O advogado Raul Rodrigues Costa Lages, acusado de matar a namorada Carolina da Cunha Magalhães, em 2022, será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri em Belo Horizonte. A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou, por unanimidade, nesta terça-feira (14), o recurso apresentado pela defesa do réu e manteve a decisão de pronúncia proferida pelo 1º Tribunal do Júri da capital.
Com a decisão, Raul será julgado pelos crimes de homicídio qualificado e feminicídio. A defesa tentava anular a pronúncia alegando supostas irregularidades processuais, como quebra da cadeia de custódia das provas, cerceamento de defesa e vícios na investigação. Os advogados também sustentaram a tese de que Carolina teria tirado a própria vida. Os desembargadores, no entanto, rejeitaram todos os argumentos.
A decisão de enviar o réu a júri popular havia sido proferida em outubro de 2025 pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza. Na ocasião, a magistrada destacou que a materialidade do crime foi comprovada pelas investigações e pelo laudo de necropsia, que apontou que Carolina morreu em decorrência de politraumatismo causado por queda de grande altura.
Embora não houvesse testemunhas que presenciaram o momento da queda, a juíza considerou que o conjunto de provas reunido ao longo da investigação era suficiente para indicar a autoria do crime. Segundo a decisão, Raul era a única pessoa presente no apartamento no momento dos fatos.
Depoimentos de vizinhos também reforçaram a acusação. Testemunhas relataram ter ouvido uma discussão intensa entre o casal, seguida por sons de correria dentro do apartamento e, logo depois, um forte barulho de impacto. Durante a perícia, foram encontrados estilhaços de vidro, uma taça quebrada e respingos de uma substância semelhante a vinho em diferentes cômodos, elementos considerados compatíveis com um possível embate físico antes da morte da vítima.
Relembre o caso
Carolina da Cunha Magalhães foi encontrada morta no pilotis do prédio onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em junho de 2022. Inicialmente, o caso foi tratado como uma queda do oitavo andar e investigado como possível suicídio.
No entanto, a Polícia Civil concluiu, ao fim das investigações, que havia indícios de homicídio em contexto de violência doméstica. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Raul agrediu Carolina durante uma discussão.
Ainda conforme a acusação, após a vítima ficar desacordada, o advogado teria limpado parte do apartamento, colocado roupas de cama na máquina de lavar e cortado a tela de proteção da varanda antes de lançar o corpo do oitavo andar, simulando um suicídio.
O Ministério Público também sustenta que o relacionamento do casal era conturbado e que havia histórico de agressões. Raul responde ao processo em liberdade e agora aguarda a definição da data em que será submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri.
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