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Cinema

Por que devemos assistir filmes nacionais em 2020

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O ano de 2019 mexeu com o cinema nacional. Depois um boom cinematográfico nas últimas décadas, com um aumento expressivo na quantidade de filmes brasileiros em cartaz, o setor foi atingido por um corte de 43% na verba destinada ao Fundo Setorial Audiovisual. Resultando assim, no menor orçamento anual em 9 anos. A Ancine (Agência Nacional do Cinema) passou por uma reestruturação e, hoje, funciona mesmo estando mais limitada. 

Com um público menor do que do ano anterior, mesmo custando, em média, R$ 2 a menos que os títulos internacionais nos cinemas, o setor passou por diversas restrições. Foram R$ 300 mil a menos nas bilheterias em relação a 2018, de acordo com a Ancine.  

A agência, que é responsável pelos fomentos e fiscalização das produções nacionais, se viu diante de uma crise, depois de sofrer ataques e ameaças do atual presidente Jair Bolsonaro. O governante acredita que não deve haver mais certos “tipos” de conteúdo, motivo pelo qual cancelou editais públicos, causando a paralisação de diversas produções. 

Censura sem ternura 

“Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine”. Além da ameaça, o presidente também desmereceu as últimas produções nacionais publicamente. “A quanto tempo a gente não faz um bom filme, né?”, disse o presidente Jair Bolsonaro em um dos últimos dias do ano. Por outro lado, há quem faça questão de ligar a televisão ou ir até às salas de cinema para conferir produções como Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que estreou em 246 salas do Brasil. Além disso, alcançou 700 mil espectadores em dez semanas em cartaz e se tornou o segundo filme brasileiro a receber o Prêmio Júri no Festival de Cannes. 

Hoje, aqueles que estão lutando para encontrar uma sobrevivência no meio audiovisual brasileiro devem se esforçar não só para manter as produções funcionando, como também para divulgar e valorizar esses filmes.

Há um fortalecimento de um discurso político reacionário no país, e figuras, como o aclamado diretor Fernando Meirelles, acreditam que esse é um “momento duro”. A posição do presidente é dura. “Com dinheiro público não veremos mais certo tipo de obra por aí. Isso não é censura, é preservar os valores cristãos”, coloca. Meirelles disse ao portal UOL que o presidente Bolsonaro está “destruindo tudo o que construímos”. 

O diretor é um dos que está nos levando para a cena internacional. Em 2020, o filme Dois Papas, sob sua direção, foi um dos indicados a 19 prêmios, entre eles para o Globo de Ouro e a três categorias do Oscar.

A hora e a vez das sagas

Dentro do circuito mais tradicional, alguns títulos já conhecidos pelo público tomaram conta das bilheterias. Um exemplo é a comédia Minha Vida em Marte, que dá sequência ao longa Os Homens são de Marte, é protagonizado pelos atores Paulo Gustavo e Mônica Martelli. O filme foi um dos campeões de público nas salas de cinema brasileiras do ano passado, batendo a casa dos 4 milhões de espectadores. 

Essa não foi a única continuação de sagas que levou os brasileiros às salas de cinema. Outro longa também protagonizado pelo ator Paulo Gustavo que fez bastante sucesso foi a comédia Minha Mãe é Uma Peça 3, que, da mesma maneira que De Pernas pro Ar 3, alcançou cerca de 1,8 milhão de ingressos vendidos.   

Inovação nas telonas 

Apesar de sempre haver títulos que cativam o público com temas mais universais e formatos mais reconhecíveis pelo grande público, o último ano deu ao cinema nacional motivo para se orgulhar no quesito mudança. É possível ver que, por meio de obras pouco óbvias e que trouxeram aos olhos e ouvidos dos brasileiros verdades certamente inconvenientes, a sétima arte tem cumprido o papel de criar mentes cada vez mais críticas. 

O drama-romance A Vida Invisível, que foi premiado no Festival de Cannes, parece estar emocionando muita gente. Estrelado pela veterana dos palcos e das câmeras Fernanda Montenegro na pele de Eurídice Gusmão, levou críticos nacionais e internacionais a abrir os olhos para o potencial do cinema brasileiro em um gênero tão difícil. 

Democracia em Vertigem traz às telonas o que o brasileiro não está acostumado a ver: história e política em formato documental. Dirigido pela brasileira Petra Costa — também diretora de O Olmo e a Gaivota — e pré-indicado ao Oscar como melhor documentário, o filme deseja alertar o público da urgência do debate político em meio a crises como a que o país passa, com pontos de ebulição como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. 

A viralização de Bacurau 

O longa-metragem se tornou quase um ítem obrigatório no repertório cultural dos brasileiros em 2019. Além de receber um reconhecimento histórico para produções brasileiras na gringa, assim como Aquarius, o filme de 2016 dos mesmos diretores também contava com Sônia Braga. A boa recepção dessa obra se deveu muito à sua ousadia narrativa e artística. 

A história de Bacurau, que é um povoado do sertão muito pequeno e apagado do mapa, foi construída em consonância com o cenário político do país. A execução do roteiro rompe com o que normalmente é visto nos filmes brasileiros. A vida dos personagens nativos é rodeada de temas comuns à própria história do Brasil e não é difícil identificar a posição política da obra.

Num futuro utópico, o potente Lunga (Silvero Pereira) e seus conterrâneos se veem obrigados a lidar com a chegada ofensiva de Michel (Udo Kier, consagrado ator alemão que também fez Melancolia, de Lars Von Trier) e seus capangas, cuja intenção é violenta e colonizadora. 

Assim como no longa ficcional Divino Amor, do diretor Daniel Mascaro, que fala sobre fundamentalismo em um Brasil de 2027, aqui, os gêneros se misturam para entregar algo totalmente novo para o espectador. Portanto, Bacurau é drama, faroeste, ação, terror gore, fantasia e suspense, gêneros que se mesclam de maneira intuitiva e homogênea. 

Os temas de fundo: corrupção, coronelismo, resistência nordestina, falta de recursos e negligência do poder público, recheiam a surpreendente trama que desafiou os padrões dos roteiros brasileiros.   

O que promete brilhar em 2020

Os filmes que tendem a brilhar nas telonas, mês e mês.

Estreou em janeiro:

A Divisão, ficção de Vicente Amorim 

Em março:

Três Verões, de Sandra Kogut e estrelado por Regina Casé

Em abril:

Eduardo e Mônica, comédia dramática de René Sampaio

Ainda sem previsão:

Macabro, longa de terror de Marcos Prado, mesmo diretor de Tropa de Elite e Estamira 

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