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Meio Ambiente

Combater o desmatamento não é suficiente para conservação da Amazônia, alertam pesquisadores

Estudo da Rede Amazônia Sustentável, vinculada ao INCT Biodiversidade, conclui que estratégias de conservação das florestas tropicais devem incluir controle de queimadas e extração de madeira ilegal. Pesquisa foi publicada na revista Nature.

Pesquisadores alertam que o combate ao desmatamento é fundamental, mas não é suficiente para a conservação das florestas tropicais. O estudo da Rede Amazônia Sustentável, vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, conclui que o sucesso das políticas públicas depende também do controle de outras ações que ameaçam as matas remanescentes, como a extração de madeira ilegal, as queimadas e a fragmentação de florestas.

Pesquisadores de 18 instituições, sendo 11 brasileiras, mediram o impacto destas ações em 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros encontrados em 36 bacias hidrográficas da Amazônia no estado do Pará. O resultado, que deu origem a artigo publicado na revista Nature, comprova que as consequências do fogo, da extração de madeira e da fragmentação das matas resultam em perda de biodiversidade tão ostensiva quanto à causada pelo desmatamento.

No Pará, as ações humanas resultaram numa perda adicional de mais de 139 mil quilômetros quadrados de floresta intacta, o que corresponde a todo o desmatamento detectado no estado desde 1988, ano em que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou o monitoramento oficial.

“O Brasil conseguiu reduzir seu desmatamento em cerca de 80% como resultado de seu Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal. Contudo, demonstramos neste estudo que ainda precisamos, urgentemente, de um planejamento governamental orquestrado para quantificar a extensão e os impactos da degradação florestal, se quisermos resguardar nossa biodiversidade, estoques de carbono e serviços ecossistêmicos”, afirmou o pesquisador do Inpe Luiz Aragão, que também assina o artigo publicado na Nature.

“Conseguimos oferecer evidências convincentes de que as iniciativas de conservação amazônica precisam considerar os efeitos combinados das perturbações florestais e o desmatamento. Sem ações urgentes, a expansão da exploração ilegal de madeira e a ocorrência cada vez maior de incêndios causados pelo homem irão resultar em áreas de florestas tropicais cada vez mais degradadas, conservando apenas uma pequena fração da exuberante diversidade que já abrigaram”, acrescentou a pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, Joice Ferreira.

Espécies raras são as mais ameaçadas

Os cientistas também descobriram que espécies sob o risco máximo de extinção foram as mais atingidas pelas perturbações causadas por atividade humana. “O estado do Pará abriga mais de 10% das espécies de aves do planeta, muitas das quais endêmicas. Nossos estudos demonstram que são justamente estas espécies as que estão sofrendo o maior impacto da ação antrópica, pois elas não sobrevivem em ambientes com estes níveis de perturbação”, disse a coordenadora do INCT Biodiversidade e pesquisadora do Museu Goeldi, Ima Vieira.

Para o líder do estudo, Jos Barlow, os resultados devem servir de alerta para a comunidade global. “O Brasil demonstrou uma liderança sem precedentes no combate ao desmatamento na última década. O mesmo nível de liderança é necessário agora para proteger a saúde das florestas restantes nos trópicos. Do contrário, décadas de esforço de conservação terão sido em vão”.

A Rede Amazônia Sustentável (RAS) é um consórcio de instituições brasileiras e estrangeiras, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de Lancaster (Reino Unido) e Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia). A RAS faz parte do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, financiado pelo CNPq. O INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia está sediado no Museu Goeldi e tem como propósito gerar informações e abordagens inéditas sobre como intensificar as oportunidades de conservação ambiental da Amazônia Brasileira.

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Meio Ambiente

Projeto garante conservação e recuperação da Mata Atlântica em Minas Gerais

Trabalho é uma cooperação do Governo de Minas Gerais com a Alemanha e tem área de atuação de cerca de 223 mil km.

