Mais de 6,7 milhões de estudantes brasileiros relataram ter sofrido algum tipo de violência na escola em 2023, de acordo com uma pesquisa realizada pelo DataSenado e divulgada pelo jornal Extra. Esse número representa quase 11% dos cerca de 60 milhões de alunos matriculados no país. Além disso, denúncias de casos envolvendo violência nas escolas cresceram aproximadamente 50% em 2023, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) apresentados pela Agência Brasil.
Ainda de acordo com o MDHC, as formas mais comuns de violência no ambiente escolar são de natureza emocional, incluindo bullying, tortura psíquica, ameaça, constrangimento e injúria. Thalia Fernandes, pedagoga da Jovens Gênios, explica que o termo bullying se refere a agressões físicas, verbais ou psicológicas repetitivas, praticadas por um ou mais alunos contra outro, causando sofrimento e exclusão.
“Essas ações são intencionais, repetidas e frequentemente sem motivação aparente, resultando em dor, angústia, exclusão, humilhação e discriminação. Além disso, são caracterizadas por relações de poder assimétricas, nas quais a vítima tem dificuldades para se defender”, detalha.
Esse tipo de comportamento, afirma a profissional, se manifesta por meio de repressão contínua, exclusão, ameaças, insultos, ridicularização e atos de violência contra indivíduos ou grupos específicos. “Pesquisas internacionais, como a Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), conduzida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revelaram que 14% dos adolescentes de 13 anos relataram ter sofrido bullying nos últimos dois meses”, alerta.
A violência escolar e suas consequências
Segundo Thalia, a violência escolar é um problema complexo e multifacetado que se manifesta de diversas formas, sendo o bullying uma das mais visíveis e preocupantes. Ela ressalta os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2022, que mostram a realidade de muitos estudantes brasileiros que convivem com a sensação de insegurança, tanto no caminho para a escola quanto dentro dela.
“O bullying pode ser tanto uma causa quanto uma consequência da violência nas escolas. Em muitos casos, ele é um dos fatores que contribuem para a criação de um ambiente escolar hostil e inseguro, onde a violência se prolifera. No entanto, o bullying também pode ser uma resposta à violência já existente na escola, funcionando como uma forma de defesa ou de busca por poder e reconhecimento”, explica.
Ainda de acordo com Thalia, alunos que sofrem bullying têm um risco maior de se tornarem agressores, seja como forma de revidar ou de se proteger. Essa dinâmica pode gerar um ciclo de violência difícil de romper, trazendo consequências negativas para todos os envolvidos.
“Para combater a violência escolar e o bullying, é necessário um esforço conjunto de toda a sociedade, incluindo escolas, famílias, governos e a mídia. É fundamental criar ambientes escolares seguros e acolhedores, onde os alunos se sintam protegidos e respeitados. Além disso, é preciso investir em educação para a paz, em programas de prevenção e combate ao bullying e em políticas públicas que promovam a igualdade e a justiça social”, reforça.
O crescimento do cyberbullying
Um novo tipo de bullying, o cyberbullying, ocorre no ambiente digital, por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos on-line. Thalia alerta que esse tipo de agressão pode ser ainda mais devastador do que o bullying presencial, pois a vítima fica mais exposta, e o material ofensivo pode permanecer disponível na internet por tempo indeterminado.
“Adolescentes vítimas de cyberbullying apresentam maior risco de desenvolver ansiedade, depressão e isolamento social. A falta de supervisão adequada e o anonimato da internet aumentam a incidência desse tipo de violência, tornando essencial a implementação de estratégias de conscientização e prevenção”, explica.
Entre as medidas para combater o cyberbullying, a pedagoga destaca a importância de campanhas educativas, educação digital, monitoramento por parte dos pais e da escola, além de incentivo às denúncias e suporte psicológico para as vítimas.
O bullying em um contexto global
Em um panorama global, é possível observar que o bullying afeta crianças e adolescentes em diversos países. “Embora o Brasil enfrente desafios significativos, é importante analisar como outras nações têm lidado com essa questão e quais lições podemos aprender com suas experiências”, destaca Thalia.
A pedagoga também cita dados da UNESCO (2019), que indicaram que mais de 30% dos alunos ao redor do mundo relataram ter sido vítimas de bullying pelo menos uma vez no mês anterior à realização da pesquisa.
Ela ressalta alguns exemplos de projetos eficientes no combate ao bullying ao redor do mundo:
- Finlândia: o programa KiVa, implementado em larga escala, resultou na redução de 20% dos casos de bullying;
- Japão: o governo japonês criou leis específicas para combater o bullying e oferece apoio às escolas e famílias;
- Estados Unidos: diversas escolas americanas adotaram programas de prevenção ao bullying com resultados positivos.
“É de extrema importância que escolas, famílias, governos e a mídia unam esforços para criar um ambiente escolar seguro e acolhedor, onde cada aluno se sinta protegido, respeitado e pertencente. O combate ao bullying é uma luta coletiva que exige compromisso, conscientização e ações conjuntas para garantir o bem-estar e o desenvolvimento pleno de todos os estudantes”, finaliza Thalia Fernandes.
Para mais informações, basta acessar https://www.jovensgenios.com/
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