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MPF pede informações sobre evacuações em Barão de Cocais e Itatiaiuçu

Sirenes soaram e pessoas que vivem próximas a barragens tiveram que abandonar suas casas

Gongo Soco, Mina, Vale - Imagem Google Maps

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou informações sobre os motivos que levaram às evacuações de moradores das cidades mineiras de Barão de Cocais e de Itatiaiuçu. Na madrugada de hoje (8), as sirenes soaram e pessoas que vivem próximas a barragens tiveram que abandonar suas casas. Os ofícios foram encaminhados à Vale e à ArcelorMittal, mineradoras responsáveis pelas estruturas, e à Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, que é responsável pela fiscalização do setor.

Além das condições de estabilidade das barragens, o documento questiona como foi o atendimento aos desalojados e que tipo de estrutura foi disponibilizada. Segundo nota divulgada pelo MPF, o recente rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) está levando mineradoras e empresas de auditoria a modificarem critérios de avaliação de risco de estabilidade, a partir de metodologias mais conservadoras.

Em Barão de Cocais, há cerca de 90 quilômetros de Belo Horizonte, cerca de 500 moradores que vivem próximos à Barragem Sul Superior da Mina do Gongo Seco foram retirados de suas casas por volta de 1h. Eles foram levados para um ginásio poliesportivo e posteriormente acomodados em hotéis da região. Algumas pessoas, no entanto, preferiram ir para casas de parentes. Conforme nota divulgada pelo município, foi acionado o nível 2 de risco da barragem e a evacuação se deu por decisão da ANM, da Defesa Civil do estado e do município e pela empresa Vale. “A informação até esse instante é de que há um desnível na estrutura”, dizia o texto divulgado pela manhã.

O MPF pede que a Vale disponibilize os documentos que fundamentaram a decisão e todos os Planos de Ação Emergencial (PAEMB) de suas barragens em Minas Gerais, além dos relatórios que subsidiaram as declarações de condição de estabilidade do ano de 2018. Mais cedo, a mineradora informou que a evacuação foi feita de forma preventiva, depois que a consultoria Walm não garantiu a estabilidade da estrutura. A empresa também afirmou que está intensificando as inspeções da barragem. No ofício encaminhado à ANM, o MPF solicitou os últimos relatórios de vistoria.

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o volume da barragem é de 9,4 milhões de metros cúbicos e, além de sete bairros de Barão de Cocais, também foi evacuado um bairro na vizinha Santa Bárbara (MG). A estrutura faz parte do complexo Mariana-Brucutu, no qual também está a barragem Laranjeiras, cujas operações estão suspensas por decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A Vale alega que a produção de minério de ferro da mina de Gongo Soco está paralisada desde abril de 2016.

Itatiaiuçu
Situação similar foi vivida por moradores de outra cidade mineira. Em Itatiaiuçu, a 75 quilômetros de Belo Horizonte, cerca de 200 pessoas que vivem em uma comunidade próxima à barragem Serra Azul também tiveram de deixar suas casas após a sirene soar por volta de 4h. A estrutura pertence à mineradora ArcelorMittal. A empresa informou que uma “inspeção e auditoria minuciosas” justificou a ação.

“Empregando uma metodologia mais conservadora, a auditoria independente responsável pela declaração de estabilidade revisou o último relatório e adotou para a barragem um fator de segurança mais restritivo”, registra nota divulgada pela ArceloMittal.

O MPF requisitou à mineradora todos os relatórios técnicos antigos que subsidiam as declarações de estabilidade dos anos anteriores e os pareceres atuais que levaram à mudança de classificação de risco da barragem, acompanhados do mapa que identifica a área de inundação em caso de rompimento.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que a estrutura tem capacidade para 5,2 milhões de metros cúbicos e, em caso de rompimento, seriam atingidos o Rio Manso e a BR 381. Ainda segundo os bombeiros, as cerca de 50 famílias afetadas estão em um hotel em Itaúna, cidade vizinha.

