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Lanternas, informação e abraços: o trabalho de voluntários em Minas

“Vi vagões amassados como bolinhas de papel”, diz voluntária

Ainda não se tinha noção clara do tamanho dos estragos da tragédia de Brumadinho (MG) quando Rafaella Cervantes, 28 anos, chegou no município mineiro no último dia 25 de janeiro. Horas antes, uma avalanche de lama havia vazado após o rompimento da barragem da Vale na Mina do Feijão. Diante das primeiras notícias, Rafaella e alguns amigos se voluntariaram, recolheram donativos, encheram seus carros e partiram em comboio. O que presenciou, ela afirma, ficará marcado para sempre em sua memória.

“Vi rodas de um tamanho que nunca havia visto jogadas no meio da lama, vi vagões de trem amassados como se fossem bolinhas de papel”, conta.

Figurinista e diretora de arte, Rafaella fez o trajeto  Belo Horizonte -Brumadinho por seis dias seguidos. A distância entre os dois municípios é de 60 quilômetros. Na maior parte dos dias, porém, seu destino foi Casa Branca, um povoado rural pertencente a Brumadinho e localizado a 35 quilômetros da capital mineira.

Famoso por atrair turistas em busca de cachoeiras e de outras atrações ecológicas, Casa Branca se fixou como um ponto de apoio à tragédia. Pousadas locais receberam desabrigados e a Escola Municipal Carmela Caruso Aluoto se tornou um ponto para recebimento de donativos. “Na terça-feira, havia lá 21 crianças que precisavam de material de recreação. Na quarta-feira, aumentou para 54. Não é só levar roupa, água e comida”, destaca Rafaella.

A figurinista divulgou nas redes sociais que receberia donativos, mas muitos entraram em contato querendo doar dinheiro. Embora não fosse o objetivo inicial, ela acabou aceitando. Para as crianças, ela comprou bolas, petecas, caixas de giz de cera, jogos de dama, pacotes de papel e cartolinas.

As demandas, entretanto, eram bem mais amplas. Os brigadistas, bombeiros civis e até mesmo militares precisavam de equipamentos. “Não conseguimos comprar binóculos, cada um girava em torno de R$ 300. Mas compramos 12 monóculos que custaram R$ 70. E também dez lanternas de cabeça”.

Um tenente do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais disse a ela que faltavam pilhas para GPS e lanternas. “Demandas específicas eu entregava na mão de quem me pedia. Não faço ideia de quantas pilhas compramos. É gratificante poder entregar algo simples e ver como faz diferença”, diz a voluntária.

Rafaella conta que, muitas vezes, as necessidades dos brigadistas e dos bombeiros iam além do material. “Eles são pessoas que precisam colocar as coisas para fora. Eu conversei muito com eles. Você nota que, às vezes, o olhar muda totalmente. É um lugar onde eu vi como um abraço é muito importante.”

Falta de informação

De acordo com a empresária Débora Farias, 31 anos, outra voluntária que deixou Belo Horizonte rumo a Brumadinho, muitos atingidos sentiam falta de informação. “As pessoas estavam querendo saber se podiam voltar para suas casas, mas não tinham informação”, afirma a empresária que ajudou uma família alojada em Casa Branca a entrar em contato com os órgãos públicos responsáveis.

Débora integra a organização humanitária internacional Arte de Viver, fundada na década de 1980 na Índia e atualmente presente em cerca de 160 países. Entre as ações que a entidade desenvolve, estão aulas de ioga, de meditação e de técnicas de respiração em projetos sociais em presídios, escolas públicas e em catástrofes.

Direito dos animais

A figurinista e diretora de arte Rafaella Cervantes afirma que costuma se mobilizar em ações de defesa aos direitos dos animais, mesmo não sendo integrante de nenhuma organização. Em novembro de 2015, logo após a tragédia de Mariana (MG), ela se mobilizou em busca de donativos – principalmente, ração – já que nas comunidades afetadas as famílias criavam diversos animais.