As ações da Fase II do Projeto de Proteção da Mata Atlântica (Promata), desenvolvido pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), são responsáveis por Minas Gerais ser o segundo estado com maior regeneração do bioma no país. O trabalho é uma cooperação do Governo de Minas Gerais com a Alemanha e tem uma área de atuação de cerca de 223 mil km².

O Promata II tem apoio financeiro do banco KfW Entwicklungsbank, que destinou um valor de 8 milhões de euros ao programa, iniciado em dezembro de 2011 com conclusão prevista para dezembro de 2018.

“O principal objetivo do projeto é contribuir para a proteção da biodiversidade e para a recuperação de áreas degradadas na Mata Atlântica de Minas Gerais”, explica a coordenadora geral do Promata II e diretora de Conservação e Recuperação de Ecossistemas do IEF, Fernanda Teixeira Silva.

Para isso, o Promata tem investido em diversas ações em seis escritórios regionais e em 28 unidades de conservação localizadas na área de abrangência da Mata Atlântica.

Alguns desses trabalhos são estudos para aumentar o conhecimento sobre o território e as condições do bioma, como foram o caso da elaboração dos Planos de Manejo das Áreas de Proteção Ambiental Alto Mucuri e Águas Vertentes.

O projeto também apoiou a construção do Plano Municipal de Mata Atlântica do município de Teófilo Otoni, no Território Mucuri, além de capacitar outros municípios da região para que realizem a elaboração de seus estudos.

Fernanda Teixeira destaca os esforços para capacitar os técnicos do IEF e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) quanto às exigências da Lei Federal nº 12.651, aprovado em 2012.

“A Lei estabeleceu o CAR (Cadastro Ambiental Rural) e o PRA (Programa de Regularização Ambiental), que terão de ser cumpridos por todos os proprietários e posseiros rurais, e o Governo deve dar as diretrizes para a consolidação desses instrumentos. Por isso, estão previstas para o ano de 2018 algumas contratações relacionadas ao tema”, observa Fernanda.

O consultor do Promata, Hans Christian Schmidt, diz que foram adquiridos 27 veículos para o trabalho nos seis regionais do IEF onde o projeto atua e também para o Programa de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais do Governo de Minas Gerais.

Outros equipamentos utilizados no cotidiano dos servidores também foram adquiridos como notebook, desktops, impressoras, tablets, câmera digital, projetores multimídia e GPS portáteis.  Está prevista para 2018 a aquisição de contêineres escritórios para unidades de conservação.

Schmidt afirma que as políticas ambientais devem fundamentar-se em conhecimento técnico e científico e incorporar a participação social para ganhar maior legitimidade. “Com melhores resultados, consegue-se maior eficiência no uso de recursos e um nível mais elevado de comprometimento por parte da população”, ressalta.

Recuperação florestal

Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, organizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, apontam que o desmatamento do bioma em Minas Gerais caiu 4% no estado no período 2015-2016 em relação ao período 2014-2015.

Comparado aos anos 2011 e 2012, a redução ultrapassa os 30%. Apenas três estados brasileiros registraram queda neste período. O desmatamento da floresta nativa nos 17 estados com Mata Atlântica no país cresceu 57%.

Ainda de acordo com a fundação, entre 1985 e 2015, Minas Gerais foi o segundo estado com maior regeneração do bioma no país, com quase 60 mil hectares de Mata Atlântica regenerados. O Vale do Mucuri é a região de Minas Gerais que teve mais áreas regeneradas.

Operações de fiscalização para coibir o desmatamento ilegal em Minas Gerais são realizadas durante todo o ano pela Semad. Somente no bioma Mata Atlântica foram 1.073 ações em 2016 e 2017 e um total de R$ 31,3 milhões em multas aplicadas.

Fomento 

O programa de fomento florestal realizado pelo IEF também é uma iniciativa que o Estado de Minas Gerais vem adotando para recuperar a cobertura vegetal de Mata Atlântica no Estado.

