Minas Gerais mantém a mineração como uma das principais atividades econômicas do estado, com forte concentração na produção de minério de ferro. Dados do Observatório da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), da Agência Nacional de Mineração (ANM), mostram que o estado arrecadou R$ 3,6 bilhões em royalties da mineração em 2025.
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O minério de ferro foi responsável pela maior parte desse valor. Ao todo, o mineral gerou R$ 3,09 bilhões em CFEM, o equivalente a 86,44% de toda a arrecadação registrada em Minas Gerais.
Apesar da predominância do ferro, o estado possui uma produção diversificada. Ouro, fosfato e calcário aparecem entre os minerais que mais contribuíram para os royalties em 2025. Ao todo, 134 substâncias minerais geraram arrecadação de CFEM em Minas Gerais no ano passado.
Minério de ferro domina arrecadação
O minério de ferro ocupa com ampla vantagem a primeira posição entre os minerais que mais geraram royalties em Minas Gerais. Foram R$ 3,09 bilhões arrecadados em 2025.
Na segunda colocação aparece o ouro, com R$ 268,7 milhões, equivalente a 7,53% do total. O fosfato ficou em terceiro, com R$ 66,3 milhões (1,86%), enquanto o calcário aparece na quarta posição, com R$ 44,9 milhões (1,26%).
Ranking dos minerais que mais arrecadaram CFEM em Minas
| Posição | Mineral | Arrecadação | Participação |
| 1º | Minério de ferro | R$ 3,09 bilhões | 86,44% |
| 2º | Ouro | R$ 268,7 milhões | 7,53% |
| 3º | Fosfato | R$ 66,3 milhões | 1,86% |
| 4º | Calcário | R$ 44,9 milhões | 1,26% |
Lítio ganha espaço entre minerais estratégicos
Embora ainda tenha participação pequena na arrecadação da CFEM quando comparado ao minério de ferro e ao ouro, o lítio ganhou importância estratégica para Minas Gerais nos últimos anos.
A produção está concentrada principalmente no Vale do Jequitinhonha, especialmente nos municípios de Itinga e Araçuaí, além de Nazareno, no Campo das Vertentes. A região abriga projetos voltados à extração e ao beneficiamento do mineral, utilizado na fabricação de baterias e considerado estratégico para a transição energética.
Entre as empresas que atuam na produção de lítio em Minas estão a Sigma Mineração, responsável pela operação da Mina Grota do Cirilo, em Itinga; a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), com operações na região de Araçuaí e Itinga; e a AMG Brasil, que produz lítio a partir da Mina Volta Grande, em Nazareno.
A arrecadação de CFEM dos municípios produtores, no entanto, recuou em 2025. Em Itinga, a CFEM total passou de R$ 9,29 milhões em 2024 para R$ 1,91 milhão em 2025. Em Araçuaí, caiu de R$ 6,37 milhões para R$ 60,7 mil no mesmo período. Esses valores correspondem à arrecadação total de CFEM dos municípios e não exclusivamente ao lítio.
A retração ocorreu em um cenário de queda dos preços internacionais do lítio. Mesmo assim, o mineral mantém importância estratégica para o estado devido ao crescimento da demanda por baterias, veículos elétricos e outras tecnologias de armazenamento de energia.
Além do lítio, Minas Gerais também possui reservas e produção de outros minerais considerados estratégicos, como nióbio e grafita.
Quais são as cidades que mais arrecadam com mineração?
A concentração da atividade mineral também aparece na distribuição dos royalties entre os municípios. Em 2025, 528 cidades mineiras tiveram arrecadação de CFEM, o equivalente a cerca de 62% dos municípios do estado.
Os dez municípios que mais arrecadaram concentraram aproximadamente 74% dos R$ 3,6 bilhões recolhidos em Minas Gerais.
Conceição do Mato Dentro liderou o ranking, com R$ 424,9 milhões, seguida por Congonhas, com R$ 344,6 milhões, e Nova Lima, com R$ 302,4 milhões.
