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CineBH

Último dia de CineBH tem anúncio de vencedores do Brasil CineMundi e pré-estreia nacional do filme “Benzinho”

Cerimônia de encerramento acontece no MIS Santa Tereza, a partir das 19h30; programação do dia também conta com exibição de filmes, show, performance teatral e roda de conversa

No domingo, 02 de setembro, último dia da 12ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o público poderá conferir apresentações artísticas e exibição de filmes em quatro espaços – MIS Cine Santa Tereza, Cine Sesc Palladium, Cine Humberto Mauro e Cine Sesc na Praça. A programação intensa e gratuita promove o diálogo da CineBH com a cidade, do cinema com as outras artes e conta com atividades para todas as idades.

Na noite de domingo, serão anunciados e premiados os projetos vencedores do 9º Brasil CineMundi – 9th International Coproduction Meeting. Mas a programação já começa pela manhã, com atrações para toda a família. Confira abaixo todas as atividades programadas para este domingo.

EM SANTA TEREZA

O dia inicia de forma animada e dançante, com a apresentação musical da Orquestra Atípica de Lhamas, a partir das 11 horas, no Cine Sesc na Praça(Praça Duque de Caxias), em Santa Tereza. A orquestra combina percussões características dos blocos carnavalescos com baixo, guitarras e charango, apresentando ritmos latinos diversos, como reggaeton, ragga, lambada, guaracha e quarteto.

No mesmo espaço acontece, às 15 horas, o espetáculo Quarteto Fantástico, com o Grupo Circo do Sufoco. Quatro artistas realizam um fabuloso show que reúne teatro de rua + intervenção circense, no qual a magia, o malabarismo, o equilibrismo e as acrobacias são as grandes atrações.

No MIS Cine Santa Tereza, a Mostrinha exibe, a partir das 16h30, “Sobre Rodas”, um road movie com foco no público infantojuvenil. O filme ganhou o Prêmio da Audiência de Melhor Longa-Metragem no TIFF Kids 2017 (Canadá) e o Prêmio do Júri de Melhor Longa em Live-Action no 34° Festival Internacional de Filmes Infantis de Chicago (EUA). A sessão contará com a presença do Palhaço Sufoco e de personagens da Turma do Pipoca.

No mesmo local, a partir das 19h30, serão anunciados os vencedores do 9º Brasil CineMundi – 9th International Coproduction Meeting. Este ano, foram 20 selecionados, organizados em três categorias (CineMundi, DocBrasil Meeting, Foco Minas), representando sete estados brasileiros: Minas Gerais (8), São Paulo (4), Rio de Janeiro (3), Bahia (2), Espírito Santo (1), Goiás (1) e Pernambuco.

Os projetos concorrem a vários prêmios. O Melhor Projeto CineMundi eleito pelo júri leva o Troféu Horizonte, materiais e serviços oferecidos pelas empresas parceiras, vaga para o produtor do projeto participar do evento parceiro Ventana Sur, na Argentina, e Prêmio Itamaraty, com oferta de passagem aérea internacional.

O Prêmio TorinoFilmLab, eleito pelo representante do evento parceiro (Categoria CineMundi), oferece vaga para participar do TorinoFilmLab, na Itália, e Prêmio Itamaraty, com oferta de passagem aérea internacional. Já oPrêmio Festival de Cinema de Malaga, eleito pelo representante do evento parceiro, oferece vaga para participar do MAFF – Malaga Fund e Evento de Coprodução, na Espanha.

No DocBrasil Meeting (escolhido pelo representante do DocMontevideo), o vencedor garante participação na próxima edição do DocMontevideo, no Uruguai, materiais e serviços oferecidos pelas empresas parceiras.

Na Foco Minas, o melhor projeto garante participação na próxima edição do DocSP (escolhido por um representante do evento parceiro), em São Paulo, e premiação em materiais e serviços oferecidos pelas empresas parceiras (escolhido por um convidado internacional).

