A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, indiciada por latrocínio pelas mortes do advogado Cláudio Atala, de 75 anos, e da esposa dele, Maria Clotilde Atala, de 76, teria usado indicações em grupos de WhatsApp de moradores para conquistar a confiança de novos clientes. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a suspeita aproveitava os trabalhos de faxina para dopar vítimas e furtar objetos de valor.
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Uma das vítimas investigadas é a nutricionista Raphaella Parreiras, de 28 anos, moradora do bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte. Ela contou que contratou Paola após receber recomendações positivas em um grupo de moradores da região.
“Era uma pessoa que tinha diferentes indicações ao longo dos últimos anos e depoimentos de clientes dizendo que ela fazia um bom serviço”, relatou.
A faxina ocorreu no dia 24 de junho, cinco dias antes do latrocínio do casal de idosos. Segundo Raphaella, durante o serviço, a diarista fez perguntas sobre a residência e ofereceu trabalhos de organização do closet. Em seguida, pediu que a moradora comprasse produtos de limpeza, fazendo com que ela saísse do apartamento.
Pouco depois, a nutricionista começou a sentir uma forte sonolência. Segundo ela, a suspeita pode ter colocado clonazepam na garrafa de água que ela consumiu durante o dia.
“Quando saí de casa, comecei a sentir uma sonolência muito grande e acabei dormindo dentro do carro. Eu não comi nada que tivesse em casa, somente essa água”, afirmou.
Ainda conforme o relato, o marido dela também apresentou sonolência intensa e foi dormir no período da tarde.
Prejuízo estimado em R$ 30 mil
Enquanto o casal estava sem condições de reagir, Paola teria levado roupas, joias, peças de lingerie recebidas no chá de panela e outros objetos da residência. O prejuízo estimado pela vítima é de aproximadamente R$ 30 mil.
Imagens de câmeras de segurança mostram a diarista entrando no prédio com apenas uma bolsa e deixando o local horas depois carregando diversas sacolas. Segundo a investigação, a mesma blusa usada por Paola nesse dia foi encontrada posteriormente com manchas de sangue em uma caçamba após o crime contra o casal de idosos.
Parte dos objetos furtados foi recuperada pela Polícia Civil na residência da suspeita.
Vítima descobriu caso após repercussão do latrocínio
Raphaella contou que só percebeu o furto após acompanhar notícias sobre a investigação das mortes de Cláudio e Maria Clotilde. Ela tentou entrar em contato com a diarista, mas não conseguiu.
Ao verificar o nome vinculado ao Pix utilizado para pagar a diária, reconheceu Paola nas reportagens sobre o caso.
“Foi muito assustador. Tentei contato com ela e o número já estava sem foto. Tentei alertar no grupo do bairro e contato com quem indicou, mas não tive sucesso”, afirmou.
Polícia investiga outras vítimas
De acordo com o delegado Gustavo Barletta, ao menos quatro vítimas da diarista já foram identificadas em Belo Horizonte e Contagem. A investigação aponta que Paola seguia um padrão: recebia indicações, conquistava a confiança dos moradores e, durante os serviços, utilizava medicamentos sedativos para facilitar os furtos.
Entre os casos apurados estão o de uma idosa de 85 anos e da filha dela, em Contagem, além de um primo de Maria Clotilde Atala, que também teria sido dopado e furtado.
Os casos são investigados separadamente. Segundo a Polícia Civil, Paola também deverá ser indiciada pelo crime envolvendo Raphaella e o marido.

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