“Algumas pet shops me doaram ração para cachorro, para gato. Depois eu soube que estavam precisando de milho e rações mais específicas. Eu liguei para uma empresa que fica em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, e pedi uns cinco sacos. Eles me retornaram depois dizendo que decidiram doar 17 toneladas. Quase desmaiei”, lembra.

Em Brumadinho, ela afirma que não demorou a perceber que teria poucos animais para ajudar e que o desafio se concentraria no apoio às pessoas que perderam parentes ou amigos. Ainda assim, ela relata momentos que lhe marcaram.

“No domingo, foi resgatado um sapinho. E um sapinho te revigora de um jeito que eu não conseguia imaginar. A felicidade de saber que um ser daquele tamanho sobreviveu a essa tragédia. E na quarta, tivemos notícias de que encontraram pegadas de uma onça na lama, em direção à mata”.

Esconder a emoção

Após seis dias de trabalho voluntário, Rafaella parou de ir a Brumadinho na última quinta-feira (31). Ela afirma que mantém contato com outros voluntários e que pretende voltar na próxima semana.

“A gente precisava esconder a emoção, porque os parentes das pessoas desaparecidas estão ali e eles veem você como um ponto de apoio. Mas aí, um dia, voltando para Belo Horizonte, quando estava no carro somente eu e meu cunhado, nós choramos muito”, lembra.

Ela conta que pensou em ficar em casa na quarta-feira (30), mas acabou não conseguindo. “As pessoas começam a te passar demanda às 7h da manhã. Como você não vai?”.

A voluntária disse que foi até uma área próxima ao local do rompimento para levar uma jornalista e um cinegrafista e afirma que a magnitude da área tomada pela lama a impressionou.

“É muito diferente de ver na TV. Provavelmente tem gente que nunca vai ser encontrada. Me falaram que há lugares com 18 metros de lama”, lamenta.

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Helicóptero da PM cai em Ribeirão das Neves, na Grande BH

Primeiras informações dos Bombeiros são que quatro pessoas ficaram feridas

• atualizado em 24/04/2019 às 17:11

Um helicóptero da Polícia Militar (PM) caiu durante a tarde desta quarta-feira, 24, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, informou o Corpo de Bombeiros

Segundo as primeiras informações do Corpo de Bombeiros, o acidente com o helicóptero da Polícia Militar de Minas Gerais aconteceu na MG 806, altura do Km 10, na Fazenda Das Lajes, onde seria um Centro de Treinamento do Exército.

Conforme ainda conforme os Bombeiros, quatro pessoas ficaram feridas. Neste momento, elas estão sendo socorrido pelos militares.

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AMIG apresenta propostas ao Ministério de Minas e Energia para construir um novo modelo de mineração

Em audiência no MME, instituição defende que setor minerário precisa da liderança do Ministério e de ser reinventado para continuar vivo; confira as propostas apresentadas pela AMIG

A diretoria da Associação de Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (AMIG) esteve reunida nesta segunda-feira (22), em Brasília, com o ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque. O encontro, solicitado pela AMIG, levou até o ministro uma pauta com propostas para a construção de um novo modelo de mineração brasileira com mudanças profundas para garantir mais segurança e transparência e a AMIG também apresentou ao ministro as principais ações realizadas pela entidade na busca de soluções para os problemas que o setor enfrenta. Entre as propostas apresentadas estão a estruturação imediata da Agência Nacional de Mineração – ANM (antigo Departamento Nacional de Produção Mineral -DNPM), o único órgão com a legitimidade para fiscalizar as empresas mineradoras, e acabar com a sonegação dos impostos que impera no setor, além de agilizar as regulamentações e avaliações de processos. Sem uma agência reguladora forte, eficiente e atuante, o setor minerário torna-se inviável.

Também foi sugerida a criação de um conselho nacional de geologia e mineração, um conselho consultivo que fomente o diálogo sobre a atividade entre governo e iniciativa privada.  A AMIG sugeriu ainda a realização de um workshop entre o ministério, a ANM e os municípios mineradores, para nivelar as informações, e a correção na Medida Provisória para que os municípios impactados pela extração de minério também recebam a CFEM. O presidente pediu ainda a ajuda do ministro para que seja apurada a dívida do CFEM das empresas extrativas. Somente quatro empresas devem R$ 1,6 bilhões em impostos.

