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A mãe da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que a filha vivia um relacionamento abusivo com o marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso após levá-la morta ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte.
Segundo o boletim de ocorrência, a mãe descreveu um histórico de controle psicológico, manipulação emocional, humilhações e comportamento obsessivo por parte do militar. De acordo com ela, o sargento exercia forte influência sobre Michele, que atendia prontamente às determinações do companheiro.
A mulher contou que tinha um encontro marcado com a filha na manhã de segunda-feira (20), dia da morte. Por volta das 10h05, Michele atendeu a ligação falando em voz baixa e informou apenas que não poderia comparecer. Depois disso, a mãe enviou diversas mensagens ao longo do dia, mas não recebeu mais respostas.
Ela também afirmou que passou a suspeitar do uso de drogas pela filha apenas após o início do relacionamento com o sargento. Eduardo foi flagrado tentando descartar comprimidos de ecstasy no banheiro do hospital antes de ser preso. Na avaliação da mãe, Michele nunca havia apresentado esse comportamento anteriormente e o consumo teria sido influenciado pelo companheiro.
Apesar de dizer que a filha nunca relatou diretamente agressões físicas, a mãe afirmou que soube, por meio da outra filha, que Michele considerava o marido uma pessoa “narcisista” e tentava encerrar o relacionamento, mas ele não aceitava a separação.
A irmã da capitã também relatou um episódio em que o sargento teria sacado uma faca durante uma discussão.
Segundo o depoimento, o relacionamento foi marcado por sucessivos términos e reconciliações ao longo de aproximadamente oito anos. A mãe afirmou ainda que Eduardo costumava humilhar Michele, chamando-a de “vagabunda” e dizendo que ela deveria se sentir privilegiada por estar ao lado dele.
Ela também relembrou um episódio ocorrido há cerca de três anos, quando, após uma discussão, o militar permaneceu por horas em frente à casa da família insistindo para falar com a capitã.
Versão apresentada pelo sargento
Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso após levar Michele já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira.
Em depoimento, o militar afirmou que o casal participou de uma confraternização na residência, onde consumiu bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Segundo ele, após a saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas, conhecidas como spanking.
O sargento também alegou que Michele caiu da escada por volta do meio-dia, bateu a cabeça e reclamou de tontura, mas teria recusado atendimento médico. Conforme sua versão, ele colocou a esposa para descansar e apenas por volta das 21h percebeu que ela não respondia aos estímulos, quando decidiu levá-la ao hospital.
A equipe médica, no entanto, constatou que Michele já estava morta havia horas e identificou diversas lesões pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, um corte profundo na testa, inchaços nas pernas e marcas compatíveis com agressões.
Durante a perícia no apartamento do casal, policiais apreenderam um cabo de madeira quebrado encontrado na lixeira do prédio, que poderá passar por exames para verificar eventual relação com o crime. Também foi constatado que roupas de cama haviam sido colocadas para lavar antes da chegada da polícia.
Além disso, no Hospital Odilon Behrens, o sargento foi flagrado descartando uma caixa com comprimidos de ecstasy em uma lixeira do banheiro. A substância foi apreendida e será periciada.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.
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