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20ª edição do Festival Mundial de Circo acontece, pela primeira vez, no formato online

No ano em que completa quase duas décadas, um dos principais festivais internacionais de circo contemporâneo reúne toda sua programação na plataforma digital
Festival Mundial de Circo - Foto: Divulgação/Antoine-Seycha
Festival Mundial de Circo – Foto: Divulgação/Antoine-Seycha
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  1. Serviço

Respeitável público, o Circo está no ar! De 16 a 25 de julho é realizada a 20ª edição do Festival Mundial de Circo, pela primeira vez, no formato digital. A programação conta com 24 trabalhos de artistas originários do Brasil, Canadá, Espanha, França, Holanda e Uruguai – entre espetáculos e cenas circenses, além de diálogos em rede, exposição, oficinas e documentários. Para a noite de abertura (16, sexta-feira), a partir das 18h, está prevista a estreia do espetáculo “Cine Circo – Noite enluarada entre Ruínas”, produzido pelo próprio Festival, com direção virtual do catalão Cisco Aznar e participações de artistas brasileiros e uruguaios.

O público tem acesso gratuito a todas as atividades do Festival pelo endereço www.festivalmundialdecirco.com.br. Os espetáculos ficam disponíveis na plataforma por tempo variado e para acessá-los basta entrar no ícone “bilheteria” e fazer um cadastro simples (e-mail e criação de uma senha). Para assistir as demais atrações o cadastro não é necessário.

“O circo é uma arte viva, cênica, do ali e agora, que historicamente sempre dependeu do público para acontecer. Depois de 19 anos realizando um festival com uma estrutura presencial – logística e grandes espaços que o circo exige -, a gente se vê com esse desafio nas mãos: fazer um evento que de fato possa alcançar as pessoas de forma online”, explica Fernanda Vidigal, idealizadora e coordenadora do Festival Mundial de Circo.

O primeiro passo para mergulhar no digital foi investir numa plataforma diferente. Em vez de um site comum, onde o público encontra informações sobre a programação, nesta edição, a proposta foi transportar a atmosfera mágica do circo para o ambiente virtual, dando, ao espectador, a sensação de ser remetido ‘para dentro do picadeiro’. “O circo está no ar. Já que estamos no ar, nas redes, vamos colocá-lo também suspenso, acima das nossas cabeças, para gente se lembrar que a arte estará sempre ali. É só esticar a mão e pegar ou ter acesso pela rede”, explica.

A estrutura da plataforma foi desenhada pelo diretor audiovisual e artista plástico Conrado Almada. Com alguns cliques, o espectador entra numa espécie de ‘cidade circense flutuante’, com lonas, balões e dirigíveis. Do conforto de casa, o público poderá navegar e vivenciar experiências em ambientes diversos: Lona Espetáculos (com espetáculos e cenas para o púbico adulto e infantil), Cine-Circo, Globo da Morte, Ações Formativas, Exposição e Documentários. “Por exemplo, você clica em Globo da Morte e experimenta a sensação de estar dentro daquela estrutura de metal circular, com motociclistas dando voltas completas. Acredito que mesmo no digital, a arte tem o poder de transformar o cotidiano e criar espaços de identificação com o público, de aconchego, emoção e alegria”, afirma Fernanda Vidigal.

Neste ano, o Festival recebeu cerca de 700 propostas, do Brasil e de várias partes do mundo. Foram selecionados 24 trabalhos, de média a curta duração – muitos deles criados em contexto de pandemia -, e que trazem um panorama da produção contemporânea circense brasileira e mundial, com diversidade de estética, estilo e técnicas da arte do circo, como o trapézio, o malabarismo, o tecido, o contorcionismo, o bambolê, a palhaçaria, o ilusionismo, entre outras. “Outro critério adotado foi a qualidade do trabalho apresentado. Não bastava ter o número circense gravado em vídeo. A proposta que se preocupou em considerar a linguagem audiovisual, teve prioridade na escolha”, explica.

