A mãe de Gael Vidal dos Santos, um bebê de 1 ano e oito meses, morto após ser brutalmente espancado na segunda-feira (6), em Belo Horizonte, foi presa nesta quinta-feira (9) depois que a perícia confirmou que a criança era submetida a agressões sistemáticas pelo padrasto. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a mulher teria sido conivente com as violências praticadas pelo companheiro. Ela será indiciada por maus-tratos, enquanto o padrasto responderá por homicídio.
O delegado Matheus Moraes Marques, da Delegacia Especializada em Homicídios de Belo Horizonte, relatou que a postura da mãe diante da morte do filho surpreendeu os policiais militares pela calma e pela aparente indiferença. De acordo com o registro policial, a mulher teria afirmado que “tinha que morrer mesmo essa desgraça”, referindo-se ao próprio filho. A mulher estava em trabalho de parto no mesmo dia em que o bebê foi morto.
Vizinhos do casal relataram que a criança passava fome e demonstrava desespero ao ver outras pessoas se alimentando. O irmão mais velho, de 4 anos, também era vítima de maus-tratos e ficava longos períodos sem frequentar a escola. A mulher afirmou ainda ser vítima de agressões do companheiro.
A morte
A perícia do Instituto Médico Legal (IML) constatou que a criança sofreu lesões no tórax e na cabeça, com hemorragia interna. Na segunda-feira, o padrasto saiu da residência para adquirir drogas e, ao retornar, pediu a um parente que reside no mesmo lote que cuidasse do bebê, sem tocá-lo, e voltou a se ausentar. Após retornar pela segunda vez, ficou cerca de 15 minutos no quarto com a criança e, ao perceber que ela engasgava com o próprio vômito, a levou até uma base da Polícia Militar. Os militares realizaram manobras de ressuscitação, sem êxito. A criança foi encaminhada à UPA Oeste, onde os médicos constataram que o óbito havia ocorrido há mais de uma hora.
Histórico de denúncias e expulsão do bairro
O delegado informou que havia um extenso histórico de denúncias anônimas sobre maus-tratos contra o bebê e o irmão de 4 anos, e que ambos já eram acompanhados pelo Conselho Tutelar e por uma organização não governamental de caráter governamental. O casal havia sido expulso do Bairro Cabana do Pai Tomás, na Região Oeste de Belo Horizonte, em razão do envolvimento com o tráfico de drogas. O padrasto chegou a solicitar ao delegado autorização para se deslocar a São Paulo, alegando sofrer ameaças de morte.
Os dois filhos sobreviventes, o de 4 anos e um recém-nascido, estão sob os cuidados do Conselho Tutelar. O casal passará por audiência de custódia, na qual será definido se permanecerão presos ou responderão ao processo em liberdade.
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