De 2006 a 2016, as ações de fomento do IEF apoiaram a recuperação de 84,2 mil hectares, tendo sido produzidas cerca de 17,5 milhões de mudas nativas e distribuídas aos produtores rurais. Atualmente, o IEF administra 62 viveiros, com capacidade anual de produção de cerca de seis milhões de mudas nativas.

Outra medida para estimular a recuperação da área de Mata Atlântica em Minas é a modernização dos viveiros de produção de mudas do IEF. Fernanda Teixeira, diretora de Conservação e Recuperação de Ecossistemas do IEF, informa que neste ano de 2017 o Promata II investiu cerca de R$ 800 mil em serviços de confecção, instalação e montagem de canteiros suspensos para produção de mudas nos viveiros do IEF de Ubá, na Zona da Mata, Lavras, no Sul, e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

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Meio Ambiente

Minas Gerais é vice-líder no ranking nacional de desmatamento

Foram destruídos 29.075 hectares de florestas entre 2015-2016 no país. Último registro de desmatamento nessas proporções ocorreu há 10 anos.

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta segunda-feira (29) os novos dados do Atlas da Mata Atlântica, referentes ao período de 2015 a 2016. A iniciativa tem o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan.

O estudo aponta o desmatamento de 29.075 hectares (ha), ou 290 Km2, nos 17 Estados do bioma Mata Atlântica – representando aumento de 57,7% em relação ao período anterior (2014-2015), referente a 18.433 ha. Para o estudo na íntegra, acesse //www.sosma.org.br/downloads/index.php

Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, observa que há 10 anos não era registrado no bioma um desmatamento nessas proporções. “O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005”, disse. No período de 2005 a 2008 a destruição foi de 102.938 ha, ou seja, média anual de 34.313 ha.

Neste levantamento, a Bahia foi o estado que liderou o desmatamento com decréscimo de 12.288 ha – alta de 207% em relação ao ano anterior, quando foram destruídos 3.997 ha. Dois municípios baianos – Santa Cruz Cabrália e Belmonte – lideram o ranking dos maiores desmatadores, com supressão de 3.058 ha e 2.119 ha, respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilhéus, cerca de 30% do total do bioma foi destruído nessa região, que historicamente é conhecida pela chegada dos portugueses e pelo início da colonização do país. “Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Nós estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado”, complementa Marcia.

Um sobrevoo realizado por técnicos da SOS Mata Atlântica, em 16 de maio deste ano sobre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Belmonte, constatou queimadas em floresta, conversão da floresta em pastagens e processos de limpeza de áreas onde o entorno apresenta forte atividade de silvicultura.

A vice-liderança do ranking do desmatamento da Mata Atlântica ficou com Minas Gerais, com 7.410 ha desmatados, seguido por Paraná (3.453 ha) e Piauí (3.125 ha).

Em Minas Gerais, os principais pontos de desmatamento ocorreram nos municípios de Águas Vermelhas (753 ha), São João do Paraíso (573 ha) e Jequitinhonha (450 ha), região reconhecida pelos processos de destruição da Mata Atlântica para produção de carvão ou pela conversão da floresta por plantios de eucalipto. Minas liderou o ranking em sete das últimas nove edições do Atlas da Mata Atlântica, sempre com municípios dessa região figurando na lista dos maiores desmatadores.

Já no Paraná, os índices de desmatamento voltaram a subir pelo segundo ano consecutivo, passando de 1.988 ha destruídos entre 2014 e 2015 para 3.545 ha entre 2015-2016, aumento de 74%. E um alerta continua: a destruição concentra-se na região das araucárias, espécie ameaçada de extinção, com apenas 3% de florestas remanescentes.

