A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o feminicídio da empresária Lídia Nandes da Silva, de 42 anos, morta a tiros pelo marido em maio deste ano, em Belo Horizonte. Segundo a investigação, Antônio Luis Alves Pereira, de 49 anos, agiu sozinho, premeditou o crime e se matou logo após a execução.
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O corpo da vítima foi encontrado na Avenida Cristiano Machado, no bairro Sagrada Família, após ter sido atingida enquanto praticava exercícios físicos na Praça Manoel Bandeira, na região da Cidade Nova. O autor foi localizado morto a poucos quarteirões, com um disparo na cabeça.
De acordo com a Polícia Civil, o caso foi cuidadosamente planejado. Antes do crime, o homem enviou mensagens a familiares, deixou um bilhete com orientações sobre o veículo usado na ação e escreveu uma carta de seis páginas com instruções sobre bens, filhas e justificativas pessoais. Em um dos trechos analisados, ele afirma que “existem homens que vivem de discurso e existem homens que vivem de decisões”.
A investigação também apontou que ele portava duas armas de fogo no momento do crime, ambas registradas em seu nome como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). Uma delas foi usada no feminicídio.
Os laudos toxicológicos e de alcoolemia deram negativo, o que, segundo a polícia, reforça a tese de consciência e planejamento da ação, além de descartar participação de terceiros.
O inquérito concluiu ainda que a vítima vivia um relacionamento de cerca de 16 anos marcado por violência psicológica, controle excessivo, ciúmes e isolamento. Familiares relataram que ela desejava se separar, mas enfrentava resistência do companheiro. Também há registros de relatos de ameaças e violência sexual, segundo depoimentos colhidos na investigação.
Para a delegada responsável pelo caso, a ausência de boletins de ocorrência não significa ausência de violência.
“Esse caso deixa evidente que o desfecho fatal nem sempre é precedido de registros formais”, afirmou.
O crime deixou duas filhas do casal órfãs. Embora o autor tenha morrido, a Polícia Civil encerrou o inquérito com o reconhecimento formal de feminicídio e a reconstrução completa da dinâmica do caso.
A investigação reforça ainda o alerta para sinais de violência psicológica, como controle, isolamento e possessividade, frequentemente naturalizados em relações abusivas, mas que podem anteceder desfechos letais.

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