após ser presa em um hotel no Centro de Itabira, na madrugada de quinta-feira (2). Ela foi indicada por um primo de Maria Clotilde, o advogado Vinicius Mitre, para quem prestava serviços como diarista desde outubro de 2025.
Segundo a Polícia Civil, ela responderá por latrocínio (roubo seguido de morte), enquanto as investigações continuam para apurar a possível participação de outras pessoas.
Abaixo, veja tudo o que se sabe sobre o crime brutal em apartamento de Belo Horizonte
Autora
- Suspeita: A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, confessou ter cometido o crime.
- Primeiro dia de trabalho: Paola havia sido contratada para realizar uma faxina no apartamento do casal e o crime ocorreu justamente em seu primeiro dia de trabalho, na segunda-feira (29).
- Indicação: Ela foi indicada por um primo de Maria Clotilde, o também advogado Vinicius Mitre, para quem Paola trabalhava como diarista desde outubro de 2025.
Dinâmica do Crime (Modus Operandi)
De acordo com a Polícia Civil, a diarista agiu de forma premeditada:
- Dopagem: Na hora do almoço, Paola triturou calmantes e remédios controlados no liquidificador e os misturou ao suco servido ao casal.
- Ataque: Quando os idosos ficaram sonolentos, ela tentou furtar objetos. Ao perceber que Cláudio não estava totalmente adormecido, ela pegou uma faca na cozinha e o atacou.
- Violência: Cláudio foi morto com cerca de 40 facadas. Em seguida, Paola tentou asfixiar Maria Clotilde com almofadas. Como a idosa ainda apresentava sinais vitais, ela também foi esfaqueada entre 15 vezes.
- Pós-crime: Após os assassinatos, a suspeita lavou a faca e a guardou na cozinha, tomou banho no apartamento das vítimas e trocou de roupa. Ela saiu do prédio por volta das 15h, carregando bolsas e mochilas com itens roubados.
Descoberta dos corpos e fuga
- Encontro: Os corpos foram encontrados pelo filho do casal na tarde de terça-feira (30), após ele estranhar a ausência do pai no trabalho. O apartamento não tinha sinais de arrombamento, pois o acesso era feito por elevador com senha.
- Fuga: Paola descartou uma mochila com roupas sujas de sangue em uma caçamba perto do prédio e fugiu em um carro de alto padrão que a aguardava. Ela passou uma noite em um hotel na Savassi (BH) e depois seguiu para Itabira, onde pretendia pedir ajuda a amigos para fugir para o Espírito Santo.
Motivação e itens roubados
A polícia trata o caso como latrocínio (roubo seguido de morte).
- Ganância: O delegado informou que Paola admitiu ser “muito gananciosa” e que, embora tivesse entrado para furtar, decidiu que “queria matar eles também”.
- Objetos Levados: Foram roubados celulares, joias, dinheiro em espécie, uma bolsa de grife e uma coleção de relógios de luxo. Um dos relógios, da marca Cartier, é avaliado em pelo menos R$ 50 mil.
- Dívidas: Familiares revelaram que Paola tinha vício em apostas online (como o “Jogo do Tigrinho”) e dívidas com agiotas. No final do ano passado, a família teria feito um empréstimo de R$ 40 mil para ajudá-la a quitar débitos.
Prisão
Paola foi presa na madrugada de quinta-feira (2) em um hotel no centro de Itabira.
- Companhia: Ela estava acompanhada do filho de 6 anos e com parte dos objetos roubados.
- Sem Resistência: Ela não resistiu à prisão e afirmou aos policiais que já esperava ser encontrada devido à repercussão do caso.
Histórico e comportamento suspeito
- O primo que indicou Paola relatou mudanças em seu comportamento após uma viagem à Argentina, passando a usar muitos remédios. Ele também suspeita ter sido dopado por ela em junho, quando passou mal subitamente após a diarista ter estado em sua casa.
Posicionamento da Defesa
- Surto: Paola alegou em conversa com investigadores ter sofrido um “surto psicótico” e ouvido “vozes” que a ordenaram matar o casal.
- Insanidade Mental: O advogado Bruno Correia Lemos informou que analisará a documentação médica da cliente para verificar se pedirá um exame de insanidade mental, afirmando que ela possui um histórico pessoal conturbado e já buscou tratamento psiquiátrico no passado.
Investigações em Aberto
A Polícia Civil ainda investiga se Paola agiu sozinha. O foco está no motorista do carro de luxo que a buscou após o crime e ficou esperando por mais de 15 minutos do lado de fora do prédio. Além disso, a polícia busca identificar quem comprou os bens roubados, que teriam sido negociados no Centro de BH.
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