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A ex-delegada da Polícia Civil de Minas Gerais Monah Zein será levada a júri popular por quatro tentativas de homicídio qualificado e resistência. A decisão foi tomada pela 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
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Com a decisão, Monah será submetida ao Tribunal do Júri por quatro acusações de tentativa de homicídio, uma para cada policial civil que, segundo a acusação, teria sido alvo dos disparos durante uma ocorrência em Belo Horizonte. A data do julgamento ainda não foi definida e dependerá da pauta do TJMG.
A defesa dos policiais afirmou que a decisão da segunda instância reformou a sentença anterior e permitiu que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.
Entenda o caso
A ocorrência aconteceu em 21 de novembro de 2023, no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.
Segundo o processo, Monah havia enviado mensagens com conteúdo que indicava preocupação com a própria integridade em um grupo que reunia amigos e colegas de trabalho. Diante da situação, policiais civis foram até o apartamento onde ela morava para tentar estabelecer contato e verificar as condições dela.
Durante a abordagem, a então delegada iniciou uma transmissão ao vivo pelo Instagram. Nas imagens, questionava a presença dos policiais e afirmava que eles não tinham autorização judicial para estar no local e que se sentia ameaçada.
Conforme a versão apresentada por Monah na época, ela efetuou um disparo depois que os policiais utilizaram uma arma de choque, conhecida como Taser.
A ocorrência terminou após mais de 30 horas de negociação. Monah foi presa em 23 de novembro de 2023, depois de permanecer trancada no apartamento, e liberada no dia seguinte durante audiência de custódia.
Na época, a Polícia Civil solicitou a internação hospitalar provisória da então delegada para a realização de incidente de sanidade mental. A corporação também suspendeu o exercício das funções e pediu o recolhimento da arma, da carteira funcional e do distintivo.
Primeira decisão afastou tentativa de homicídio
Em 2024, Monah foi denunciada pelo Ministério Público por quatro tentativas de homicídio contra policiais civis.
Na primeira decisão judicial, porém, a acusação de tentativa de homicídio não havia sido mantida. Entre os fundamentos considerados estavam a trajetória dos disparos e a avaliação de que não havia elementos suficientes para concluir, naquele momento, que os tiros tinham sido direcionados deliberadamente aos policiais.
A decisão também levou em consideração as circunstâncias emocionais da então delegada durante a ocorrência.
O Ministério Público recorreu e o caso foi analisado pela 7ª Câmara Criminal do TJMG. Com a nova decisão, a acusação de quatro tentativas de homicídio qualificado será submetida ao Tribunal do Júri.
Defesa dos policiais
O advogado Thiago Lenoir, que representa os quatro policiais envolvidos na ocorrência, afirmou que pretende atuar na acusação durante o julgamento, ao lado do Ministério Público.
Segundo o defensor, os agentes foram chamados inicialmente para verificar a situação da própria delegada e acabaram envolvidos em uma ocorrência com disparos de arma de fogo.
A defesa de Monah ainda não havia se manifestado sobre a decisão até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

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