Durante a reunião, o presidente da AMIG, Vitor Penido, ressaltou a confiança e a esperança que as cidades mineradoras depositam no ministro. “Queremos formar uma sólida e duradoura parceria com o MME para juntos resgatarmos a mineração no país. O governo precisa liderar o segmento da mineração no Brasil”, afirmou. Com uma explanação clara e objetiva, o consultor de relacionamentos institucionais da AMIG, Waldir Salvador, fez um relato ao ministro sobre a situação caótica em que estão os municípios mineradores, particularmente as cidades de Minas Gerais, que ainda é o maior estado minerador do Brasil, e que hoje enfrenta o medo de terem as barragens rompidas, o medo da falta de recursos, o medo do futuro muito próximo. “Temos uma vivência da mineração lá no chão onde ela acontece. Sabemos da importância da atividade mineradora, da nossa dependência com essa atividade e da vocação das cidades”.

Mineração é um segmento, não apenas um setor

Salvador salientou ao ministro o quanto os municípios e a AMIG estão confiantes por o país ter, depois de duas décadas, um ministro de Estado de Minas e Energia de verdade, que tem a isenção necessária e o conhecimento técnico capaz de mudar o cenário da atividade mineradora, que nos últimos anos não tem tido a fiscalização necessária, permitindo que as empresas se autorregulem e façam sua própria lei. “Vivemos períodos terríveis nos outros governos, quando interesses diversos desvirtuaram o real papel do ministério com o segmento e que resultou em prejuízos irreparáveis e irrecuperáveis para nós. Precisamos sair desse caos, ou será a morte para centenas de cidades.” Ele alertou ainda, que a mineração não é um setor, mas um segmento que abrange a cidade, o estado, o país. Segundo Salvador, mineração inerte não tem valor, não traz transformação. “Precisamos do MME à frente do segmento da mineração nacional, principalmente junto aos estados e municípios, para conseguirmos regular e estabelecer os limites para as empresas que exploram nossos minérios, que durante anos fizeram tudo a seu tempo e a sua forma”, ressaltou.

Para a AMIG, a mineração precisa de uma regulamentação séria e de uma fiscalização eficiente. “Quanto mais se investir na Agência, mais se vai arrecadar, mais a Mineração do país se fortalecerá”. Estudos mostram que para cada três reais que devem ser arrecadados, dois reais são sonegados pelas empresas. O ministro Bento Albuquerque disse que, em linhas gerais, todos os pedidos da AMIG estão em consonância com as ações do ministério e a sua prioridade, desde o dia em que assumiu a pasta, é a estruturação da ANM. No entanto, disse que para mudar é preciso saber empregar os recursos, e como fazer as mudanças necessárias. “Quero uma pessoa à frente da Agência que trabalhe de forma isenta, que seja técnica e conhecedora da área. O setor de mineração, um dos mais importantes recursos de nosso país, precisa de uma atenção especial do ministro e do ministério”, afirmou.

Bento Albuquerque disse concordar com todos os argumentos colocados pela AMIG e reconheceu o papel de Minas Gerais para o setor. “Minas é a referência nacional em termos de mineração e merece atenção especial, principalmente pelo momento difícil que estão passando as cidades mineradoras”. O ministro finalizou a reunião, acenando para a realização imediata do workshp sugerido, “esse é o momento certo”.

Estiveram também presentes na reunião, o vice-presidente da AMIG, Ronaldo Lage, o consultor de Relacionamentos Institucionais da AMIG, Waldir Salvador, o consultor Jurídico, Rogério Moreira, e a gerente da instituição, Stael Gomes. Pelo MME, a diretora do Departamento de Geologia e Produção, Lilia Mascarenhas Sant’Agostinho e o chefe da Assessoria Parlamentar, Hugo Oliveira.

