A morte da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, passou a ser investigada como homicídio pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), conforme divulgado nesta terça-feira (19). A jovem foi encontrada morta no dia 9 de fevereiro, no apartamento onde morava, no bairro Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O namorado, de 45 anos, foi preso temporariamente na última sexta-feira (15), após laudo de necropsia indicar que Giovanna morreu por asfixia causada por sufocação direta.

A estudante foi encontrada por uma amiga que havia marcado um almoço com ela naquele dia. Giovanna estava sem roupas, sobre a cama, já sem vida. Inicialmente, caixas de medicamentos espalhadas pelo apartamento e o histórico de depressão da jovem levaram a polícia a tratar o caso como possível suicídio.
A delegada Ariadne Elloise Coelho, titular do núcleo especializado de investigação de feminicídios do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ressaltou que as amigas da vítima nunca acreditaram na hipótese de suicídio.
“Em observância às tratativas internacionais e nacionais sobre morte de mulheres, não se pode descartar um possível feminicídio de antemão”, afirmou.
Relacionamento controlador e mudança de comportamento
As investigações revelaram um padrão preocupante no relacionamento entre Giovanna e o suspeito, iniciado em outubro de 2025. Segundo a delegada, logo no primeiro mês de namoro, o homem se mudou para o apartamento da jovem sem ser convidado, levando os pertences aos poucos, e transferiu as contas do condomínio para seu nome.
Familiares e amigas relataram que Giovanna mudou completamente após o início do relacionamento.
“Era uma menina interessada, engajada na questão acadêmica, fazia duas faculdades, uma de psicologia e outra de gestão da saúde, era vaidosa, tinha um engajamento muito forte no feminismo e, a partir do momento [que inicia o namoro], ela se retrai socialmente, muda até o tipo de roupa que usa”, descreveu a delegada.
A polícia aponta que a jovem demonstrava dependência psicológica em relação ao namorado, que também levava os filhos de outro relacionamento ao apartamento dela, mesmo contra a vontade da estudante.
Atitudes suspeitas após a morte
O comportamento do suspeito depois da morte de Giovanna também chamou a atenção das investigadoras. No dia do enterro da jovem, ele ajuizou uma ação de reconhecimento de união estável pós-morte e enviou áudios a amigas da vítima pedindo ajuda para formalizar a união, chegando a ser insistente e intimidatório com uma delas.
Em um dos áudios, o suspeito afirmou que Giovanna “morreu nos meus braços”, informação contraditória, já que foi uma amiga quem acionou a polícia no dia da morte. Porteiros do prédio também relataram que, cerca de um mês após o falecimento, o homem passou a levar outras mulheres ao apartamento e impediu a entrada de pessoas próximas à vítima no imóvel.
Laudo e motivação patrimonial
O laudo de necropsia confirmou que a morte ocorreu por asfixia provocada por obstrução externa das vias respiratórias, possivelmente com travesseiro ou com as mãos. A polícia também investiga uma possível motivação patrimonial: Giovanna teria cerca de R$ 200 mil a receber de uma negociação imobiliária.
Durante depoimento após a prisão, o suspeito exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio. A polícia apurou ainda que ele possui registros anteriores de importunação sexual contra uma mulher, além de denúncias de violência psicológica e conflitos frequentes com vizinhos.
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