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Marcelo Harger

Opinião: Brigando com amor

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Brigando com amor”.

Briga nunca é uma coisa boa. Faz mal para todos. É pior quando acontece com quem se ama. No momento da disputa tudo se faz para ofender. Acertamos no ponto fraco da pessoa, pois conhecemos muito bem o ser amado. A mira é certeira. A bala acerta a “mosca”. Parecemos atiradores de elite querendo eliminar o alvo no primeiro tiro.

O problema é posteriormente corrigir o estrago. Jamais conseguimos completamente. É como se enfiássemos pregos em uma madeira. Podemos retirá-los, mas os furos continuam. Quanto maior o prego, maior fica o furo. Dependendo do caso nem mesmo sobra madeira. Apenas um buraco enorme. O tiro, no entanto, não afeta somente o ofendido. Afeta também o ofensor. No momento em que o atirador acerta o coração alheio está também acertando o próprio coração. Não há nada pior do que ofender injustamente alguém que amamos. Sentimo-nos seres da pior espécie. Humanos de segunda classe. Desprezíveis.

As brigas podem até mesmo gerar um ciclo terrível de ofensas no qual cada um fere, e em seguida é ferido. Caso alguém não pare, a luta continuará até a exaustão, e haverá um momento em que ambos surgirão como os grandes perdedores. A briga com quem se ama não tem vencedores. Só derrotados.

É interessante que na maioria das vezes somos mais tolerantes com aqueles que amamos menos. O atraso ou a falta de um conhecido em um compromisso é prontamente perdoada. Do mesmo modo, não nos importamos quando não se lembram de nossos aniversários.

Faltas equivalentes a essas cometidas pelo ser amado, no entanto, são causa para a eclosão da terceira guerra mundial. Podem ocasionar brigas, ofensas e separação.

É preciso aprender a brigar com amor. Qualquer relação tem conflitos, mas eles podem ser resolvidos sem grandes dores se partirmos do amor como premissa. Aquele que ama jamais gostaria de machucar o ser amado. É partindo desse pressuposto que devemos encarar as atitudes de nossos companheiros.

Um gesto errado jamais deve ser interpretado como uma ofensa imperdoável. É um equívoco. Quando amamos, devemos aprender a amar o ser amado com as suas imperfeições. Pode-se apontar o erro, mas é possível fazê-lo com delicadeza. Sem acusar. Mostrando que o companheiro praticou um ato que nos causou mágoa. Não devemos torná-lo um crápula por um pequeno deslize. Pensando assim contribuímos para a nossa própria felicidade.

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Marcelo Harger

Opinião: Fé

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Fé”.

• atualizado em 01/09/2018 às 15:16

Fé é a crença ilógica na ocorrência do improvável. Essa frase não é minha. É de Henry Louis Mencken. As pessoas religiosas ficam chocadas ao lê-la pela primeira vez. Parece “coisa de ateu”. Ela, no entanto, serve para ateus e religiosos.

Fé não exige lógica. Está no campo dos sentimentos. Sendo racional, por definição, não poderia ser fé. Crer em uma divindade exige a aceitação do desconhecido. Acredita-se em algo que não se vê, prova ou toca. É um caminho em direção ao mistério. Não se consegue demonstrar a existência de Deus com base em livros. Não é possível fazê-lo pela razão. O fundamento é outro. É subjetivo. Ninguém consegue transpor o que sente para outrem e comprovar a verdade de sua fé. A comunhão com o divino é algo pessoal e ocorre de maneira diferente para cada um.

Aquele que crê, entretanto, adiciona uma importante dimensão moral em sua vida. Utiliza-a como fonte de disciplina e força. Por intermédio dela, criam-se laços entre pessoas que não podem ser alcançados por outros meios.

É preciso perceber, no entanto, a diferença entre esse sentimento sublime e o que dizem as pessoas. Os bons acreditam em um Deus bondoso. Os maus, no entanto, acreditam em um Deus cruel e utilizam-no como desculpa para as crueldades que cometem. Procuram converter os demais na base do facão se preciso for. Ficam cegos ao invés de iluminados. Alguns têm tanta certeza que estão dispostos a matar ou morrer violentamente para forçar os outros a aceitarem o seu Deus.

Esse extremismo, contudo, não significa fé, mas falta dela. O fanatismo religioso é uma dúvida em relação à própria fé, pois quem crê não necessita provar aos outros a existência daquilo em que acredita. Ninguém grita que o sol vai nascer no dia seguinte ou que a lua chegará ao cair da noite. Todos sabem que isso acontece. Há absoluta confiança que isso ocorrerá. Do mesmo modo, aqueles que estão certos da existência de Deus não precisam gritar que Deus existe. Conseguem senti-lo e adorá-lo em paz, pois embora esteja no campo de sentimento, ter fé não é o mesmo que emburrecer. A fé é algo que se acrescenta à inteligência. É outro modo de conhecer, e que não dispensa a razão. Fé desprovida de inteligência é receita para o desastre. Cada ser humano tem uma bússola moral dentro de si, e se Deus é bom, jamais mandaria ao homem fazer o mal. Quem tem fé adora o seu Deus sem prejudicar a outrem. Ao encontrar um descrente, reza para que ele um dia possa se deparar com a experiência do divino, pois, como já dizia a sabedoria chinesa, quando o discípulo estiver pronto o mestre aparecerá.