Após a cerimônia de premiação, será exibido o premiado “Benzinho”, de Gustavo Pizzi, cujo projeto integrou o Brasil CineMundi em 2013.

EXIBIÇÃO DE FILMES

Mas o domingo traz outras opções para os cinéfilos. No Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes), a programação começa às 16h30, com a exibição de médias e curtas na Mostra Pontes Latino-Americanas. A sessão traz títulos dos anos 1960 e 1970 que representaram paradigmas de radicalidade estética (como vanguarda e transgressão) e postura política participativa (nacional e continentalmente) da resistência à ordem política nacional ou estrangeira.

Entram em cartaz “Cómo, Por Qué y Para Qué se Asesina a un General” (Cuba, 1971); “Revolución” (Bolívia, 1963); “Me Matan si no Trabajo y si Trabajo me Matan” (Argentina, 1974); “Me Gustan los Estudiantes” (Uruguai, 1968) e “Isla del Tesoro” (Cuba, 1969). Às 18h, será a vez do português “Tempo Comum” e, às 19h30, do chileno “La Telenovela Errante”, ambos em pré-estreia nacional.

No Cine Sesc Palladium, a atração será a última sessão da Mostra A Cidade em Movimento, às 18h, com a temática Quilombos Urbanos. Os filmes serão “Segunda Preta – 2ª Temporada” e “Eles Sempre Falam Por Nós”. Na sequência, representantes participarão de uma roda de conversa, com a presença da atriz, arte-educadora, produtora e ativista política Carlandréia Ribeiro (MG) e mediação da curadora Paula Kimo.

No mesmo horário, o Cine Sesc na Praça (Praça Duque de Caxias) traz o filme “Corra Que a Polícia Vem Aí!”. O longa, que completa 30 anos, encerra a programação da Mostra Clássicos na Praça.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

Serviço

12ª CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE
BRASIL CINEMUNDI – 9TH INTERNATIONAL COPRODUCTION MEETING
28 de agosto a 02 de setembro de 2018

CineBH

12ª CineBH tem programação pata toda a família neste sábado

Mostrinha, apresentação teatral e show na Praça Duque de Caxias são destaques do dia. Para os adultos, as dicas são a pré-estreia de Espera, de Cao Guimarães; e Ferrugem, de Aly Muritiba, além de show d’O Grivo

CineBH – Sessão Cine Escola – Foto Jackson Romanelli/Universo Produção

No sábado, 01 de setembro, a 12ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte intensifica atividades voltadas para o público infantojuvenil, que poderá conferir sessões de cinema, shows e performances teatrais. Para os adultos, as atrações também são muitas, com pré-estreia de filmes nacionais e internacionais, debates com realizadores e sobre o mercado, show, videoperformance e flash mob. Tudo de graça. O penúltimo dia de realização marca ainda o encerramento do 9º Brasil CineMundi – Internacional Coproduction Meeting.

Veja o que mais acontece no evento na data.

PARA TODA A FAMÍLIA

O sábado terá muitas atividades para toda a família. A partir das 10h, o Sesc Palladium recebe a “Mostrinha + Sabadinho”, com atividades de cinema, teatro e circo. Após a exibição de curtas, o público vai curtir o espetáculo “Música para brincar | Quintal da Guegué”, que levará diversão para todos. Participam das atividades o Palhaço Sufoco e os personagens da Turma do Pipoca.

Já no Cine Sesc na Praça (Praça Duque de Caxias), a atração será o show de Maurício Tizumba e Tambor Mineiro, às 11h. Tizumba é um dos ícones da cultura mineira e se destaca por fazer um percurso de grande relevância do congado mineiro, manifestação cultural e religiosa que resiste há mais de três séculos como símbolo da cultura negra em Minas Gerais. Às 15h, no mesmo local, será a vez do grupo Trampulim, com o espetáculo “Uma surpresa para Benedita”.

