O antigo complexo da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), localizado a cerca de 200 metros da Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte, poderá ser requalificado após mais de 15 anos abandonado. O imóvel está em processo de transferência para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
A proposta apresentada pela Secretaria Municipal de Política Urbana prevê a manutenção e recuperação de três dos seis prédios existentes. Os outros três deverão ser demolidos para a implantação de uma praça e de um pátio interno, criando uma conexão entre as ruas dos Guaicurus, da Bahia e Espírito Santo e a Avenida dos Andradas.
Os edifícios mantidos deverão passar por retrofit e poderão receber secretarias e outros órgãos municipais nos pavimentos superiores. Os espaços térreos poderão abrigar atividades comerciais e de serviços. A estimativa é de que o complexo possa receber cerca de 2,4 mil servidores.
O investimento inicial previsto é de aproximadamente R$150 milhões. A Prefeitura ainda avalia o modelo de contratação, incluindo a possibilidade de uma Parceria Público-Privada (PPP) para implantação e manutenção do espaço.
Segundo a PBH, a proposta faz parte do programa Somos Centro e busca recuperar o conjunto, ampliar os espaço públicos e fortalecer as atividades comerciais e de serviços na região.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), por meio da Secretaria do Patrimônio da União em Minas Gerais (SPU/MG), informou que a análise do projeto apresentado pela Prefeitura está em fase inicial. A previsão é de que a assinatura do contrato para o início das intervenções ocorra somente após o defeso eleitoral.
A arquiteta e urbanista Cláudia Pires, representante do Instituto de Arquitetos do Brasil em Minas Gerais (IAB-MG), avaliou positivamente a proposta, mas defendeu a realização de estudos antes da execução do projeto. Para ela, a presença da Prefeitura na região pode contribuir para a recuperação do Centro.
“É uma proposta ótima, transformar em uma centralidade administrativa. Trazer a prefeitura para o centro da cidade, com mais um espaço, isso é importante porque, depois do Centro Administrativo, a região central não conseguiu se recuperar da perda da administração do governo. Pode melhorar o centro para todo mundo. Uma praça é um espaço livre para todos”, afirmou.
A urbanista também defendeu que o projeto considere a presença de moradias e diferentes atividades na região. “Sou adepta de uma maior oferta de moradia. Não adianta fazer comércio e não ter moradia. A dosagem entre serviço, moradia e comércio precisa ser pensada para que haja turnos de utilização da área o tempo todo, tanto para atividade comercial como cultural, como sendo um importante vetor de articulação da área no período noturno”, disse.
Cláudia ainda ressaltou a importância de apresentar o projeto à população antes das intervenções. “A proposta precisa ser vista no contexto do projeto. Precisa ser feito um estudo de viabilidade e mostrar para a sociedade. Às vezes a prefeitura descreve muito e mostra muito pouco as propostas. É preciso abrir para que a população critique porque essa crítica ajuda a melhorar o projeto. Se não é feito antecipadamente, cria-se um conflito e é pior. Melhor antes”, avaliou.
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