A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que investigou a morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 76 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 75, e indiciou a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, por duplo latrocínio — roubo seguido de morte.
Paola está presa desde o dia 2 de julho, suspeita de assassinar o casal dentro do apartamento onde eles moravam, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O crime ocorreu em 29 de junho.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontaram que o crime foi premeditado e que a suspeita entrou no imóvel já com a intenção de roubar as vítimas.
De acordo com a corporação, Paola possui histórico de cometer roubos utilizando medicamentos com efeito sedativo para reduzir a capacidade de reação das vítimas. Esse mesmo método teria sido empregado contra o casal, antes das agressões.
A perícia constatou que Cláudio e Maria Clotilde morreram após serem atingidos por diversos golpes de faca em várias partes do corpo. Para a polícia, a violência empregada demonstra extrema crueldade e é incompatível com uma simples reação durante um roubo.
Além da diarista, quatro homens foram indiciados por receptação qualificada por terem adquirido bens levados do apartamento das vítimas. Conforme a Polícia Civil, eles procuraram espontaneamente a corporação, acompanhados por advogados, devolveram os objetos e alegaram desconhecer a origem ilícita dos produtos. Em razão da colaboração, poderão ter eventual redução de pena por arrependimento posterior, conforme prevê o Código Penal.
Durante as investigações, a polícia recuperou parte dos bens roubados, entre eles R$ 18,8 mil em dinheiro, 14 relógios, dois celulares, oito frascos de perfume, joias, 11,2 gramas de ouro fundido, dois pares de tênis, casacos e outras roupas.
As investigações também apontaram que Paola trabalhava pela primeira vez na residência das vítimas. Ela havia sido indicada por um familiar do casal, para quem já prestava serviços como diarista regularmente.
Imagens analisadas pela polícia mostram que a suspeita entrou no prédio por volta das 7h30 levando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, deixou o local usando roupas diferentes e carregando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pela família como pertencente à vítima.
Após o crime, segundo a Polícia Civil, a diarista passou cerca de dois dias circulando entre Belo Horizonte e Itabira. Nesse período, hospedou-se em hotel, utilizou carros por aplicativo, fez compras, frequentou restaurantes e vendeu joias furtadas do casal.
Ela foi presa na madrugada de 2 de julho, em um hotel de Itabira, durante operação do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri). No momento da prisão, estava acompanhada do filho de 6 anos. Conforme a investigação, havia indícios de que pretendia fugir para o Rio Grande do Sul.
Na operação, os policiais apreenderam dinheiro, celulares, joias, perfumes, roupas, uma faca e 165 comprimidos de um medicamento com efeito sedativo.
A Polícia Civil informou ainda que outras quatro pessoas procuraram o Depatri durante as investigações para relatar que também teriam sido vítimas da diarista, em crimes com o mesmo modo de atuação, baseado na sedação das vítimas.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais, que decidirá se oferece denúncia à Justiça. Caso isso ocorra, caberá ao Judiciário decidir se os investigados se tornarão réus.
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