No MIS Santa Tereza, a Mostrinha traz “O colar de Coralina”. A história se passa no final do século XIX, na cidade de Goiás Velho, antiga capital do estado, em diversos episódios da infância da poeta Cora Coralina, narrados de forma lúdica e envolvente. Mais uma vez, estarão presentes os personagens da Turma do Pipoca e o Palhaço Sufoco. A sessão, que terá 100% de acessibilidade (audiodescrição, libras e legendas descritivas), começa às 16h30.

NAS TELAS

No Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes), a programação começa às 14h, com a Mostra Diálogos Históricos, que traz a produção mexicana “Vítimas do Pecado”. O longa, de 1950, foi escolhido pelo crítico e professor João Luiz Vieira, que comentará a sessão após o término. O bate-papo com o público será mediado por Francis Vogner dos Reis.

Às 17h, a Mostra Contemporânea tem um destaque mineiro: “Espera”, o novo filme de Cao Guimarães. O cineasta estará presente na exibição e participará de um debate após a sessão, juntamente com a equipe do longa, mediado pelo curador Marcelo Miranda. A terceira e última parte de “La Flor”, que integra a Mostra Homenagem, entra em cartaz às 19h.

Um pouco antes, às 18h30, o MIS Santa Tereza exibe a pré-estreia do argentino “Cocote”, como parte da Mostra Pontes Latino-Americanas. Às 20h30, será a vez de “Ferrugem”, de Aly Muritiba, vencedor do Festival de Gramado na categoria Melhor Filme em 2018.

Ali ao lado, no Cine Sesc na Praça, instalado na Praça Duque de Caxias, a Mostra Clássicos na Praça traz “Os embalos de sábado à noite”, a partir das 21h. Após a sessão, haverá flash mob com os artistas do grupo Toda Deseo.

No Cine Sesc Palladium, a atração será a Mostra A Cidade em Movimento. Às 19h, a temática Acontecimentos traz os filmes “Logo após” (MG) e “Desacertos” (MG). Representantes dos curtas participarão de uma roda de conversa na sequência, com a presença da professora de cinema Tatiana Carvalho Costa e da curadora Paula Kimo.

Às 20h30, será a vez da Série 4 de curtas da Mostra Contemporânea, com “Tempestade” (MG), “Cravo, Lírio e Rosa” (RJ), “Aos meus pés” (CE) e “Ao final da conversa eles se despedem com um abraço” (RJ).

PROGRAMA DE FORMAÇÃO AUDIOVISUAL E BRASIL CINEMUNDI

O Programa de Formação Audiovisual, que promove a capacitação de profissionais e troca de experiências entre diferentes agentes do setor, encerra suas atividades neste sábado, com o debate “Estratégias de Distribuição e Promoção de Filmes”.

Participam do encontro a distribuidora e produtora da Fidalgo Films, Fernanda Rennó (Noruega); o distribuidor da Juste Doc, Jacques Pelissier (França); e a curadora da Vitrine Filmes, Talita Arruda (Brasil). A mediação do debate, que acontece no Teatro João Ceschiatti, das 16h30 às 18h, será do curador da CineBH e colaborador do Brasil CineMundi, Pedro Butcher (RJ).

A agenda de relacionamento do Brasil CineMundi também chega ao fim também neste sábado, com a entrega dos certificados aos convidados, produtores e diretores dos projetos selecionados desta edição, às 18h30, na Tenda Brasil CineMundi (Palácio das Artes).

ARTE

A CineBH envolve o cinema e outras artes. Por isso, a atração da noite no Palácio das Artes será o Cine-Concerto com O Grivo, que convida o artista Roberto de Freitas para apresentar o espetáculo “Cinesônico”, composto por obras cinematográficas fundamentais do período mudo com trilhas sonoras executadas ao vivo. As trilhas são resultado de profunda pesquisa musical dos artistas, que utilizam instrumentos musicais tradicionais, instrumentos modificados, instrumentos eletrônicos, objetos sonoros e máquinas sonoras. A performance acontece às 21h, na Sala Juvenal Dias (Palácio das Artes).

