O policial penal Rodrigo Caldas Fonseca, de 45 anos, será levado a júri popular pelo assassinato da namorada, a auxiliar administrativa Priscilla Azevedo Mundim Pantuzza, de 46 anos. A decisão foi tomada pela Justiça de Minas Gerais após a conclusão do exame de sanidade mental do acusado, que apontou que ele tinha plena capacidade de compreender o caráter de seus atos no momento do crime.
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Rodrigo é acusado de matar Priscilla na madrugada de 16 de agosto de 2025, dentro do apartamento onde morava, na Rua Vereador Geraldo Pereira, no bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
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Ministério Público aponta feminicídio com agravantes
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a vítima foi agredida com golpes de faca, espancada e sofreu diversos ferimentos no rosto, tórax, braços e pernas antes de ser morta por estrangulamento.
Na manhã do crime, Priscilla foi encontrada sem vida sobre a cama do apartamento. Segundo as investigações, Rodrigo ameaçava tirar a própria vida quando familiares chegaram ao local. Ele chegou a desferir um golpe de faca contra o próprio abdômen, foi socorrido, sobreviveu e, posteriormente, acabou preso.
O policial penal responderá por feminicídio cometido em contexto de violência doméstica e familiar, com as qualificadoras de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Exame confirma capacidade de responder criminalmente
O laudo psiquiátrico, elaborado em maio deste ano, concluiu que o acusado não apresenta dependência de álcool ou drogas e possui plenas condições de entendimento e autodeterminação em relação aos fatos investigados.
Com isso, o exame afastou a hipótese de inimputabilidade penal, indicando que Rodrigo pode responder criminalmente pelo homicídio.
A perícia psiquiátrica havia sido determinada pela Justiça porque o policial penal estava afastado das funções desde o início de 2024 por problemas de saúde mental, conforme informou, à época do crime, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Crime teria ocorrido após tentativa de término
Segundo as investigações, na noite anterior ao feminicídio, Priscilla e Rodrigo participaram de uma confraternização na casa da irmã da vítima. Familiares relataram que o policial demonstrou comportamento ciumento durante o encontro e se irritou por situações consideradas corriqueiras.
De acordo com parentes, Priscilla havia comentado que se sentia sufocada pelo comportamento possessivo do namorado e pretendia encerrar o relacionamento.
Após deixarem a confraternização, familiares tentaram contato com o casal para confirmar se haviam chegado ao apartamento, mas as ligações e mensagens não foram respondidas.
Na manhã seguinte, preocupados com o silêncio, a irmã e o cunhado de Priscilla foram até o imóvel. Conforme consta na investigação, Rodrigo atendeu ao telefone e disse apenas que havia “feito merda”, pedindo que a Polícia Militar fosse acionada.
Investigação aponta comportamento controlador
Durante a apuração do caso, familiares e amigos relataram que Rodrigo monitorava os deslocamentos da companheira, cobrava explicações sobre suas publicações nas redes sociais e mantinha um comportamento considerado controlador.
A Polícia Civil concluiu que Priscilla havia decidido colocar fim ao relacionamento dois dias antes do crime, embora tenha voltado a encontrar o namorado na noite anterior ao assassinato.
As investigações também identificaram um registro anterior envolvendo o acusado. Em 2024, uma ex-companheira procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência por perseguição após o término do relacionamento. Segundo o relato, Rodrigo insistia em procurá-la, permanecia por horas em frente ao local onde ela trabalhava e, diante do receio provocado pelo fácil acesso dele a armas em razão da profissão, ela solicitou uma medida protetiva.

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