Mensagens atribuídas ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG) e à servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, foram citadas pela Polícia Federal (PF) em uma investigação sobre a destinação de emendas parlamentares. Segundo a corporação, o conteúdo indica uma suposta atuação de Cunha na indicação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato.
Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha teve o mandato cassado em 2016, no contexto da Operação Lava Jato, e atualmente articula sua atuação política em Minas Gerais, estado onde pretende disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026.
Em uma das conversas analisadas pela PF, Cunha demonstra insatisfação com negociações envolvendo municípios mineiros.
“Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”, escreveu.
Em outra mensagem, o ex-deputado menciona dificuldades relacionadas ao município de Manhuaçu e pede que um parlamentar formalize, por meio de ofício, a autoria de uma emenda.
“Estou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu. O pessoal está dizendo que é do Nikolas. Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele, a pedido do deputado estadual João Magalhães, senão vamos ter de trocar e não mandar para lá”, diz o trecho citado pela investigação.
Para a Polícia Federal, a troca de mensagens chama atenção porque Cunha não possui mandato parlamentar, mas aparece discutindo a destinação de emendas e solicitando alterações na distribuição dos recursos.
Os investigadores também destacam outra conversa em que o ex-deputado faz referência ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
“Tá bom, me fala então. Tem Cleitinho aí, que também se arvora lá. Ele pôs 200.”
Segundo a PF, a fala sugere preocupação com a atuação de outros parlamentares na destinação de recursos para municípios mineiros.
As mensagens também mostram pedidos para alterar municípios beneficiados pelas emendas. Em um dos diálogos, Cunha solicita a substituição de Manhuaçu por outras cidades e discute ajustes em valores destinados a Matias Barbosa, Pedrinópolis e Varjão de Minas.
De acordo com a investigação, Mariângela Fialek teria demonstrado disposição para atender às solicitações do ex-deputado. Em determinado momento, após as alterações, Cunha responde: “Desculpa o trabalho, mas Minas é muito pulverizado”.
A Polícia Federal afirma que há indícios de que diversas emendas parlamentares tenham sido registradas formalmente em nome de deputados, embora as indicações, segundo a investigação, tivessem origem em Eduardo Cunha. Para os investigadores, o procedimento teria servido para ocultar o verdadeiro responsável pela destinação dos recursos.
O caso também levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar o bloqueio de bens de Eduardo Cunha no valor de R$ 6 milhões, no âmbito da investigação sobre supostos desvios de emendas parlamentares.
As investigações seguem em andamento. Até o momento, não há decisão definitiva sobre o caso, e os fatos ainda serão analisados pela Justiça.
O que diz a defesa de Eduardo Cunha
Nota na íntegra
A defesa de Eduardo Cunha tomou conhecimento, pela imprensa, da decisão divulgada neste domingo e esclarece que, antes da decretação do bloqueio patrimonial, não havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no âmbito dessa investigação.
Eduardo Cunha não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário. Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência sobre o processo orçamentário.
Eduardo Cunha sempre pautou sua vida publica pelo compromisso ético e probidade, respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato parlamentar.
Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar.
É igualmente necessário esclarecer que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem a Eduardo Cunha.
Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha.
A defesa buscará acesso integral à investigação a fim de conhecer o contexto completo dos fatos, exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas.
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