Propostas

Estruturação da ANM, o único órgão com a legitimidade para fiscalizar as empresas mineradoras. A Agência possui o direito legal a um orçamento de R$ 350 milhões em 2019, mas a previsão é de que o órgão receba a metade disso, R$ 170 milhões, o que inviabiliza a possibilidade de regularização e fomento. Sem que a ANM esteja funcionando de forma plena, não haverá, por exemplo, fiscalização em barragens o que pode levar a sociedade a assistir outros acidentes envolvendo a mineração.

Sonegação das mineradoras, considerada pelo consultor Waldir Salvador “absurda e cultural”. Ele destaca que a esperança é que Bento Albuquerque busque recursos para investir no Ministério e consequentemente na ANM.  Quanto mais investimentos na Agência mais a mineração vai progredir, aumentando a arrecadação de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), abrindo outras minerações, diminuindo a mineração clandestina, aumentando a empregabilidade e os investimentos.

Conselho e workshop A diretoria da AMIG também sugeriu ao ministro Bento Albuquerque a criação de um Conselho Nacional de Geologia e Mineração, em caráter consultivo, cuja função será discutir, sugerir e diligenciar, fomentando o diálogo sobre a atividade entre governo e iniciativa privada.  Outra questão sugerida e que irá beneficiar a atividade minerária é a realização de um workshop que envolva o MME, a ANM e os municípios mineradores, com o objetivo de nivelar o conhecimento a respeito da mineração e do funcionamento da nova Agência, criada pela Lei 13.575/2017, substituindo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Além disso, o ministro foi alertado pela diretoria da AMIG sobre a necessidade de correção da Medida Provisória para que os municípios impactados pela extração de minério também recebam a CFEM. Vitor Penido solicitou que o ministro determine a apuração da dívida envolvendo o repasse de CFEM pelas empresas extrativas, uma força tarefa para terminar a fiscalização iniciada em novembro de 2005 e envolve as mineradoras Samarco, CSN, MBR e Vale. Somente essas quatro empresas devem R$ 1,5 bilhão em impostos ao estado de Minas Gerais, o que pode ajudar a suprir o buraco em caso de perda na arrecadação da CFEM, resultado da paralisação das atividades da Vale para o descomissionamento de barragens. Waldir Salvador destaca que as propostas apresentadas ao ministro “tem o intuito de formar uma sólida e duradoura parceria, principalmente pela importância e relevância das ações do MME junto ao segmento da mineração”.

Waldir Salvador salientou o quanto os municípios mineradores e a AMIG estão confiantes com a nomeação de Bento Albuquerque, que possui a isenção necessária e o conhecimento técnico capaz de mudar o cenário da atividade mineradora que, nos últimos anos, não tem passado pela fiscalização necessária, permitindo que as empresas se autorregulem e façam sua própria lei. “Vivemos períodos terríveis nos outros governos, quando interesses diversos desvirtuaram o real papel do MME com o segmento e que resultou em prejuízos irreparáveis e irrecuperáveis”. Ele alertou ainda, que a mineração não é um setor, mas um segmento que abrange a cidade, o estado, o país. A mineração inerte não tem valor, não traz transformação. “Precisamos do MME à frente do segmento da mineração nacional, principalmente junto aos estados e municípios, para conseguirmos regular e estabelecer os limites para as empresas que durante anos fizeram tudo a seu tempo e a sua forma”, ressaltou.

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Mulher é assaltada na porta de escola em Nova Lima, na Grande BH

Crime ocorreu na manhã desta segunda-feira e foi registrada por câmeras de segurança

• atualizado em 24/04/2019 às 14:40

Foto: Reprodução/Câmeras de Segurança

Uma mulher de 40 anos foi assaltada ao chegar ao um colégio de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na manhã desta segunda-feira, 22.

De acordo com a Polícia Militar, a vítima disse que estacionou seu carro na rua Pensilvânia, que faz esquina com a rua Rainha Elizabete, onde o colégio está localizado. Ao perceber que iria ser assaltada tentou escapar da dupla, que alcançou.

A mulher contou ainda que um dos suspeitos colocou a mão por debaixo da blusa simulando estar armado e a obrigou a entregar as chaves do veículo. Ela tenta resistir às investidas da dupla e chegou a gritar.

O carro foi levado pelos assaltantes ainda não foi localizado, assim como os autores do crime.

 

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