Opinião: Quem queria ter sido

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Quem queria ter sido”
Por Dentro de Minas - Google News (pordentrodeminas - googlenews)

Sinto no meu peito o desalento por aquilo que não fiz. Subitamente me dei conta de que não farei em minha vida tudo o que havia almejado. Não conhecerei todos os lugares que gostaria de conhecer e não viverei todos os amores que pensei que viveria. Enfim, não serei quem gostaria de ter sido.

Ao aproximar-me dos cinquenta anos a realidade bateu à porta. Comecei a pensar em tudo o que sonhei. Senti saudades daquele “eu” que não consegui ser. Por alguma razão, aquela pessoa que eu seria simplesmente deixou de acontecer. Algo surgiu no caminho e desfez aquele que eu queria vir a ser.

A culpa foi minha. Tomei decisões que me afastaram do destino que eu havia para mim traçado. Foram decisões necessárias, mas que me tiraram do caminho que queria seguir. Hoje estou distante do que almejava, mas foi por opção. A vida impôs certos obstáculos e tive que escolher.

Busquei as melhores escolhas, mas nem sempre escolher corretamente me levava em direção ao caminho que havia traçado. Desvios aconteceram e não posso maldizer a vida.

Escolhi por que quis e não me arrependo do rumo que as coisas tomaram. Sou feliz, mas de outro jeito. Tenho filhos, e isso é uma coisa com a qual nunca sonhei. Jamais me imaginei sendo pai, ou que ser pai pudesse ser tão bom. Tenho um grande amor, ao invés de vários amores, e também não imaginava o quanto de plenitude uma grande parceria com uma mulher pode gerar.

Vivi plenamente e não lamento o caminho que segui. Sempre fiz as melhores escolhas considerando a experiência que tinha no momento de fazê-las.

Hoje, posso ver que errei muito, apesar de sempre tentar acertar. Muito mais do que poderia e deveria. Sofri muito mais do que imaginava ser possível, e por razões que hoje me fazem apenas sorrir. Segui errando e sofrendo numa tentativa insensata de ser quem gostaria de ser. Mal sabia eu que a vida tem os seus próprios planos para cada um de nós, e ela cuidava de corrigir os meus caminhos.

Atualmente, olho com saudades para aquele que não fui, mas não tenho arrependimentos. Seria interessante aquela existência mais movimentada e despreocupada, mas não teria a plenitude e a maturidade da vida que tenho hoje.

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