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Marcelo Harger

Opinião: Porque estudar direito hoje

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Porque estudar direito hoje”.

Sugere uma resposta à pergunta porque estudar direito hoje. A resposta infelizmente é para nada. Não existe razão para se estudar direito. Tampouco existe razão para fazer um exame para a OAB. Aliás, a OAB deveria ser extinta, pois não há o menor sentido em fiscalizar o exercício de uma profissão que deveria ser aberta a todos.

A prática jurídica deve ser liberada para qualquer pessoa que saiba ler e escrever. Nem mesmo coerência deve ser exigida daqueles que passem a atuar como advogados, juízes, promotores ou integrantes das demais carreiras essencialmente jurídicas.

A razão para isso é simples. O direito brasileiro acabou. Não existe mais. Tornou-se instrumento de pura política. É o que está demonstrando o Supremo Tribunal Federal. É lamentável que isso ocorra, especialmente quando a corte constitucional possui diversos ministros que, antes mesmo de serem ministros, eram autoridades respeitadas pelo seu conhecimento no Brasil e no exterior.

Parece, no entanto, que ao assumirem o cargo de Ministros deixaram a técnica de lado. Passaram a usar a retórica como se direito fosse. Abusam de conceitos abstratos tais como “a sociedade precisa de uma resposta”, é “preciso resguardar o interesse da coletividade”, e “os tempos atuais não mais admitem essa espécie de postura”. São, no entanto, conceitos vazios que permitem ao intérprete decidir como bem entenda. A lei pouco importa.

Diante dessa situação, imperativo se faz também que doravante juízes e promotores sejam eleitos. Políticos conseguem discernir melhor os anseios da sociedade do que pessoas que ingressaram em um cargo público por intermédio de concurso.

Desculpem o desabafo. Obviamente o tom do artigo é de ironia. Não quero que nada do que defendi nesse artigo ocorra. Passei a maior parte da minha vida estudando o direito. Sempre tive orgulho de ser advogado. Fiz pós- graduação, mestrado e doutorado para aperfeiçoar-me, mas vejo que tudo o que apreendi não serve para nada diante das decisões amalucadas da nossa Suprema Corte.

Decidi iniciar uma campanha intitulada “o supremo muda, ou muda-se o sistema”. O objetivo é pedir que os ministros da Suprema Corte voltem a ser técnicos, ou participem de uma eleição periódica. Ministros do Supremo são ótimos juristas, mas péssimos políticos.

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Marcelo Harger

Opinião: Azar o teu

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Azar o teu”.

As crianças tem muito mais sabedoria do que os adultos. Falo isso por ter presenciado uma das maiores lições de tolerância que alguém pode receber. Ela foi dada por dois pequenos, que tinham entre quatro e cinco anos. Um deles era judeu e o outro católico. A menina católica diz ao menininho judeu que devemos rezar para Jesus nos proteger todas as noites. O rapazinho responde que não pode porque a mãe dele não deixa. Longe de demonstrar surpresa, a menina prontamente responde: azar o teu.

Não é preciso dizer que ambos continuaram a brincar como se nada tivesse ocorrido. Realmente, nada de relevante ocorreu. As crianças percebem isso. Vêem que a crença religiosa do amiguinho não o torna uma pessoa pior ou melhor. É apenas uma característica com a qual ela convive sem qualquer problema.

Infelizmente os adultos não são assim. Estão sempre prontos a crucificar uns aos outros pelas mínimas diferenças. Algumas vezes é a religião. Outras a cor da pele. Em outras, ainda, a opção sexual. Se tiver as três diferenças juntas, então é imolação na certa.

O ser humano por alguma razão tem uma grande dificuldade em respeitar as diferenças. É algo paradoxal porque a natureza humana é tão complexa que impossibilita duas pessoas completamente iguais. Mesmo assim, o diferente incomoda.
Após milhares de anos de existência não conseguimos respeitar a verdade alheia como gostaríamos que a nossa fosse tolerada. Não conseguimos absorver o ideal de Voltaire que dizia que mesmo que não concordasse com uma única palavra do que dizia o seu interlocutor, morreria para defender o direito deste em manifestar a sua opinião.

Essas são reflexões que devemos fazer pois o mundo de hoje exige diversidade. Devemos aprender a tolerar o modo de ser alheio, se quisermos que o nosso também seja tolerado. Para quem quiser ser diferente, vamos dizer apenas “azar o teu” e seguir em frente. Quem não respeita não pode exigir ser respeitado. Os tempos mudam e as pessoas devem se adequar a eles. Se não o fizerem azar o nosso.

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