Estratégias da Casa Cabana, que completa 63 anos em 2015, dão fôlego às vendas

Por Dentro de Minas - Google News (pordentrodeminas - googlenews)

Enfrentar crises econômicas nunca foi novidade nos 63 anos que a Casa Cabana completa em 2015. A diferença, agora, está na forma como os herdeiros do fundador do tradicional comércio de chapéus de Belo Horizonte, Elias Ishac Joukhadar, encaram os desafios impostos ao setor neste ano. Filhos de Elias, Daniel e Soraya investiram R$ 250 mil em novas e modernas instalações, ampliaram e diversificaram os estoques sem perder o foco da chapelaria, que ganhou destaque na história do varejo da capital mineira. Na contramão da piora dos indicadores da atividade e do consumo, a renovação dá fôlego às vendas, permitindo a expansão da base de clientes, e areja o caixa. A loja foi abrigada em imóvel próprio, livrando-se do aluguel, causa de uma onda de fechamento de portas de aço no Centro e na Savassi.

A mudança foi cuidadosamente planejada, conta Daniel. “Já havíamos realizado o nosso ajuste fiscal e a hora era de investir para que a empresa cresça mais, quando a economia recuperar”,afirma. O prédio de três andares na Avenida Olegário Maciel, no Centro de BH, ao lado do Mercado Novo, e a um quarteirão e meio da antiga loja da Avenida Amazonas, passou por reforma do piso ao teto. A nova estrutura tem 50% mais produtos, com amplo espaço de exposição e conforto para clientes e vendedores.

Ficaram para trás o aperto e a dificuldade até mesmo de escolher os famosos chapéus da Casa Cabana no estreito corredor da loja anterior, sacrificada pelo piso de ladrilhos e as infiltrações nas paredes. Soraya Joukhadar ainda se lembra do sufoco no balcão de atendimento. “Era uma preocupação constante. Hoje, trabalhamos num outro ambiente, confortável, limpo e com espaço para expor a mercadoria.”

Os belos exemplares de chapéu-panamá – os mais vendidos em BH –, os de palha e feltro, de fabricação nacional, os equatorianos ou os feitos com matéria-prima importada da Bolívia, Chile e Peru, têm lugar merecido, reservados em nichos de madeira projetados das paredes. Com os novos estoques, a Casa Cabana entrou no segmento de moda country, oferecendo toda a indumentária dos aficionados pelos rodeios.

Balcões expositores com tampos de vidro e bancos de madeira fariam seu Elias, morto no fim do ano passado, se orgulhar da mudança. Além da diversificação de produtos, a Casa Cabana passou também a vender por atacado e introduziu o serviço de reforma de chapéus. Para quem duvida dos novos tempos, Daniel revela a intenção de dobrar os estoques dentro de um ano e afiar a política de compras à vista para oferecer preços melhores que os concorrentes, inclusive os do comércio virtual, na internet. “Brigamos com os fornecedores e seguramos ao máximo o repasse”, avisa.

Com a disparada recente do dólar, os preços do chapéu-panamá subiram de R$ 99, em média, para R$ 130, segundo o comerciante. Cerca de 70% dos modelos vendidos na loja são cotados na moeda norte-americana, incluindo os importados do México. Depois dos repasses dos fornecedores de 10% em novembro de 2014 e no mês passado, Daniel e Soraya aguardam nova planilha, com alta já anunciada de 20%. Os proprietários da chapelaria sabem que terão de trabalhar muito na formação dos preços, que na semana passada variavam de R$ 3,99, o chapéu de palha infantil desfiado para festas juninas, a R$ 600, os modelos de fabricação italiana em pele de lebre.

SOB PRESSÃO Repaginada, a Casa Cabana serve de referência sobre os riscos da progressão dos aluguéis comerciais para lojas da capital mineira. O gasto já preocupava o sr. Elias em 2009, quando ele alertou o filho sobre a pressão no caixa. No ano passado, a oferta para renovação do contrato feita pelo proprietário da antiga loja de 180 metros quadrados, instalada na Avenida Amazonas, foi de R$ 38 mil, ante o valor de R$ 7,7 mil pagos pela família de comerciantes em 2012. Assumir tamanha quantia em 2014, observa Daniel, seria como dispor de 50% da receita que a empresa apurava há pouco mais de dois anos.

“Não há comércio que aguente absorver aluguéis dessa proporção”, afirma Daniel. Se ele e a irmã não tivessem idealizado o plano de renovação prevendo a transferência para o imóvel próprio, onde, ficava o estoque, a opção teria sido devolver metade da loja e pagar R$ 25 mil mensais. A grande valorização dos imóveis da vizinhança do antigo endereço surgiu com a implantação pela Prefeitura de BH do Move, sistema de transporte rápido por ônibus. “Vizinhos da antiga loja que pagavam R$ 800 começaram a desembolsar R$ 4 mil”, recorda Daniel.

O esforço de renovação da Casa Cabana acirra a concorrência do comércio especializado e agrada clientes assíduos a exemplo da publicitária Maria Lúcia Martins, de 68 anos. As novas instalações, para a colecionadora de chapéus, não deixam a desejar a lojas do ramo que ela conheceu em Paris, Berlim, Madri ou Copenhagen. “O visual é completamente diferente da antiga loja, com enorme variedade de produtos e o mesmo jeito aconchegante de receber o consumidor”, afirma.

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