O sábado também será o último para o público conferir a videoperformance dos artistas VJs Brahyan e Fabiano Fonseca, do Estúdio de Tecnologia Criativa, no Cine Lounge.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

Serviço

12ª CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE
BRASIL CINEMUNDI – 9TH INTERNACIONAL COPRODUCTION MEETING
28 de agosto a 02 de setembro de 2018

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CineBH

Diretores de Baixo Centro contam a experiência de filmar nas noites de Belo Horizonte

Ponto de encontro entre críticos cinéfilos e realizadores na CineBH, as Rodas de Conversa e os Diálogos Históricos discutiram filmes e relações entre estéticas e países na quarta e na quinta-feira;
no Brasil CineMundi, produtoras do Chile e da Argentina comentaram parcerias com outros países

Roda de Conversa Baixo Centro – Foto Leo Lara/Divulgação

Um festival de cinema com tantas atividades simultâneas se amplifica para além das exibições de filmes ao promover bate-papos com o público sobre aquilo a que se assiste. Na 12a CineBH, tanto as Rodas de Conversa quanto os Diálogos Históricos valorizam, desde o nome das seções, o cara a cara com os espectadores, que lotam a Central do Cinema montada no Palácio das Artes. Pelos espaços é possível ouvir cineastas, pesquisadores e críticos sobre os trabalhos apresentados. Na noite de quarta-feira, os diretores Samuel Marotta e Ewerton Belico, responsáveis pelo longa-metragem Baixo Centro, participaram de uma conversa antes do filme – que teve a primeira exibição em Belo Horizonte na programação do evento. O encontro se tornou uma instigante prévia para o título, produzido em Minas e todo filmado na capital mineira.

A origem de Baixo Centro veio da vontade de Samuel Marotta em relacionar o enredo de um casal inserido na noite da cidade, a partir de convivências em bares, ruas, viadutos, becos e espaços urbanos dos mais variados. “Eu tinha feito dois filmes na minha cidade natal (Dores do Turvo, no interior mineiro) e precisava me reconectar com Belo Horizonte de alguma forma. Pensei, então, na história de dois jovens que se encontram pela noite e se envolvem com esse pedaço da cidade que é o centro”, contou Marotta. Ele convidou o amigo Ewerton Belico para a empreitada e, juntos, desenvolveram o roteiro, aprovado no programa Filme em Minas, o que viabilizou o projeto.

Inicialmente, Baixo Centro, vencedor da Mostra Aurora, em Tiradentes, este ano, seria protagonizado por atores não-profissionais. Porém, ao fazerem uma leitura mais detida do roteiro, Marotta e Belico perceberam que seria necessário trabalhar com figuras já inseridas na atuação. “As vozes dos personagens precisavam vir de atores e atrizes com experiência, foi algo que percebemos a partir da maneira como o roteiro se estruturou”, contou Belico.

A decisão teve como consequência o envelhecimento dos personagens (de adolescentes para pessoas na faixa dos 30-40 anos) e a proximidade da dupla de diretores com figuras do meio teatral belo-horizontino. Isso garantiu a presença de nomes como Alexandre de Sena, Cris Moreira, Bárbara Colen e Marcelo Souza e Silva. Com eles, o filme carrega a mistura de atores e atrizes inseridos no cotidiano noturno da região central de Belo Horizonte. “São personagens meio fantasmagóricos caminhando por um labirinto espacial e temporal, algo que estávamos buscando para o nosso olhar a esses espaços”, frisou Belico.

