A morte da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, causou comoção em Jacuí, no Sul de Minas. Mulher trans, ela era conhecida na cidade pelo trabalho desenvolvido na proteção de crianças e adolescentes e pela disposição em ajudar moradores que a procuravam.
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Maryna estava desaparecida desde a última sexta-feira (21), quando saiu de casa por volta das 12h45. Segundo familiares, ela recebeu uma mensagem no celular e deixou a residência para encontrar uma pessoa. Desde então, não havia sido mais localizada.
O corpo da conselheira tutelar foi encontrado na tarde desta terça-feira (25), enterrado em uma área rural de Jacuí. Conforme a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), ela foi vítima de feminicídio.
O principal suspeito é o policial militar José Sérgio de Oliveira, de 42 anos. Segundo a investigação, ele confessou o assassinato e indicou aos policiais o local onde havia enterrado o corpo.
Corpo foi localizado em área de difícil acesso
As buscas por Maryna começaram pela manhã e contaram com a participação de policiais civis e militares. O corpo foi encontrado enterrado a cerca de 1,5 metro de profundidade, em uma região de difícil acesso próxima a uma propriedade rural.
De acordo com o delegado Marcos Pimenta, chefe do 18º Departamento da Polícia Civil, o suspeito levou os investigadores até o local.
Segundo a versão apresentada inicialmente pelo policial, teria ocorrido uma desavença entre os dois, seguida de um disparo de arma de fogo. Depois, ele teria levado o corpo para a zona rural, cavado uma cova e coberto a vítima com terra.
A Polícia Civil informou que José Sérgio foi preso em flagrante por ocultação de cadáver e que solicitou a prisão preventiva dele pelo envolvimento no feminicídio.
Família descreve Maryna como tranquila e prestativa
Familiares lembram Maryna como uma pessoa tranquila, dedicada à família e muito querida pela comunidade. A irmã dela, Dalila Cristina de Jesus, afirmou que a conselheira era conhecida por ajudar moradores e mantinha boas relações com diferentes setores da cidade.
A mãe, Regina Silva de Jesus, também destacou o jeito calmo da filha e contou que Maryna mantinha uma rotina próxima da família. O pai, Benedito de Jesus, relatou que estava com ela em casa antes do desaparecimento. Segundo a família, Maryna era vaidosa e gostava de se arrumar antes de sair.
Prefeitura lamenta morte
Em nota de pesar, a Prefeitura de Jacuí destacou a atuação de Maryna como conselheira tutelar e afirmou que ela dedicou parte da trajetória à proteção e à defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
A administração municipal também prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do Conselho Tutelar. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e enterrado na noite desta terça-feira (25) no Cemitério Municipal de Jacuí.
Polícia Militar abriu procedimento
A Polícia Militar informou que instaurou um processo administrativo para apurar o envolvimento do militar no caso e avaliar a permanência dele na corporação.
Segundo a corporação, o policial estava de folga no momento do crime e deverá responder pelo caso como cidadão comum. A defesa de José Sérgio afirmou que ele está colaborando com as investigações e que pretende contribuir para o esclarecimento dos fatos.

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