Savassi perde pontos tradicionais, pressionados pela alta dos aluguéis



Cheia de charme e atrativos que a fazem ainda mais interessante, a Savassi, a microrregião na região Centro-Sul de Belo Horizonte, tem amanhecido com uma paisagem não muito feliz. A cada dia, novas lojas aparecem com as portas fechadas. E, nesse grupo, algumas bem tradicionais e queridas dos clientes, como a livraria Travessa, há cerca de dois anos, e, mais recentemente, a Status Livraria e Café – ainda que para o nascimento de outro projeto, mais em conta. O motivo para casos assim é um só: o alto valor praticado para aluguéis na região, o que deixa sem saída os donos dos comércios.

Tudo começou, diz Alessandro Rucini, presidente da Associação dos Moradores da Savassi e diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL/Savassi), com as obras de revitalização da praça, encerradas há dois anos. De lá para cá, os preços dos aluguéis na região dispararam, com reajustes que chegaram a 80%, 90%. “Não faz sentido, é questão matemática. Talvez esse reajuste não valha a pena com um inquilino que é bom pagador. Ele deixa a loja e o lugar fica fechado 6, 8 meses e o proprietário deixa de receber e tem que pagar o IPTU e o condomínio”, argumenta. Além disso, os lojistas também convivem com estagnação nas vendas, desde o ano passado, influenciada pelos preços não atrativos, impostos altos, eleições e crise. Nesse cenário, muitas lojas fecharam as portas, como a Tia Clara, que funcionou muitos anos na rua Antônio de Albuquerque, e a Livraria Mineiriana, que encerrou as atividades há uma semana.

Cássia Ximenes, vice-presidente da Câmara de Mercado Imobiliário/Secovi, lembra que, com as obras, as ruas ficaram muito tempo fechadas, o que afastou o público. Em paralelo, houve o boom imobiliário no país e os investidores começaram a buscar outras regiões. “As maisons migraram para Lourdes, os escritórios para a Raja Gabaglia, Vila da Serra”, conta. Segundo Cássia, é “leviano” dizer que o aluguel está muito caro sem fazer uma análise adequada. “Existe um método para chegar ao preço, que leva em conta não só a região como o padrão do imóvel e até o pé-direito influencia. O preço tem sempre de ser bom para quem aluga e para quem paga”, explica. Ela lembra também que é comum assistir à migração de setores da economia de um tipo de imóvel para outro, o que também afeta a ocupação da Savassi. “É preciso pensar além dos padrões normais, se adaptar às mudanças.”

Enquanto isso, alguns comerciantes buscam estratégias para sobreviver e consevar o glamour da antes mais charmosa região da cidade. Certo é que a livraria Status, há quatro décadas na rua Pernambuco, acaba de mudar para a avenida Getúlio Vargas, em imóvel menor e próprio. Mas o quarteirão que reúne apreciadores de boa música não vai ficar órfão. Em espaço também menor, vai continuar funcionando por ali o café Status, que se uniu ao Espetinho Savassi e a pizzaria Rei do Pedaço para criar o “Quarteirão Status Cultura e Gastronomia”, com cardápio, programação musical e atendimento unificados. Dono do Espetinho Savassi e sócio da Status, Leonardo Souza é quem dá os números: com a medida, a redução de custos vai chegar a 50%. “As pessoas começaram a se mexer. Os aluguéis subiram 40% a 50% e o comércio não conseguiu acompanhar.”

Aluguéis região Centro-Sul

Quanto custa – Tipo de imóvel (R$ por m²)*

Casa Comercial: R$ 35,50 m²

Sala: R$ 26,30 m²

Loja: R$ 46,30 m²

(*) Valor médio – Variação geral em BH: 6,52% (últimos 12 meses)

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