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A Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, recebeu R$ 19,2 milhões em transferências realizadas por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Os valores constam em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que teve o sigilo retirado nesta segunda-feira (14).
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Segundo o documento, foram identificados 26 lançamentos de Zettel para a conta da igreja durante o período analisado.
Ao todo, a conta da unidade movimentou R$ 57,1 milhões em operações consideradas atípicas pelo Coaf. O montante é resultado de aproximadamente R$ 28,5 milhões em créditos e R$ 28,6 milhões em débitos.
A classificação de uma movimentação como atípica pelo Coaf não representa, isoladamente, comprovação de origem ilícita dos recursos ou da prática de crime.
Valores superam faturamento presumido
O relatório aponta uma diferença significativa entre o volume movimentado e o faturamento anual presumido da unidade, estimado em R$ 950 mil.
Somente os R$ 28,5 milhões que entraram na conta durante o período correspondem a cerca de 30 vezes essa estimativa.
De acordo com o Coaf, características das operações, como frequência, valores e forma de movimentação, levantaram suspeitas sobre uma eventual tentativa de dificultar a identificação da origem, do destino ou dos responsáveis pelos recursos.
Ainda conforme o relatório, aproximadamente R$ 4,9 milhões foram destinados a construtoras e incorporadoras.
Zettel administrava unidade do Belvedere
Fabiano Zettel já foi pastor e era responsável pela administração da unidade da Igreja Batista da Lagoinha no Belvedere.
Ele é cunhado de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e foi preso pela Polícia Federal em março no contexto das investigações relacionadas à instituição financeira.
A unidade da Lagoinha no Belvedere encerrou as atividades no mesmo mês, semanas depois da prisão.
Igreja diz que unidade tinha autonomia financeira
Em nota, a Igreja Batista da Lagoinha afirmou que suas unidades possuem autonomia para administrar receitas, despesas, investimentos e obras, sob responsabilidade das respectivas presidências locais. No caso do Belvedere, segundo a instituição, essa função era exercida por Zettel.
A Lagoinha Global declarou que havia recebido, à época, a informação de que seriam realizados investimentos em reformas e melhorias nas instalações da unidade.
A instituição afirmou ainda que não tinha conhecimento das movimentações financeiras reveladas no relatório, que totalizaram R$ 57,1 milhões no período analisado.
A defesa de Fabiano Zettel não havia se manifestado sobre as movimentações até a divulgação das informações.

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