CHANCHADA
De uma produção contemporânea para o passado do cinema brasileiro: na quinta-feira, dia 30, o pesquisador João Luiz Vieira conduziu a primeira sessão (de três) dos Diálogos Históricos, no Cine Humberto Mauro, com um filme escolhido por ele para se relacionar à temática “Pontes Latino-Americanas”, que marca a CineBH em 2018. O longa selecionado por João Luiz foi Carnaval Atlântida, chanchada de 1952 dirigida por José Carlos Burle e protagonizada por Oscarito, Grande Otelo, Eliana Macedo, Dick Farney e José Lewgoy.

“Se formos falar de paródia, estamos falando de uma longa tradição do cinema brasileiro que vem desde o cinema silencioso”, destacou João Luiz logo após a exibição. Ele disse que sua escolha se deveu ao caráter de filme-manifesto de Carnaval Atlântida – que, apesar de se apresentar como uma típica chanchada (“único gênero verdadeiramente brasileiro”, segundo o pesquisador), mostra-se também uma crítica irônica às ambições industriais do cinema brasileiro de estúdio entre os anos 1940 e 1950.

“A Vera Cruz tinha sido fundada em São Paulo em 1949 tentando fazer um cinema industrial que respondesse ao tom popularesco das chanchadas cariocas e que tivesse a consciência de uma qualidade técnica, diversidade temática e referências a produções estrangeiras, principalmente de Hollywood”, disse João Luiz. “Em 1952, Carnaval Atlântida surgiu trazendo respostas a alguns dilemas daquele momento e parodiando essas ambições de grandes espetáculos da Vera Cruz, que tendia a menosprezar essas comédias”. A noção de “filme-manifesto” defendida pelo pesquisador já começava no título, que trazia o nome do estúdio vinculado ao Carnaval, algo ainda hoje inédito.

Caracterizando as pontes intercontinentais, o filme tem no elenco a dançarina cubana Maria Antonieta Pons, interpretando um tipo de versão de si mesma, que passa toda a narrativa tentando seduzir o professor interpretado por Oscarito. “A Maria Antonieta veio ao Brasil para fazer só esse filme e nunca mais fez nada por aqui. Por que isso aconteceu? É algo muito interessante de pensar”, provocou João Luiz, que destacou as cenas musicais de Carnaval Atlântida em que a rumba (dança típica de Cuba) era alçada na mesma categoria das manifestações de folia e de referências afro que se vê em outros momentos do filme. “José Carlos Burle detestava Hollywood e isso aparece no filme, através dessa forma de abordagem da cultura de outros países”, disse João Luiz.

COPRODUÇÕES
Sobre as presenças latino-americanas nos filmes, um dos pontos centrais das discussões deste ano na CineBH, o Programa de Formação Audiovisual promoveu, na tarde de quinta-feira, o bate-papo “Experiências em coprodução internacional na América Latina”. No centro da conversa estavam a chilena Catalina Vergara, a argentina Constanza Sanz Palacios e o brasileiro Henry Galsky, todos responsáveis por iniciativas de coprodução em seus respectivos países. O tom do encontro ficou na percepção de que a união entre dois ou mais produtores na realização de um filme intercontinental depende de fatores variados, sejam econômicos, estéticos ou por afinidades de aproximação.

Constanza Sanz Palacios, por exemplo, disse que busca parcerias a partir de estruturas “mais artesanais” de produção. “Um coprodutor sempre tem todo o interesse de se associar a realizadores que ele admira ou acompanha em festivais ou nos circuitos. No meu caso, gosto de fazer parte da construção de filmes mais autorais”, disse ela. Um exemplo recente foi sua participação em Exercícios de Memória, longa-metragem de Paz Encina que se configurou numa parceria entre Paraguai e Argentina. Ela também contou que outra forma de se associar está nas possibilidades de projeção internacional de determinados projetos, especialmente de nomes que já tenham penetração nos mercados mundiais de distribuição e exibição. Já para Catalina Vergara, da Globo Rojo Films, a experiência no Chile depende de uma série de fundos de investimento audiovisual – apresentados por ela durante o debate – que são potencializados por parcerias com outros países.