Municípios que mais arrecadaram CFEM em 2025
| Posição | Município | Arrecadação | Participação |
| 1º | Conceição do Mato Dentro | R$ 424,9 milhões | 11,90% |
| 2º | Congonhas | R$ 344,6 milhões | 9,65% |
| 3º | Nova Lima | R$ 302,4 milhões | 8,47% |
| 4º | Mariana | R$ 292,1 milhões | 8,18% |
| 5º | Itabira | R$ 284,4 milhões | 7,96% |
| 6º | Itabirito | R$ 265,4 milhões | 7,43% |
| 7º | São Gonçalo do Rio Abaixo | R$ 245,6 milhões | 6,88% |
| 8º | Ouro Preto | R$ 174 milhões | 4,87% |
| 9º | Paracatu | R$ 164,5 milhões | 4,61% |
| 10º | Barão de Cocais | R$ 127,8 milhões | 3,58% |
A lista é formada principalmente por municípios do Quadrilátero Ferrífero, região historicamente associada à produção de minério de ferro em Minas Gerais. Paracatu se destaca por outro tipo de atividade mineral, a produção de ouro.
Vale é responsável por mais de 40% dos royalties
Entre as empresas, a Vale aparece na liderança da arrecadação de CFEM em Minas Gerais. A mineradora recolheu R$ 1,54 bilhão em 2025, o equivalente a 43,22% do total arrecadado no estado.
Na prática, aproximadamente quatro em cada dez reais pagos em royalties da mineração em Minas Gerais tiveram a Vale como responsável.
Na sequência aparecem a Anglo American Minério de Ferro, com R$ 424,9 milhões, e a CSN Mineração, com R$ 353,4 milhões.
Também estão entre as empresas que mais recolheram CFEM em Minas Gerais a Kinross Brasil Mineração, Samarco, AngloGold Ashanti, Mineração Usiminas e Vallourec.
O que são os royalties da mineração?
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) é um pagamento feito pelas empresas ao poder público pela exploração de recursos minerais.
O dinheiro arrecadado é distribuído entre União, estados e municípios, incluindo localidades onde ocorre a produção mineral e municípios que podem ser considerados afetados ou limítrofes à atividade.
Os recursos podem ser utilizados pelo poder público em áreas como saúde, educação, infraestrutura e obras, conforme as regras aplicáveis à compensação.
Em 2025, 1.591 empresas recolheram CFEM em Minas Gerais, enquanto a ANM registrou 2.331 áreas de mineração no estado.
Mineração tem peso nas contas de Conceição do Mato Dentro
O município que liderou a arrecadação da CFEM em 2025, Conceição do Mato Dentro, também demonstra o peso da atividade mineral nas finanças locais.
Dados do Tesouro Nacional apontam que a receita proveniente da exploração de recursos naturais, que inclui diferentes compensações, como a CFEM, somou R$ 255,46 milhões em 2025, correspondente a 35,57% da receita do município.
A diferença entre os valores registrados pela ANM e pelo Tesouro ocorre porque os órgãos contabilizam etapas diferentes. A ANM registra a arrecadação da CFEM paga pelas empresas, enquanto o Tesouro considera os valores efetivamente recebidos pelo município.
Além disso, os municípios podem receber recursos relacionados à mineração mesmo quando não são diretamente responsáveis por toda a produção registrada em seu território.
Mineração vai além do minério de ferro
Embora o ferro seja disparado o principal mineral produzido e arrecadado em Minas Gerais, a atividade mineral do estado é mais ampla.
O ouro tem participação relevante, especialmente em municípios como Paracatu e Nova Lima. O fosfato é importante para a produção de fertilizantes e para o agronegócio, enquanto o calcário possui ampla utilização na construção civil e em atividades agrícolas.
O lítio, por sua vez, ganhou espaço como um dos minerais estratégicos do estado, especialmente pela expansão da produção no Vale do Jequitinhonha. A região concentra operações de empresas como Sigma Mineração e Companhia Brasileira de Lítio, enquanto a AMG Brasil atua em Nazareno.
Minas Gerais também ocupa posição estratégica na produção de nióbio e possui ocorrências e projetos relacionados à grafita e a outros minerais considerados importantes para diferentes cadeias industriais e para a transição energética.
Os dados da CFEM mostram, portanto, uma mineração mineira fortemente dependente do minério de ferro, mas que reúne uma variedade de recursos minerais. Ao mesmo tempo em que municípios do Quadrilátero Ferrífero concentram a maior parte dos royalties, novas fronteiras minerais, como o lítio no Vale do Jequitinhonha, ganham importância econômica e estratégica para o estado.

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