A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a primeira fase da Operação DeepSWAP, que investiga uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro e movimentação de recursos obtidos por meio de golpes aplicados em diferentes estados do país.
A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia e Jaraguá, em Goiás. Outros quatro investigados tiveram a prisão decretada e são considerados foragidos. Um deles está em Portugal, e a Polícia Civil já solicitou medidas para inclusão do nome do suspeito na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que se aproxima de R$ 2 milhões. Até o momento, os investigadores identificaram patrimônio estimado em cerca de R$ 1 milhão, entre imóveis e veículos vinculados aos suspeitos.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Regional de Frutal, no Triângulo Mineiro, com apoio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Goiás. O inquérito teve início após um defensor público denunciar ter sido vítima do golpe conhecido como “SIM Swap”, modalidade em que criminosos assumem o controle da linha telefônica da vítima por meio da transferência indevida do número para outro chip.
Com acesso ao telefone, os suspeitos conseguiram invadir aplicativos bancários e realizar movimentações financeiras e compras não autorizadas, causando prejuízo de aproximadamente R$ 70 mil.
Segundo o delegado João Carlos Garcia Pietro Júnior, responsável pela investigação, o aprofundamento das apurações revelou uma estrutura criminosa organizada e com atuação interestadual. A análise de dados financeiros, registros telemáticos e informações de inteligência permitiu identificar um esquema voltado à prática recorrente de fraudes eletrônicas.
De acordo com a Polícia Civil, os investigados utilizavam técnicas de clonagem de linhas telefônicas, invasão de contas digitais e falsas promessas de investimentos para obter acesso aos recursos das vítimas. Há registros de casos em Minas Gerais, Goiás, Ceará e Mato Grosso.
As investigações também identificaram cerca de 226 contas bancárias e aproximadamente 250 chaves Pix utilizadas pelo grupo para receber, pulverizar e ocultar os valores obtidos ilegalmente.
A Justiça autorizou ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, medida que deverá auxiliar na identificação de novos envolvidos e na localização de recursos ainda não rastreados.
A Polícia Civil estima que os prejuízos provocados pela organização criminosa ultrapassem R$ 2 milhões. As investigações continuam para localizar os foragidos, identificar novas vítimas e aprofundar a apuração sobre a lavagem de dinheiro e o patrimônio acumulado pelo grupo.
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