A morte do soldado da Polícia Militar de Minas Gerais Marco Eli Chereze, ocorrida em 15 de fevereiro de 1996, em Varginha, no Sul de Minas, permanece como um dos episódios mais controversos associados ao chamado caso ET de Varginha. O militar tinha 23 anos, era considerado saudável e não possuía histórico de doenças graves. O falecimento aconteceu menos de um mês após os relatos do suposto contato com uma criatura extraterrestre, o que alimentou teorias que extrapolaram a versão oficial apresentada pelas autoridades.
De acordo com ufólogos que investigam o caso, Chereze teria participado de uma operação realizada na noite de 20 de janeiro de 1996, nas imediações do bairro Jardim Andere. Segundo esses relatos, a ação teria como objetivo localizar e capturar uma criatura descrita por testemunhas como não humana. Ainda conforme essa linha de investigação, o soldado teria tido contato direto com o suposto ser, sem o uso de equipamentos de proteção.
Poucos dias depois da operação, o militar passou a apresentar sintomas de mal-estar e foi internado. O quadro clínico evoluiu rapidamente e culminou na morte. Pesquisadores ligados à ufologia defendem a hipótese de que a criatura teria liberado uma substância tóxica durante a abordagem, o que explicaria o agravamento repentino do estado de saúde do policial.
Outro fator que contribuiu para o surgimento de questionamentos foi o sepultamento realizado de forma discreta, sem velório público e com o caixão lacrado, procedimento que gerou especulações e intensificou rumores na cidade.
Para o ufólogo Vittorio Pacaccini, autor do livro “Incidente em Varginha” e um dos primeiros pesquisadores a chegar ao município após os acontecimentos, a morte de Chereze sempre foi um dos pontos mais sensíveis do episódio. Segundo ele, a sucessão de fatos envolvendo um policial jovem, saudável e participante de uma operação incomum exige, no mínimo, uma apuração transparente.
Pacaccini afirma não sustentar, de forma definitiva, que houve relação direta entre o suposto contato com a criatura e a morte do militar, mas avalia que as explicações apresentadas ao longo dos anos não foram suficientes para encerrar o debate. Para ele, mesmo a hipótese de coincidência ocorre em um contexto considerado atípico.
Versão oficial
As circunstâncias da morte do soldado foram analisadas no Inquérito Policial Militar (IPM nº 18/97), instaurado após a publicação do livro de Pacaccini. No relatório final, as autoridades concluíram que o óbito teve causas médicas conhecidas, sem qualquer ligação com operações secretas, agentes biológicos desconhecidos ou contato com criaturas não humanas.
O documento aponta que Chereze morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda, septicemia e choque bacteriano. O inquérito também afirma que não foram encontradas evidências de qualquer operação militar envolvendo a captura de uma suposta criatura, nem registros dentro das Forças Armadas que sustentassem a narrativa de contaminação por microrganismo desconhecido.
A conclusão do IPM está alinhada ao laudo oficial do Instituto Médico Legal de Minas Gerais, que atribuiu a morte a uma infecção generalizada causada pela bactéria Staphylococcus aureus, microrganismo comum na pele humana, mas potencialmente fatal quando atinge a corrente sanguínea.
Segundo o laudo, assinado pelo médico-legista Dr. João Batista de Souza, o soldado pode ter sofrido uma pequena lesão cutânea no membro superior, que teria servido como porta de entrada para a bactéria Staphylococcus schleiferi. O documento aponta que o microrganismo apresentava mecanismos de resistência a antibióticos e elevada virulência, levando à rápida disseminação da infecção e ao quadro de septicemia grave.
Questionamentos persistem
Apesar das conclusões oficiais, pesquisadores ligados à ufologia continuam questionando a causa da morte. Um dos principais argumentos é que os exames laboratoriais do soldado indicaram uma contagem anormalmente baixa de glóbulos brancos, o que, segundo eles, não seria compatível com um quadro típico de infecção bacteriana em um homem jovem, ativo e fisicamente saudável.
A principal hipótese levantada por esses pesquisadores é que o militar possa ter sido exposto a algum agente desconhecido ou toxina biológica, capaz de comprometer o sistema imunológico e permitir que bactérias comuns provocassem a morte em poucos dias.
Mesmo após quase três décadas, a morte de Marco Eli Chereze segue como um dos pontos mais debatidos e controversos do caso ET de Varginha, dividindo opiniões entre explicações científicas oficiais e interpretações alternativas que continuam a alimentar o imaginário popular.
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