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Marcelo Harger

Opinião: Somos apenas viajantes

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Somos apenas viajantes”.

• atualizado em 06/10/2018 às 13:06

Tenho pensado no melhor caminho para o futuro. Paulo Leminski, em uma de suas poesias, dizia que não acreditava em caminhos, mas eles existiam. Em minha busca, li também Martha Medeiros, que define felicidade como uma combinação de sorte com escolhas bem feitas. 

Sempre acreditei que devem existir caminhos, mas me exaspera não saber onde estão. Depender da sorte e de escolhas corretas para alcançar a felicidade é equivalente a atribuir o nosso destino integralmente à sorte. Digo isso porque, na maioria das vezes, não é possível saber de antemão quando uma solução é correta. Não há um único caminho. Há diversos paralelos. Há também bifurcações e encruzilhadas. Escolher um deles significa rejeitar os demais e recusar as oportunidades que apresentariam. Para cada sim existe um não. 

É fácil reconhecer nossos erros e acertos quando olhamos pelo retrovisor, mas é difícil medir as conseqüências futuras de nossas ações. Por isso, creio que uma regra de bem viver é optar por ter remorsos pequenos ao invés de grandes. Não se pode fazer tudo durante a vida, e tudo que se faz tem um preço. Não há uma só estrada. O caminho de cada ser humano é único, mas deve ser fruto de uma escolha consciente. Mesmo que não seja a vida ideal, a possibilidade de escolher o que fazer muda tudo. Uma boa alternativa é buscar ser hoje melhor que ontem e amanhã melhor do que hoje, procurando a nossa própria verdade e, à esteira de Nietzsche, tentando nos tornar quem realmente somos.

Quando escolhemos errado, só podemos ter paciência. Não somos apenas os nossos acertos, mas também a soma de nossos erros e renúncias. Crescemos quando aprendemos a conviver em paz com o que fizemos de errado. Martha Medeiros afirma que somente nos tornamos adultos quando perdemos o medo de nos equivocarmos. Errar é inevitável. Não somos medidos pelos nossos defeitos, mas pela forma como lidamos com eles. Crescer significa decidir e conviver em paz com os resultados de nossas decisões.

Precisamos lembrar que somos apenas viajantes e de que as nossas pegadas são caminho, e ele se faz ao andar. Ao andar, se faz o caminho e quando olhamos para trás, vemos a senda que nunca mais iremos pisar. Palavras escritas por um poeta, mas nem por isso menos verdadeiras.

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Marcelo Harger

Opinião: O acidente

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “O acidente”.

Não se ouvia qualquer barulho de motor, mas o avião planava. Cada vez descia mais. Cada segundo estava mais baixo. Aproximava-se perigosamente do chão. Subitamente, talvez por força de uma corrente de ar, o avião novamente subiu. Quando a força da corrente de ar parou, fez um rodopio, desceu em linha reta e caiu. Dentro do meu purê de mandioquinha.

Essa foi uma traquinagem do Pedro, meu filho.

Como pai responsável, retirei a “perigosa” peça das mãos do menino procurando evitar que um novo pouso forçado ocorresse em outro lugar. Quem sabe na sopa de alguém. Não pude deixar de reconhecer, no entanto, o azar do guri e a graça da situação. Fazer o avião cair justamente no prato do pai é uma imensa falta de sorte, e a situação parece típica daqueles filmes da “sessão da tarde” que causam riso a todos.

Situações como essa muitas vezes me exasperam, pois a traquinagem é evidente e é preciso repreendê-la. Caso não o faça, o menino passará a achar engraçado atirar coisas no prato de comida dos outros. O problema é encontrar a justa medida. Tentei encontrar respostas nos livros de psicologia. Compreendi que a repreensão demasiada pode inibir a criatividade do filho e acarretar um adulto ensimesmado. A repreensão a menor, por sua vez, tende a gerar um adulto sem limites.

Busquei soluções na religião e na poesia. Lendo o padre Fábio de Melo compreendi que “educação é o processo amoroso de estabelecer limites”. Ao ler Ruben Alves, misto de teólogo e poeta, compreendi que “parte da educação é mostrar às crianças que a vida se faz também com o choro”. Lembrei-me também de Khalil Gibran, que ensinava que os nossos filhos não são nossos. Vem por intermédio de nós, mas não de nós e, por isso, não nos pertencem. Têm suas próprias almas. Não podemos fazê- los pensar como nós. Podemos dar-lhes o nosso amor, mas jamais nossos pensamentos.

Mesmo depois de tanta busca, não encontrei a resposta que almejava. Consegui obter apenas um norte. Apesar disso, cheguei a uma conclusão: tudo seria mais fácil se os filhos viessem com manual de instrução.

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Marcelo Harger

Opinião: Simples assim

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Simples assim”.