No Piauí, os maiores desmatamentos ocorreram em Manoel Emídio (1.281 ha), Canto do Buriti (641 ha) e Alvorada do Gurguéia (625 ha), municípios limítrofes entre si e próximos ao Parque Nacional Serra das Confusões. Esse é o quarto ano consecutivo que o Atlas registra padrão de desmatamento nesses municípios que ficam numa importante região de fronteira agrícola, que concentra a produção de grãos e é também área de transição entre a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga.

Para Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, a situação é gravíssima e indica uma reversão na tendência de queda do desmatamento registrada nos últimos anos. E, para ele, não é por acaso que os quatro estados campeões de desmatamento são conhecidos por sua produção agropecuária.

“O setor produtivo voltou a avançar sobre nossas florestas, não só na Mata Atlântica, mas em todos os biomas, após as alterações realizadas no Código Florestal e o subsequente desmonte da legislação ambiental brasileira. Pode ser o início de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que não podemos aceitar”, destaca.

Segundo ele, a ofensiva continua com a tentativa de flexibilização do licenciamento ambiental e diversos ataques ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

“No momento em que o caos está instalado em Brasília, numa crise política que tem no seu centro a maior empresa de carnes do mundo, a bancada do agronegócio e o núcleo central do governo federal avançam, de forma orquestrada e em tempo recorde, sobre o nosso sistema de proteção ambiental. A sociedade não pode ficar alheia às decisões tomadas por nossos governantes e legisladores. Precisamos nos mobilizar para frear o desmonte da nossa legislação”, conclui.

Mangue e Restinga

No período de 2015 a 2016 foi identificada supressão da vegetação de restinga em 9 dos 17 estados do bioma: Ceará (788 ha), Piauí (244 ha), Santa Catarina (199 ha), Bahia (64 ha), Sergipe (50 ha), São Paulo (32 ha), Rio de Janeiro (29 ha), Paraná (14 ha) e Rio Grande do Norte (6 ha).

Já o desmatamento em mangues aconteceu apenas na Bahia, em uma área de 68 ha.

Desmatamento zero

Em maio de 2015, 17 secretários de Meio Ambiente dos Estados da Mata Atlântica assinaram a carta “Nova História para a Mata Atlântica”, compromisso que prevê a ampliação da cobertura vegetal nativa e a busca do desmatamento ilegal zero no bioma até 2018.

Entretanto, após dois anos do acordo, esta edição do Atlas da Mata Atlântica aponta que apenas cinco estados estão no nível do desmatamento zero, ou seja, com menos de 100 hectares (1 Km2) de desflorestamentos, somadas áreas desmatadas em florestas, mangues e restingas: Rio Grande do Norte (6 ha), Alagoas (11 ha), Paraíba (32 ha), Pernambuco (16 ha) e, Rio de Janeiro (66 ha).

Não estão mais no nível de desmatamento zero Goiás, com 149 ha desmatados; Ceará, com 797 ha e São Paulo, com 730 ha. A boa notícia fica para Pernambuco, que voltou para a lista desse ano com a redução de 88% do desmatamento – passou de 136 ha entre 2014 e 2015 para 16 ha no último ano.

“Apesar do grande aumento do desmatamento em São Paulo, é importante destacar que 90% ocorreu por causas naturais, mais especificamente vendavais e tornados que atingiram os municípios de Jarinu, Atibaia, Mairinque, São Roque e Embu-Guaçu em 5 de junho do ano passado”, esclarece Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE.

