A morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, é investigada pela Polícia Civil como feminicídio. A oficial foi levada já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20), pelo marido, o 3º sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, que foi preso em flagrante. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
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Segundo o boletim de ocorrência, Michele apresentava traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com chicotadas e um corte profundo na cabeça. A equipe médica avaliou que a morte havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital.
A investigação reúne imagens de câmeras de segurança, depoimentos, perícias e o histórico do casal para esclarecer as circunstâncias da morte.
Caso
Na noite de segunda-feira (20), Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, mas já chegou sem sinais vitais.
Durante o atendimento, médicos identificaram diversas lesões incompatíveis com uma morte natural e acionaram a Polícia Militar. Diante dos indícios de violência, Eduardo Abner foi preso em flagrante ainda na unidade de saúde.
O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil como feminicídio. Os laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e das perícias realizadas no apartamento, nos objetos apreendidos, nos comprimidos encontrados e nos aparelhos eletrônicos serão fundamentais para esclarecer a dinâmica dos fatos.
Imagens do prédio
Câmeras de segurança do edifício registraram o momento em que Eduardo deixa o elevador carregando Michele nos ombros.
As imagens mostram o sargento colocando a esposa dentro do carro antes de seguir para o Hospital Odilon Behrens. Os vídeos foram incorporados ao conjunto de provas analisado pela Polícia Civil.
Provas apreendidas
Durante a ocorrência, policiais encontraram uma pequena caixa metálica contendo comprimidos semelhantes a ecstasy. Segundo a investigação, o material foi descartado pelo sargento em uma lixeira do hospital e posteriormente apreendido para perícia.
No apartamento do casal, os peritos recolheram um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, roupas de cama que estavam lavadas e ainda molhadas na máquina de lavar, além do celular do investigado e do veículo utilizado para transportar Michele.
Todo o material passará por exames periciais.
Histórico de violência
A Polícia Civil confirmou que Eduardo Abner possuía registros anteriores relacionados à violência contra a mulher.
Constam dois boletins de ocorrência registrados em 2016 por uma ex-companheira, que relatou agressões físicas, ameaças e descumprimento de medida protetiva.
Além disso, o militar foi preso por embriaguez ao volante em 2023 e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira na Polícia Militar.
Quem era Michele Leão Azevedo
Michele Leão Azevedo tinha 41 anos e integrava a Polícia Militar de Minas Gerais desde 2010.
Bacharel em Ciências Militares, também possuía especialização em Docência no Ensino Superior e formação complementar em Direitos Humanos.
Familiares e colegas a descrevem como uma profissional dedicada à carreira e à família. O velório e o sepultamento ocorreram nesta quarta-feira (22), em Belo Horizonte, em cerimônia restrita.
Quem é Eduardo Abner Pereira de Oliveira
Eduardo Abner Pereira de Oliveira é 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais e advogado por formação.
Ele obteve inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG) após aprovação no 15º Exame de Ordem Unificado, em 2015, mas o registro profissional encontra-se atualmente inativo.
Em 2022, participou do concurso para juiz substituto do Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais (TJMMG).
Até junho de 2025, ocupava o cargo de diretor jurídico da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/PMBM).
Depoimento do sargento preso e defesa
Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal participou de uma confraternização na noite anterior, quando ambos teriam consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.
Segundo o militar, após a saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas.
Ele relatou ainda que Michele teria caído de uma escada por volta do meio-dia de segunda-feira, sofrendo um corte na cabeça. Conforme sua versão, a capitã recusou atendimento médico, os dois dormiram durante a tarde e, somente à noite, ele percebeu que ela não respondia aos estímulos, decidindo levá-la ao hospital.
Essa versão é contestada pela investigação e será confrontada com os resultados das perícias.
A defesa de Eduardo Abner informou que acompanha as investigações e pediu cautela até a conclusão dos laudos periciais. Em nota, os advogados afirmaram confiar no devido processo legal, na imparcialidade da apuração e disseram que irão se manifestar no momento oportuno, após o avanço das investigações.
O que disse a PM
Durante o velório da capitã, a comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos, classificou o episódio como um caso de violência doméstica e familiar e reafirmou o compromisso da corporação no enfrentamento à violência contra as mulheres.

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