• atualizado em 28/09/2018 às 09:12

Estou triste com alguns amigos e conhecidos. Parece que em virtude de Bolsonaro, Haddad, Marina, Alckmin e outros tantos perderam a razão. Andam brigando entre si, defendendo pessoas que nem mesmo conhecem pessoalmente, e por quem nenhum deles coloca a mão no fogo.

Há quem veja nisso a politização do brasileiro. Discordo veementemente. Vejo a infantilização da política.

Leio discussões acaloradas no Facebook, que terminam com um: “então não vou mais ser seu amigo”. Ao que o outro retruca: “nem queria mesmo”.

Conhecendo várias dessas pessoas, no entanto, creio que, passado o momento da ira, ficam com a consciência pesada, e morrendo de vontade de retomar a amizade. Creio que até se envergonhem do que escreveram. Principalmente porque o destempero foi feito em público, em frente de centenas de pessoas que ficaram quietas, mas nem por isso deixaram de tomar conhecimento da desavença.

Levam-se anos para conquistar uma boa reputação, mas apenas segundos para perdê-la por causa de bobagens ditas em um momento de nervosismo. Há vezes em que ficar calado é mais digno. Quando duas pessoas se agridem em público, aquele que está de fora percebe dois xucros. Não sabe dizer quem tem razão, e iguala os brigões por baixo.

A maturidade, no entanto, ensina que é preciso ser mais forte para se afastar de uma discussão do que para ficar e brigar. A fonte do problema normalmente é a reação exagerada às opiniões daquele com quem discutimos. Esse exagero gera dificuldades que poderiam ter sido evitadas se as palavras fossem menos agressivas. O excesso causa um efeito ricochete que somente termina quando uma das partes rompe relações.

Não prego a covardia. Há princípios pelos quais se deve lutar com obstinação. Sempre que o homem se encontrar diante dessas situações, deverá lutar com tenacidade. Quem acredita estar em uma batalha desse tipo, que continue. Eu, contudo, após pesar os prós e contras, decidi que não vou brigar com os amigos em defesa de um projeto de poder que não é meu, e que tampouco compactuo. Políticos não são conhecidos por sua retidão de princípios. É simples assim.

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Marcelo Harger

Opinião: Sorte

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Sorte”.

Há coisas que acontecem por acaso. Einstein dizia que o acaso é Deus que passeia incógnito. Outros preferem chamar o acaso de sorte e simplificam dizendo que há pessoas que possuem sorte e outras não.

Não é possível negar a influência divina em nossas vidas, mas em minha experiência percebo que normalmente os mais sortudos são os que mais se esforçam.

Certa vez um amigo foi beneficiado com uma bolsa para estudar medicina nos Estados Unidos. Era médico formado, sempre foi o primeiro aluno da classe e falava Inglês fluentemente. Acabara de ser aprovado para cursar residência em um dos melhores hospitais do país e na viagem de volta sentou- se ao lado de um americano, professor de medicina em uma prestigiosa universidade americana.

Como sabia falar Inglês e era formado em medicina o assunto fluiu. Terminou a viagem com um convite para estudar no exterior. O que se disse sobre a conquista do recém formado médico? Sorte.

De fato, não se pode negar que houve uma oportunidade de ouro. Essa oportunidade, no entanto, somente pode ser aproveitada porque havia anos de dedicação.

Conquistar a boa sorte exige disciplina, método e criatividade. A sorte é como uma linda dama, que espera ser cortejada para entregar os seus favores ao jovem galanteador. Certamente não é ao primeiro cortejo que a bela cede os seus encantos. Exige a perseverança do pretendente.

O homem sábio compreende esse aspecto e percebe que o esforço ajuda o acaso. Jamais fica parado esperando que a sorte bata a sua porta. Ele age e procura a sorte na casa dela. Bate a campainha e, se for preciso, com audácia pula uma janela. Não fica esperando alguma inspiração. Usa de “transpiração” e dobra a sorte a seu favor.

É por isso que sempre que alguém fala da sorte alheia lembro debum ensinamento de Lair Ribeiro: sorte é quando a oportunidade se encontra com a preparação. Os desígnios divinos são inescrutáveis e sobre eles é difícil interferir. Podemos, no entanto, trabalhar para auxiliar a nossa sorte convidando-a diariamente para fazer parte de nossas vidas e deixando a porta aberta para que, se um dia ela surgir de visita, possa entrar em nossa casa sem qualquer cerimônia.

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Fernando Luis Parreiras

Bacharel em Desenho Industrial e Bacharel em Administração de empresas. Possui Pós Graduação em Gestão de Projetos e Inovação, MBA Executivo e Mestre na área de Tecnologia. Formações pela UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), Newton Paiva, BI International, Stanford University e Penn State. Mais de 18 anos de experiência atuante no mercado de Tecnologia, Projetos e Inovação. Praticante e disciplinado em um estilo de vida saudável e esportista com formação como faixa-preta em JIU-JITSU e TAE KWON DO.

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