A Justiça converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante do sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, a capitã da PM Michele Leão Azevedo, de 41 anos. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (22), durante audiência de custódia realizada no Fórum de Belo Horizonte.
O juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia de Belo Horizonte, entendeu que a manutenção da prisão é necessária para a garantia da ordem pública. Na manhã desta quarta, o sargento foi conduzido ao fórum sob escolta de viaturas da Polícia Militar.
Na terça-feira (21), a Justiça também determinou que o Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD) tramitasse sob segredo de Justiça, restringindo o acesso às informações do processo para preservar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada dos envolvidos.
Relembre o caso
Segundo a investigação, Michele Leão Azevedo foi levada pelo marido ao Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20), mas já chegou sem vida à unidade. De acordo com a equipe médica, a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da entrada no hospital.
Em depoimento, o sargento afirmou que o casal participou de uma confraternização em casa, consumiu bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e, posteriormente, manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas, que, segundo ele, eram habituais na relação.
O militar também alegou que a capitã caiu da escada da residência, recusou atendimento médico e, horas depois, foi encontrada sem sinais vitais. Essa versão, no entanto, é investigada pela Polícia Civil.
Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram o sargento carregando Michele nos ombros até a garagem e colocando a vítima no carro antes de seguir para o hospital. As gravações fazem parte do inquérito.
Durante a perícia, foram apreendidos um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do condomínio, roupas de cama lavadas que estavam na máquina de lavar e comprimidos semelhantes a ecstasy descartados pelo suspeito no hospital. Todo o material será submetido à análise pericial.
Além das circunstâncias da morte da capitã, a Polícia Civil também apura o histórico funcional do sargento, que já foi preso por embriaguez ao volante em 2023 e acumula sanções disciplinares ao longo da carreira. A investigação segue em andamento.
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