Confira o ranking completo dos estados:

Desmatamentos entre 2015-2016, em hectares*
UF Área UF Lei Mata Atlântica % Bioma Mata 2016 % Mata Desmatamento 2015-2016 Desmatamento 2014-2015 Variação
BA 56.473.404  17.988.595 32% 2.014.528 11,2% 12.288  3.997 207%
MG 58.651.979  27.622.623 47% 2.836.004 10,3% 7.410  7.702 -4%
PR 19.930.768  19.637.895 99% 2.283.731 11,6% 3.453  1.988 74%
PI 25.157.775  2.661.841 11% 905.268 34,0% 3.125  2.926 7%
SC 9.573.618  9.573.618 100% 2.204.983 23,0% 846  598 41%
SP 24.822.624  17.072.755 69% 2.346.481 13,7% 698  45 1462%
ES 4.609.503  4.609.503 100% 483.541 10,5% 330  153 116%
MS 35.714.473  6.386.441 18% 706.841 11,1% 265  263 1%
RS 26.876.641  13.857.127 52% 1.093.302 7,9% 245  160 53%
10º SE 2.191.508  1.019.753 47% 70.166 6,9% 160  363 -56%
11º GO 34.011.087  1.190.184 3% 30.386 2,6% 149  34 345%
12º RJ 4.377.783  4.377.783 100% 819.584 18,7% 37  27 37%
13º PB 5.646.963  599.487 11% 54.924 9,2% 32  11 206%
14º PE 9.815.022  1.690.563 17% 197.181 11,7% 16  136 -88%
15º AL 2.777.724  1.524.618 55% 143.433 9,4% 11  4 181%
16º CE 14.892.047  866.120 6% 64.065 7,4% 9  3 149%
17º RN 5.281.123  350.994 7% 12.219 3,5% 0  23
TOTAL 29.075  18.433 57,7%


*A tabela indica os desflorestamentos, em hectares, somente das florestas nativas (sem contar outras classes, como vegetação de mangue e restinga), observados no período 2015-2016, com comparativo e variação em relação ao período anterior (2014-2015).

Abaixo, total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):

Desmatamento observado Total desmatado Intervalo (anos) Taxa anual
Período de 2015 a 2016 29.075 1 29.075
Período de 2014 a 2015 18.433 1 18.433
Período de 2013 a 2014 18.267 1 18.267
Período de 2012 a 2013 23.948 1 23.948
Período de 2011 a 2012 21.977 1 21.977
Período de 2010 a 2011 14.090 1 14.090
Período de 2008 a 2010 30.366 2 15.183
Período de 2005 a 2008 102.938 3 34.313
Período de 2000 a 2005 174.828 5 34.966
Período de 1995 a 2000 445.952 5 89.190
Período de 1990 a 1995 500.317 5 100.063
Período de 1985 a 1990 536.480 5 107.296
Total 1985 a 2016 1.916.671                                                                          


Dados completos e o relatório do Atlas da Mata Atlântica 2017 disponíveis em
www.sosma.org.br e www.inpe.br

Faça download de imagens dos mapas do monitoramento em //goo.gl/NRc81I

Sobre a Mata Atlântica

A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica atua desde 1986 na proteção dessa que é a floresta mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e Unidades de Conservação, dentre outros. Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.

Sobre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atua nas áreas de Observação da Terra, Meteorologia e Mudanças Climáticas, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. Possui laboratórios de Computação Aplicada, Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais de monitoramento florestal, previsão do tempo e clima, rastreio e controle de satélites, medidas de queimadas, raios e poluição do ar.

O INPE aposta na construção de satélites para produção de dados sobre o planeta Terra, e no desenvolvimento de pesquisas para transformar estes dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo. Também se dedica à distribuição de imagens meteorológicas e de sensoriamento remoto, e à realização de testes e ensaios industriais de alta qualidade. Além disso, o Instituto transfere tecnologia, fomentando a capacitação da indústria espacial brasileira e o desenvolvimento de um setor nacional de prestação de serviços especializados no campo espacial. Mais informações em www.inpe.br.

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Meio Ambiente

Aquecimento global prejudica os esportes e pode afetar resultados olímpicos

Associada à saúde, a prática de esportes pode se tornar exatamente o oposto por conta da poluição atmosférica, problema que tem a mesma origem do aquecimento global: a queima dos combustíveis fósseis.

