A Justiça de Minas Gerais aceitou, nesta sexta-feira (31), a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra a diarista Paola Stefany Neto Cirino, acusada de matar um casal de idosos durante um latrocínio em Belo Horizonte. Na mesma decisão, também foi recebida a denúncia contra um comerciante investigado por participação na fraude praticada com cartões bancários de uma das vítimas. Com isso, ambos passam oficialmente à condição de réus na ação penal.
A decisão foi assinada pelo juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte. O magistrado determinou a citação dos dois acusados para que apresentem defesa no prazo legal. Paola segue presa preventivamente, enquanto o pedido da defesa para revogação da prisão ainda aguarda manifestação do Ministério Público.
Segundo a denúncia, a diarista responderá por dois crimes de latrocínio consumado (roubo seguido de morte), fraude processual qualificada e furto qualificado mediante fraude. Ela é acusada de matar Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala Inácio, de 76, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul da capital, em 29 de junho deste ano.
De acordo com as investigações, o objetivo do crime era roubar dinheiro, joias, relógios, celulares, cartões bancários e outros bens das vítimas.
Indícios e provas
Conforme o Ministério Público, após os assassinatos, Paola teria tentado dificultar o trabalho da perícia ao limpar vestígios, lavar a faca utilizada no crime e descartar roupas com manchas de sangue. Em seguida, foi para o Centro de Belo Horizonte, onde vendeu parte dos objetos roubados e utilizou cartões bancários das vítimas.
A investigação aponta que uma tentativa de movimentação financeira de R$ 5 mil foi bloqueada. Depois disso, foram realizadas duas transações, nos valores de R$ 1,3 mil e R$ 1,8 mil, em máquinas de cartão de um restaurante localizado na Rua Carijós. O proprietário do estabelecimento também foi denunciado e responderá por furto qualificado mediante fraude em coautoria. Segundo o Ministério Público, não há acusação de participação dele nos homicídios.
Entre as provas apresentadas estão imagens de câmeras de segurança que mostram a diarista entrando no prédio usando uma unha postiça de gel e deixando o local sem o acessório. Uma unha compatível foi encontrada sob o corpo de Cláudio Atala e é apontada como um dos indícios que sustentam a acusação.
As imagens também registraram Paola saindo do edifício com roupas diferentes das que usava ao chegar e carregando bolsas e sacolas com pertences das vítimas.
Laudos apontam violência
Os laudos de necropsia anexados ao processo apontam que Maria Clotilde sofreu 15 golpes de faca e apresentava queimaduras pelo corpo. Cláudio Atala foi atingido por 43 golpes, incluindo perfurações que alcançaram o coração.
Exames toxicológicos indicaram ainda a presença de benzodiazepínicos, como clonazepam e alprazolam, no organismo das vítimas. Segundo a investigação, essas substâncias podem ter reduzido a capacidade de reação do casal.
Relembre o caso
Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Atala Inácio foram encontrados mortos no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na tarde de 29 de junho.
Segundo a Polícia Civil, Paola Stefany havia sido indicada por um primo de Maria Clotilde para realizar uma faxina no imóvel. O familiar informou que ela já prestava serviços em sua residência havia alguns meses e nunca havia despertado suspeitas.
Imagens de segurança mostram a chegada da diarista ao prédio por volta das 7h30. A investigação concluiu que o crime ocorreu entre 12h30 e 15h, intervalo definido com base em registros telefônicos que mostram que Cláudio ainda conversou com um familiar às 12h25.
Após o crime, conforme a investigação, a diarista tomou banho no apartamento, trocou de roupa, recolheu objetos de valor e deixou o local carregando os pertences das vítimas.
Ela foi presa na madrugada de 2 de julho, em um hotel de Itabira, na região Central de Minas Gerais. O inquérito foi concluído em 13 de julho, quando a Polícia Civil a indiciou por dois latrocínios, fraude processual e furto mediante fraude. O comerciante foi indiciado por furto mediante fraude.
No último dia 29, o Ministério Público ofereceu denúncia contra os dois investigados. Com a decisão desta sexta-feira, a Justiça recebeu a acusação e deu início à ação penal.
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