O número de casos suspeitos de Leptospirose registrados em Ubá, na Zona da Mata mineira, chegou a 92. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (16) pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), até a última sexta-feira (13) foram contabilizados 117 registros da doença, entre casos suspeitos e confirmados, em cidades da região afetadas pelas fortes chuvas recentes.
Em Ubá, além dos 92 casos em investigação, há um caso confirmado da doença e um óbito. A vítima foi uma mulher de 33 anos, cuja morte foi divulgada na última semana pelas autoridades de saúde.
Em Juiz de Fora, três casos da doença foram confirmados e outro segue em investigação, sem registro de mortes. Já em Matias Barbosa, foram notificados 20 casos suspeitos, que ainda estão sendo analisados, também sem óbitos.
Doença está associada a enchentes
Segundo a infectologista do Lab-to-Lab Pardini, Melissa Valentini, o aumento de casos está diretamente relacionado ao contato com água ou lama contaminadas, situação comum após períodos de chuva intensa.
De acordo com a especialista, a bactéria responsável pela leptospirose é eliminada principalmente pela urina de animais infectados, especialmente ratos. Durante enchentes, esse material pode se misturar à água das enxurradas, elevando significativamente o risco de transmissão.
“Essa bactéria vive no trato urinário de mamíferos. Pode estar presente em cães, bovinos e outros animais, mas o rato continua sendo o principal transmissor no ambiente urbano, porque elimina a bactéria na urina e contamina superfícies, água e solo”, destaca.
Sintomas podem confundir diagnóstico
Um dos desafios no combate à leptospirose é identificar a doença logo nos primeiros dias. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça intensa, mal-estar, dores musculares e olhos avermelhados, sinais que podem ser confundidos com outras doenças comuns no período chuvoso, como dengue, gripe ou viroses.
A infectologista alerta que o diagnóstico precoce é fundamental, já que, em casos mais graves, a doença pode apresentar alta taxa de mortalidade. Diferentemente de muitas infecções virais, a leptospirose é causada por bactéria e precisa ser tratada com antibióticos o quanto antes.
Quando procurar atendimento
Pessoas que tiveram contato com água de enchentes, lama ou participaram da limpeza de áreas alagadas devem ficar atentas ao surgimento de sintomas entre uma semana e até 30 dias após a exposição.
Nos quadros considerados leves, a orientação é procurar atendimento em unidades básicas de saúde. Já sinais mais graves, como febre alta persistente, dificuldade para se movimentar ou forte mal-estar, exigem avaliação imediata em pronto-socorro.
Cuidados na limpeza após enchentes
A prevenção também envolve cuidados durante a limpeza de casas e ambientes atingidos pelas águas. O uso de equipamentos de proteção, como botas, luvas e roupas grossas, ajuda a evitar o contato direto com água ou lama contaminadas.
Outra recomendação é descartar alimentos que tenham tido contato com a enchente e realizar a desinfecção dos ambientes. A orientação é utilizar solução de água sanitária, cerca de 200 mililitros diluídos em 10 litros de água, para reduzir o risco de contaminação.
Em alguns casos de exposição intensa, médicos também podem avaliar a necessidade de antibióticos preventivos.
Além da leptospirose, o período após enchentes também aumenta o risco de outras doenças infecciosas, como hepatites virais, infecções gastrointestinais e Tétano. Especialistas reforçam que qualquer sintoma diferente após contato com água de enchente deve ser avaliado por um profissional de saúde.
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