Coordenador de projetos e conteúdo do Canal Brasil, Henry Galsky comentou a ambição de alguns produtores brasileiros em buscar determinadas associações fora do país quando ainda há dificuldade de diálogo entre estados. “A gente tem que ter consciência de que o Brasil é uma exceção dentro da América Latina, um país ainda muito autocentrado, que não constrói diálogos dentro de seu território. É necessário descentralizar”, afirmou. E ironizou: “Estamos ainda esperando uma produção do Espírito Santo com o Acre”.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

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12ª CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE
BRASIL CINEMUNDI – 9TH INTERNACIONAL COPRODUCTION MEETING
28 de agosto a 02 de setembro de 2018

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CineBH

CineBH promove roda de conversa com Tavinho Teixeira, Mariah Teixeira e Ney Matogrosso

Também terá masterclass com a produtora Laura Citarella e debate com equipe de “Baixo Centro”

A 12ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte teve início na noite desta terça, 28 de agosto, no Cine Theatro Brasil Vallourec. Com casa cheia, a abertura oficial contou com a realização de performances artísticas e musicais, além da apresentação da temática escolhida para este ano, “Pontes Latino-Americanas”, e exibição do longa “Sol Alegria”, com a presença dos diretores, Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira e do ator e cantor Ney Matogrosso, que integra o elenco do filme.

A Mostra, que será realizada até o próximo domingo, 2 de setembro, conta com uma intensa agenda nesta quarta-feira, 29 de agosto. Além das atividades programadas para o 9o Brasil CineMundi – encontro de coprodução internacional, com apresentação de projetos e meetings, estão programadas rodas de conversa, masterclass e, é claro, exibição de filmes. Toda a programação é inteiramente gratuita.

Às 12h, a equipe de “Sol Alegria” se reuniu para uma Roda de Conversa no Cine Lounge, montado no Palácio das Artes e com a presença de diretores e elenco – incluindo Ney Matogrosso.

Às 15h, no Teatro João Ceschiatti, a produtora Laura Citarella apresenta a masterclass “Modos de Produzir”, dentro das atividades do Programa de Formação Audiovisual. O encontro promoverá um intercâmbio de experiências, com objetivo de apontar exemplos da história do cinema e dos filmes produzidos pela El Pampero Cine, homenageada desta edição, para pensar e refletir sobre as maneiras de produzir e de como estas incidem diretamente no resultado das imagens. A mediação será do crítico e curador Francis Vogner dos Reis.

Às 17h, o Programa de Formação Audiovisual continua com o encontro “O mercado e a formação em documentário”, com as presenças de Luis González Zaffaroni (diretor do DocMontevideo/DocSP – Uruguai), Maria Bonsanti (diretora do Eurodoc – França) e Pierre-Alexis Chevit (diretor do Doc Corner Project, Marché du Film, Cannes Festival – França), com mediação de Gudula Meinzolt, colaboradora do Brasil CineMundi.

Em pauta, o documentário contemporâneo, que vive período de efervescência cultural, se apresentando como um meio importante para a reflexão e a discussão sobre a sociedade e o mundo em que vivemos, ao mesmo tempo em que ocupa, cada vez mais, um espaço importante no mercado audiovisual. Os convidados irão refletir sobre as questões de mercado, formação e alcance que o gênero apresenta na atualidade.

A partir das 18h, o Cine Lounge recebe a videoperformance dos artistas Brahyan e Fabiano Fonseca. Às 19h, no mesmo local recebe mais uma Roda de Conversa, desta vez com diretores e equipe do longa-metragem mineiro Baixo Centro, de Samuel Marotta e Ewerton Belico. O filme, ganhador da Aurora na Mostra de Cinema de Tiradentes em janeiro deste ano, terá sua primeira exibição em Belo Horizonte após o encontro, às 21h, no Cine Humberto Mauro. Para celebrar a sessão, o coletivo Família de Rua, que tem presença marcante em Baixo Centro e fundou o Duelo de Mcs em 2007, vai tocar músicas do álbum Ontem, Hoje e Sempre.