A mudança climática já está afetando e afetará ainda mais nos próximos anos a prática de esportes no Brasil. Como ficou evidente ainda nos eventos-teste para a Olimpíada do Rio, o calor excessivo tende a prejudicar o desempenho dos atletas, impedindo a quebra de recordes. Em casos extremos, colocará suas vidas em risco.

Essa é a principal conclusão do estudo Mais Longe do Pódio – Como as Mudanças Climáticas Afetarão o Esporte no Brasil, lançado pelo Observatório do Clima, que coletou dados de pesquisas sobre o tema ao redor do mundo e ouviu médicos do esporte, preparadores físicos e atletas.

Além da maior atenção e tecnologia voltada à saúde e à adaptação térmica dos atletas antes, durante e depois das competições, as mudanças climáticas estão impondo alterações nos calendários e horários das provas. Nesta Olimpíada, por exemplo, os seis jogos de futebol da Arena da Amazônia, em Manaus, foram remanejados para as 18h devido ao forte calor das 13h, horário previsto inicialmente. Na Copa de 2014, duas partidas precisaram de tempo técnico quando a chamada temperatura de bulbo úmido nos estádios de Fortaleza e Manaus atingiu 32°C.

No caso da Rio2016, os eventos-teste já mostraram o impacto do aquecimento global. Em pleno inverno, triatletas da prova masculina largaram sob um calor de 35°C e uma umidade relativa do ar de 70%. Na prova de marcha atlética, realizada em um final de semana de fevereiro com 41% de umidade do ar e temperatura de 38°C, 11 dos 18 participantes sucumbiram. Em 2015, um jogo de futebol feminino no Piauí precisou ser interrompido depois que nove jogadoras passaram mal por excesso de calor.

No futuro, caso não se cumpram as metas do Acordo de Paris, essas cenas deverão se tornar mais comuns. O relatório usou dados de modelos globais de clima para montar um mapa do risco à prática esportiva nas capitais brasileiras no final do século. A conclusão é que, no pior cenário de emissões estabelecido pelo IPCC (o painel do clima da ONU), 12 delas terão períodos do ano impróprios à prática de qualquer atividade física ao ar livre – em Manaus, caso extremo, a restrição ocorrerá no ano inteiro.

“O que esses dados mostram é que o risco de atletas literalmente morrerem de calor, algo que já acontece hoje, será multiplicado no Brasil nas próximas décadas caso não se reduzam dramaticamente as emissões globais”, disse Claudio Angelo, do Observatório do Clima, coordenador do relatório. “É claro, estamos falando de esportes aqui, mas na verdade qualquer trabalho ao ar livre poderá ser impactado, o que demandará um esforço brutal de adaptação do setor de esportes e de outras atividades econômicas.”

“Os atletas já estão sentindo os efeitos das mudanças climáticas na prática. Daí a importância da campanha ‘1,5° C: o recorde que não devemos quebrar’, a qual chama a atenção para o limite máximo de aquecimento global que podemos suportar. Acima disso, o risco é grande demais”, alerta Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima.

Associada à saúde, a prática de esportes pode se tornar exatamente o oposto por conta da poluição atmosférica, problema que tem a mesma origem do aquecimento global: a queima dos combustíveis fósseis. Como o volume respiratório aumenta durante os exercícios, o atleta – profissional ou amador – pode tragar mais dióxido de enxofre, particulados finos e outros compostos que provocam danos imediatos aos pulmões. Especializado em atividade física adaptada, Luzimar Teixeira, da Escola de Educação Física e Esporte da USP, prevê uma geração relativamente jovem de ex-atletas com problemas respiratórios graves, como se fossem doenças laborais. E, sarcástico, avisa que em dias quentes e locais poluídos, é mais saudável sair para beber cerveja (à sombra) do que fazer esportes ao ar livre. Ou seja, não são só os atletas de elite que participam das grandes competições que precisam se cuidar: esportistas amadores e de final de semana precisam igualmente rever onde e quando praticam atividades físicas.

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