O vídeo-circo “Noite enluarada entre Ruínas” – direção de Cisco Aznar (Catalunha) – faz estreia nacional abrindo a programação do evento, e cumprindo uma característica do Festival Mundial de Circo que, desde 2006, realiza a coprodução de produções em que artistas e diretores são convidados a trabalharem juntos em uma montagem inédita. Durante três semanas, com ajuda das plataformas digitais, o artista catalão Cisco Aznar dirigiu os palhaços brasileiros Rafael Protzner, Ciro Ítalo e Carol Cony (Brasil) e o grupo Coletivo Pulsa (Uruguai). O resultado desse trabalho poderá ser visto a partir do dia 16 de julho. “O público pode esperar um cabaré povoado por palhaços celestiais, excêntricos e poetas loucos”, garante a coordenadora.

Durante a programação, as obras apresentadas passeiam por temáticas contemporâneas distintas, como gênero, relações amorosas, dilemas do ofício, os desafios da comunicação e as novas tecnologias, a solidão humana e o isolamento social em contexto de pandemia. A Mostra de Cenas Circenses traz ao todo 22 trabalhos nacionais e internacionais, divididos em 06 mostras inéditas, sendo 04 adultas e 2 infantis). Além disso, importantes artistas da cena local de BH e Minas também apresentam as Mostras direcionadas ao público adulto de forma lúdica e divertida

E para encerrar as apresentações do festival, nos dias 24 e 25 de julho, destaque para “Em Panne” do grupo canadense “Os Sete Dedos da Mão”. Referência na cena circense contemporânea, o coletivo é formado por artistas que vieram do Circo de Soleil. O espetáculo fala de um futuro próximo em que teatros esvaziaram e recursos não existe mais: artistas são forçados a se reunir em segredo em vastos espaços abandonados. “Todo feito durante pandemia, o trabalho é muito poético e providencial para o momento”, afirma Fernanda Vidigal.

Além dos espetáculos e cenas, os diálogos em rede colocam no centro do picadeiro as questões importantes do segmento, como o mercado de trabalho, a criação artística, a falta de política pública para o circo, entre outras. Entre as oficinas previstas, estão “O Balão Torcido”, da Escola Internacional de Palhaço, com Chacovachi e Maku Fanchulini, direcionada a palhaços e artistas em geral, e “Produção e Gestão Cultural”, com o produtor e gestor cultural Rômulo Avelar, direcionada a artistas e grupos circenses. As oficinas são gratuitas, com inscrição prévia entre 25 de junho e 09 de julho, pelo site do www.festivalmundialdecirco.com.br. O Festival irá disponibilizar ainda, na plataforma, dois documentários com temáticas relacionadas ao circo, como “Espero que não demore a voltar essa alegria” e “Dossiê Escola Nacional de Circo: 25 Anos de Pedagogia no Picadeiro”, e a exposição “A deriva da linha ou o mistério que salta”, da artista visual e circense, Clarice Panadés.

Ao longo de duas décadas, o festival construiu um público cativo nas redes sociais. Segundo a coordenadora Fernanda Vidigal, uma edição toda online é uma oportunidade para trazer novas plateias, mesmo no pós-pandemia. “Depois que gente voltar a fazer ações presenciais, certamente vamos continuar com parte da programação no virtual, porque você acaba ampliando o seu público. Imagina: um festival que acontece em BH e interior de Minas, pode ser acessado de qualquer lugar do país e do mundo”. Mas Fernanda pondera que é um público diferente. “Vamos pensar que estamos no Brasil e que o acesso à internet não é para a maioria da população. E nosso festival tem uma prática, há anos, de eventos em ruas, praças e periferias”.

A 20ª edição do Festival Mundial de Circo é realizado com os benefícios da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Patrocínio: Rede Materdei, Banco CNH Industrial, New Holland Construction e Ápia. Apoio: Buerau Quebec e Galpão Cine Horto. Realização: Agentz Produções Culturais e CIRC – Centro de Intercâmbio e Referência Cultural.

Festival Mundial de Circo - Foto: Divulgação/Antoine-Seycha
Festival Mundial de Circo – Foto: Divulgação/Antoine-Seycha

Serviço

FESTIVAL MUNDIAL DE CIRCO (20ª edição)
16 a 25 de julho
Espetáculos e cenas circenses, diálogos em rede, exposição, oficinas e documentários
Acesso gratuito à programação pela plataforma www.festivalmundialdecirco.com.br
*Para assistir aos espetáculos basta clicar em ícone “bilheteria” e fazer um cadastro simples (e-mail e criação de uma senha). Para acesso ao restante da programação não é necessário cadastro.

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