De acordo com a ArcellorMittal, os moradores deverão ficar nas acomodações enquanto são realizados testes adicionais que possam garantir a segurança da barragem. “Esta é uma medida puramente de precaução, visto que a comunidade se situa a 5 km de distância da barragem. A empresa concluiu que não se pode correr absolutamente nenhum risco, e que, apesar do transtorno para a comunidade, esta é a decisão correta”, acrescenta a mineradora.

A ArcellorMittal afirma que a barragem está desativada desde outubro do ano passado. A estrutura usa o método alteamento a montante, o mesma que deu origem à recente tragédia de Brumadinho e também à ocorrida em 2015 no município de Mariana (MG).

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Defesa Civil cadastra 110 pessoas desalojadas em Nova Lima

Evacuação ocorreu após risco de rompimento de barragem aumentar

Pelo menos 110 pessoas que vivem nos arredores da Mina Mar Azul, em Nova Lima (MG), já se cadastraram como desalojadas, após o aumento do risco de rompimento das barragens B3 e B4 da mineradora Vale. De acordo com a Defesa Civil do estado, esse é o número apenas de quem se cadastrou. A classificação do nível de emergência passou de 1 para 2.

Por determinação do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, 170 moradores que vivem nos arredores da mina, localizada a 45 quilômetros de Belo Horizonte, foram retirados da região. A evacuação ocorre 21 dias após o desastre da barragem na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que matou 166 pessoas e deixou 144 desparecidos.

Durante coletiva de imprensa hoje (17), o capitão da Defesa Civil de Minas Gerais, Hebert Aquino, disse que há ainda um bairro, localizado próximo à Mina Mar Azul e que, em caso de rompimento de barragem, seria atingido pelos rejeitos no prazo de uma hora. Segundo ele, autoridades locais e estaduais estão reunidas para definir os próximos passos – incluindo uma possível evacuação desse local.

“As ações estão sendo tomadas pelos agentes tanto do estado quanto do município para preparar as comunidades mais distantes. Se houver alguma necessidade de evacuação, isso será feito”, disse. Pela manhã, homens da Agência Nacional de Mineração (ANM) estiveram na mina, junto a equipes do Núcleo de Emergência Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, fazendo uma vistoria na barragem.

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Chuva deixa pessoas ilhadas durante inundações em BH

Passageiros tiveram que subir em cima dos ônibus

• atualizado em 17/02/2019 às 19:59

Foto: Reprodução/Twitter

A chuva forte que atingiu na tarde deste domingo, 17, em Belo Horizonte, deixou usuários do transporte coletivo ilhados dentro dos ônibus na Avenida Vilarinho, na Região de Venda Nova, na capital.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostras passageiros que tiveram de sair pela janela e ficaram no teto do ônibus. Carros que também estava na avenida ficaram submersos.

Além da Avenida Vilarinho, também ocorreu registro de alagamentos na Avenida Bernardo Vasconcelos, na Região Nordeste.

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Bombeiros localizam mais dois corpos em Brumadinho

Há ainda 144 pessoas que continuam desaparecidas

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais localizou dois corpos de ontem (16) para hoje (17) em Brumadinho, onde uma barragem da mineradora Vale se rompeu. Um corpo estava próximo à Instalação de Tratamento de Minério (ITM) e o outro, na região do Remanso 2. Fragmentos de corpos também foram localizados pelas equipes nas últimas horas.

“Uma ação muito importante que iniciamos no dia de hoje foi o rompimento estrutural [demolição] da estrutura colapsada da ITM com maquinário pesado, inclusive com tesoura hidráulica”, informou a corporação. Esse tipo de acesso, segundo o corpo de bombeiros, é importante na localização de eventuais corpos que estejam em locais até então inacessíveis.

“É um trabalho meticuloso, uma vez que existem cilindros de acetileno e GLP [gás liquefeito de petróleo] no local e atmosferas que demandam utilização de equipamentos especiais para respiração”, acrescentou o texto.

O último balanço da corporação, de sexta-feira (15), aponta que a tragédia no município mineiro deixou, até o momento, 166 mortos – todos já identificados. Há ainda 144 pessoas, entre funcionários da Vale, terceirizados que prestavam serviços à mineradora e membros da comunidade, que continuam desaparecidas.

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