A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), por meio do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), deflagrou, nesta quinta-feira (20), a Operação Gargantua para combater crimes de agiotagem, extorsão, tortura, posse e porte ilegal de armas, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
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Ao todo, 10 pessoas foram presas e um suspeito é considerado foragido. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 milhões em bens ligados aos investigados.
A operação foi realizada em Belo Horizonte, São José da Lapa, Vespasiano, Contagem e Capitólio. Segundo a polícia, o grupo emprestava dinheiro com juros elevados e utilizava ameaças e violência para cobrar as dívidas. Até o momento, 30 vítimas foram identificadas.
Entre os casos investigados estão episódios de tortura. De acordo com a Polícia Civil, algumas vítimas tiveram dedos amputados durante as agressões. As sessões eram filmadas e, posteriormente, as imagens eram compartilhadas para intimidar outros devedores.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 170 mil em dinheiro, joias, relógios de luxo, três armas de fogo, 90 munições de calibre 9 mm, um contador de notas e cadernos com nomes de vítimas e valores devidos. Também foram sequestrados pelo menos seis carros e algumas motocicletas.
Como funcionava o esquema
As investigações apontam que os suspeitos ofereciam empréstimos diretamente às pessoas. Para atrair clientes, distribuíam cartões de visita e percorriam bairros das cidades onde atuavam oferecendo dinheiro sem consulta a cadastros de inadimplentes.
Após os empréstimos, eram cobrados juros e multas considerados abusivos. Quando as vítimas não conseguiam pagar, segundo a polícia, o grupo recorria a ameaças, extorsões e tortura.
Os investigados também exigiam documentos, fotos e dados de familiares das vítimas, principalmente das mães. As informações eram utilizadas para aumentar a pressão durante as cobranças.
“Caso não houvesse o pagamento na data, eles impunham ou a renovação com juros e multas que eles mesmos estipulavam na hora, ou então partiam para o crime de tortura para punir essas pessoas”, afirmou o delegado Raphael Macedo.
Vítimas eram torturadas
Segundo a Polícia Civil, seis pessoas já foram identificadas como vítimas de tortura. Durante as buscas, os investigadores encontraram máscaras e roupas semelhantes a uniformes do Exército, que seriam utilizadas para intimidar as vítimas durante as agressões.
Celulares apreendidos também continham vídeos das sessões de tortura. Conforme o delegado, os registros eram utilizados para ameaçar outras pessoas que tinham dívidas com o grupo.
“Na investigação nós identificamos esses métodos de tortura bastante bárbaros, com amputação de dedos das mãos, bastante violência e alcançando não só as próprias vítimas como também os familiares”, disse Macedo.
Prisões e investigação
As investigações começaram em 2025, após o setor de inteligência da 2ª Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco II), em Belo Horizonte, identificar indícios da atuação de uma organização criminosa ligada à agiotagem.
Nesta quinta-feira, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, além das ordens judiciais de prisão. Entre os presos estão apontados líderes da organização, incluindo dois irmãos.
Segundo a polícia, um deles já cumpria pena por uma tentativa de homicídio relacionada ao grupo. Os demais investigados seriam responsáveis por funções como operações financeiras, cobrança de dívidas e manutenção dos registros dos empréstimos. As três mulheres presas seriam responsáveis pela captação de novos clientes.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e integrantes da organização criminosa.

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