O namorado da estudante de medicina Letícia Moraes de Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, permanecerá preso após a Justiça converter a prisão em flagrante em preventiva. A decisão foi tomada após a morte da estudante, assassinada com mais de 100 facadas no último sábado (27), em Barbacena, na região do Campo das Vertentes.
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Conforme o auto de prisão em flagrante, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sustenta que o crime não se tratou de uma agressão isolada, mas de um ataque sucessivo, marcado por extrema violência e praticado em contexto de violência doméstica e familiar. Para o órgão, o elevado número de golpes evidencia a intensidade da ação e a periculosidade do investigado.
De acordo com a decisão judicial, o suspeito tentou fugir logo após o assassinato. Ele deixou o local dirigindo o carro da vítima e seguiu em direção ao município de Bom Jardim de Minas, onde foi localizado pela Polícia Militar durante uma operação de cerco e bloqueio.
No momento da abordagem, os policiais encontraram com ele o celular, um iPad, cartões bancários, documentos pessoais e a chave do veículo de Letícia. Em depoimento, o homem confirmou apenas que havia passado a noite com a estudante, negou envolvimento no homicídio e permaneceu em silêncio em relação aos demais questionamentos.
Ao justificar a prisão preventiva, o juiz Alanir José Hauck Rabeca afirmou que o risco de fuga está baseado em elementos concretos do processo. Segundo a decisão, a captura do investigado só ocorreu em razão da rápida atuação das forças de segurança durante a perseguição.
O Ministério Público também destacou que a vítima sofreu mais de uma centena de golpes de faca, o que provocou múltiplas lesões e intensa perda de sangue. Para o órgão, a violência empregada demonstra absoluto desprezo pela vida da estudante, que era mãe de dois filhos.
Além dos laudos periciais, a investigação reúne boletins de ocorrência, imagens de câmeras de segurança, a apreensão do veículo e dos pertences da vítima como elementos que reforçam a materialidade do crime.
Outro ponto citado no parecer é que o suspeito apresentava um ferimento corto-contuso na palma da mão direita quando foi submetido ao exame de corpo de delito. Segundo o MPMG, há indícios de que a lesão tenha sido provocada durante a sequência de facadas desferidas contra Letícia.
Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil, entre amigos e familiares da estudante, relataram que o relacionamento era conturbado. Conforme os depoimentos, Letícia teria comentado que o companheiro era possessivo e fazia ameaças frequentes.
Na decisão, o magistrado ressaltou que a gravidade do caso, aliada à necessidade de preservar a ordem pública e ao cenário de recorrentes crimes contra mulheres, justifica a manutenção da prisão preventiva do investigado.

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