A Justiça decidiu manter a médica Cláudia Soares Alves presa no processo em que ela é acusada de participação no assassinato de uma farmacêutica, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A decisão foi assinada neste domingo (1º) pelo juiz Dimas Borges de Paula, da 3ª Vara Criminal do município.
Ao analisar o andamento do caso, o magistrado entendeu que não há основания para encerrar a ação antes do julgamento e reafirmou a necessidade da prisão preventiva da médica e do vizinho apontado como executor do crime. Ambos estão detidos desde 5 de novembro do ano passado.
Na decisão, o juiz destacou que há indícios suficientes de autoria e materialidade, além da gravidade das acusações, que incluem homicídio qualificado, crime com pena elevada. O suposto executor também responde por adulteração de sinal identificador de veículo.
Segundo o magistrado, a manutenção das prisões é necessária para garantir a ordem pública, assegurar a instrução processual e evitar riscos à aplicação da lei penal. Ele observou ainda que não há comprovação de residência fixa ou atividade profissional formal por parte dos acusados, o que reforçaria a necessidade da medida cautelar.
A primeira audiência de instrução foi marcada para o próximo dia 13, quando testemunhas e réus deverão ser ouvidos.
Apuração
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Minas Gerais, a médica teria arquitetado o crime com o objetivo de ficar com a filha da vítima. A apuração aponta que ela mantinha relacionamento com o ex-companheiro da farmacêutica e desejava assumir os cuidados da criança.
Ainda conforme o inquérito, conflitos teriam se intensificado após a vítima restringir o contato da filha com o pai quando ele estava acompanhado da médica.
Os investigadores também apuraram que, antes do homicídio, teriam sido enviados à farmacêutica um objeto íntimo e uma carta manuscrita, entregues pelo executor, numa tentativa de atingir a reputação da vítima perante familiares.
No momento da prisão, policiais encontraram na casa da médica um quarto montado para bebê, com berço, enxoval e uma boneca do tipo “bebê reborn”. A acusada já havia ganhado notoriedade anteriormente por raptar uma recém-nascida no Hospital das Clínicas de Uberlândia, episódio que tramita em procedimento separado, mas que foi considerado pela Justiça na análise do contexto do caso atual.
Com o recebimento da denúncia, os réus foram formalmente citados para apresentar defesa escrita. O processo segue agora para a fase de produção de provas e oitivas, etapa que antecede eventual decisão sobre submissão dos acusados ao Tribunal do Júri.
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