NAS TELAS
A programação de filmes tem início às 14h, com exibição dos curtas que integram a programação do Cine-Escola, seguidos do Cine Debate, no MIS Santa Tereza.

Às 17h30, no Cine Humberto Mauro, acontece a primeira sessão de curtas-metragens da Mostra Pontes Latino-Americanas, com exibição de Bla bla bla (Andrea Tonacci, Brasil, 1968) e Agarrando Pueblo – Os Vampiros da Miséria (Luis Ospina, Carlos Mayolo, Colômbia, 1978).

Às 19h, no Cine Sesc Palladium, acontece a primeira sessão da Mostra A Cidade em Movimento, com cinco curtas-metragens que tematizam “A cidade e seus múltiplos”. Os filmes exibidos nesta quarta são Cenas Urbanas (Rodrigo Sampaio Cauhi e Tobias Cazarini Trotta), BH é o Texas (Jorge Mairink, Marcelo Lin e Marcão Pesada), Marquinhos e Princesa (Nélio Costa), Favela em Diáspora (Gabriela Matos) e De Mão em Mão (Clebin Quirino & das quebradas). Em seguida, no hall do cinema, acontece uma roda de conversa, com representantes dos filmes, mediados pela curadora Paula Kimo.

Outros dois filmes completam a programação de quarta-feira. Às 19h, no Cine Humberto Mauro, tem La Mujer de los Perros (2015), de Laura Citarella e Veronica Llinás, exibido dentro da homenagem à El Pampero Cine. Já no MIS Cine Santa Tereza, às 19h30, passa Antígona (2018), do mexicano Pedro González Rubio, como parte da Mostra Pontes Latino-Americanas.

A programação do Cine Humberto Mauro termina com a exibição de Baixo Centro, às 21h.

NOITE DE ABERTURA TEVE CASA CHEIA
A abertura da 12ª CineBH movimentou o Cine Theatro Brasil Vallourec na noite de terça-feira, dia 28. Seguindo a temática desta edição, “Pontes Latino-Americanas”, a cerimônia, dirigida por Chico de Paula e Grazi Medrado, contou com a apresentação de Giovanna Heliodoro, que mostrou aos presentes as principais atrações da mostra este ano, com uma performance da atriz Marina Viana, em diálogo com a ideia de pontes, limites, relações e uniões.

A produtora argentina Laura Citarella recebeu o Troféu Horizonte em homenagem à El Pampero Cine, coletivo de realizadores que vem se destacando por suas formas de produção e exibição fora dos meios tradicionais. Ao lado de autoridades e do trio de curadoria formado por Pedro Butcher, Francis Vogner dos Reis e Marcelo Miranda, Laura disse ter recebido o tributo com surpresa. “Não falo isso como falam aqueles artistas que ganham homenagens e se dizem surpresos, porque eles não estão. Falo com sinceridade: não esperávamos um reconhecimento como esse”.

Ela frisou que a El Pampero Cine se caracteriza como um “encontro de amigos” e disse não qualificar o grupo como uma produtora. “Somos companheiros, praticamente irmãos, e queremos que seja assim a vida toda”. A El Pampero é formada por Laura, Mariano Llinás, Alejo Moguillansky e Agustín Mendilaharzu. Além de La Mujer de los Perros, de Laura Citarella e Veronica Llinás, exibido nesta quarta, a Mostra Homenagem contará também com as sessões de La Flor, de Mariano Llinás, vencedor do Bafici em 2018 e um dos grandes destaques da programação do evento.

Fechando a noite de abertura, foi exibido, em pré-estreia nacional, o paraibano Sol Alegria, de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira. A sessão teve a presença do cantor Ney Matogrosso, que atua no filme como um “toureiro do fim do mundo”.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

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