Quando se fala em esporte brasileiro, o pensamento corre quase sempre para o futebol. Mas existe um estado onde a força esportiva se mede em piscinas, quadras de vôlei e aparelhos de ginástica, e não em gramados. Minas Gerais, com Belo Horizonte à frente, consolidou um modelo que abastece de forma constante a delegação olímpica do país. No centro dessa engrenagem estão os grandes clubes sociais poliesportivos, associações privadas com dezenas de milhares de sócios que financiam equipes de elite em várias modalidades olímpicas ao mesmo tempo em que oferecem lazer às famílias.
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Esse cenário também interessa a quem acompanha o esporte sob a perspectiva das apostas, já que conhecer clubes, atletas e centros de formação ajuda a interpretar melhor o desempenho nas grandes competições. Para esse público, apostar em uma plataforma de 3 reais pode ser uma boa oportunidade para se aproximar desse universo e, ao mesmo tempo, uma forma acessível de acompanhar os eventos com maior envolvimento.
O modelo dos clubes poliesportivos
Na maior parte do mundo, universidades ou federações formam os atletas olímpicos. No Brasil, e de maneira exemplar em Belo Horizonte, esse papel cabe aos clubes. O caso mais simbólico é o Minas Tênis Clube, fundado em 15 de novembro de 1935. Hoje o clube reúne cerca de 78 mil associados distribuídos em quatro unidades e mantém equipes competitivas em natação, vôlei masculino e feminino, ginástica artística, basquete, futsal, judô, tênis e ginástica de trampolim, com centenas de jovens em formação permanente. O sistema funciona com o apoio de patrocinadores que mudam periodicamente o nome das equipes, algo visível ao longo das décadas com marcas como Fiat, Gerdau e Itambé. Esse arranjo permite competir tanto na base quanto no alto rendimento, transformando o clube num motor autônomo do esporte olímpico nacional, independente de um sistema escolar ou federal centralizado.
Vôlei no topo do mundo
O vôlei é a vitrine da região, e aqui é preciso separar dois protagonistas. O primeiro é o Sada Cruzeiro, sediado em Belo Horizonte e com jogos em casa no Ginásio do Riacho, em Contagem, na região metropolitana. O clube é a maior força do vôlei masculino mundial da última década. São cinco títulos do Mundial de Clubes da FIVB (2013, 2015, 2016, 2021 e 2024), marca com a qual igualou os italianos do Trentino, até então o maior vencedor da competição. A esse feito somam-se dez títulos da Superliga, sendo o mais recente o da temporada 2025/2026, além de onze conquistas sul-americanas. Trata-se de uma das equipes mais vencedoras da história do voleibol em qualquer continente.
O segundo protagonista é o próprio Minas. A equipe masculina soma sete títulos brasileiros (1984, 1985, 1986 e mais quatro na era Superliga), o que a coloca hoje como a segunda maior campeã nacional da modalidade, atrás justamente do Sada Cruzeiro. Já a equipe feminina construiu um dos históricos mais tradicionais do país, com cinco títulos de Superliga, taças nacionais e o posto de heptacampeã sul-americana. As mulheres do Minas ainda foram duas vezes vice-campeãs mundiais, em 1992 e em 2018, e seguem como a única equipe presente em todas as edições da Superliga Feminina.
Natação: uma tradição olímpica
A natação é praticada no Minas desde a fundação, e a equipe figura entre as mais competitivas do Brasil, alternando o topo dos dois troféus nacionais mais prestigiados, o Maria Lenk e o José Finkel, com dezenas de conquistas. Pela touca do clube passaram nomes como o campeão olímpico César Cielo e o multimedalhista Thiago Pereira, referências de uma escola que nunca deixou de abastecer a seleção. A continuidade se confirmou no ciclo mais recente. Em Paris 2024, o clube levou aos Jogos os nadadores Nicolas Albiero, Eduardo Moraes e Fernando Scheffer, este último medalhista de bronze nos 200m livre em Tóquio. A presença de três atletas de natação numa mesma edição olímpica reforça que o trabalho de base do clube continua produzindo resultado no mais alto nível.
Ginástica artística: a era Caio Souza
A ginástica artística masculina virou outro cartão de visitas do Minas, hoje liderada por Caio Souza. Em setembro de 2025, no Campeonato Brasileiro disputado no Recife, o ginasta conquistou o individual geral e se tornou hexacampeão nacional, com títulos em 2016, 2017, 2021, 2022, 2024 e 2025. Generalista de referência no país, Caio também é um dos melhores do mundo nas argolas, aparelho no qual disputou a final do Mundial de 2025. O resultado individual veio acompanhado do coletivo. Naquela mesma competição, o Minas faturou o título por equipes na categoria adulta masculina, com Caio Souza e Vitaliy Guimarães entre os destaques do pódio. É o sinal de que a solidez do programa técnico vai além de um único nome, sustentando a equipe entre as melhores do Brasil temporada após temporada.
A espinha dorsal do ciclo olímpico
Os números explicam por que Minas ocupa esse lugar. O Minas Tênis Clube marcou presença em 17 edições dos Jogos Olímpicos e levou 12 representantes a Paris 2024, entre atletas e comissão técnica. Ao longo de seus quase 90 anos, mais de 70 atletas do clube já disputaram ao menos uma Olimpíada, em modalidades que vão da natação ao vôlei, passando pelo judô e pela ginástica. O fenômeno, porém, é maior do que um clube só. Dados do Comitê Brasileiro de Clubes mostram que, das 312 vagas destinadas a atletas brasileiros em Paris 2024, 280 foram ocupadas por atletas formados em clubes. É a prova de que, no Brasil, essa rede de sociedades poliesportivas privadas forma a verdadeira espinha dorsal da preparação olímpica, com Belo Horizonte e Minas Gerais na linha de frente. Enquanto o futebol domina o imaginário popular, é nas piscinas, nas quadras e nos ginásios mineiros que boa parte das medalhas do país começa a ser construída. E você, imaginava que tanta força olímpica do Brasil nascia longe dos gramados, num único estado?

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