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Além dos dois suspeitos estava outro casal, Adriano Teixeira Fraga, de 39 anos, e Lediane Cruz da Conceição, de 33, que, junto aos demais investigados, teriam vindo do Rio de Janeiro interessados na criança.
Durante cerca de três meses, a mãe e a suspeita Lilia teriam conversado sobre a entrega do bebê, sendo que Lilia chegou a depositar aproximadamente R$ 800 para a jovem utilizar com despesas médicas e alimentação da gestante. A negociação teria sido feita por meio do aplicativo WhatsApp.
Contudo, quando a criança nasceu, a mãe se arrependeu da entrega. Segundo a jovem de 24 anos, ela não pretendia vender o filho, e sim entregá-lo para a adoção. “Quando trouxeram ele para eu amamentar, eu desisti de entregar meu filho e tive medo deles, então procurei a assistente social do hospital e contei tudo”. A equipe do hospital acionou as Polícias Civil e Militar, que realizaram a proteção da mãe e a prisão dos suspeitos.
O Delegado Regional de Contagem, Christiano Xavier, alertou que diante das conversas flagradas nos celulares dos suspeitos, existe a possibilidade de se tratar de uma organização criminosa que atua com compra e venda de bebês. “Está sendo investigado como os casais agiam. No grupo, existem pessoas de vários estados e também de outros países como Itália e Estados Unidos”, explicou o Delegado.
De acordo com Christiano Xavier, os perigos vão além da adoção ilegal, e casos assim podem também dar espaços para o cometimento do tráfico de pessoas e de órgãos. “As investigações estão em andamento, e diversas diligencias estão sendo realizadas para se verificar a situação de crianças que estariam sendo negociadas nesses grupos de WhatsApp e seriam entregues nas próximas semanas”, ressaltou o Delegado Regional.
Apurou-se, ainda, que existia um acordo entre os dois casais sobre quem iria ficar com o recém-nascido de acordo com o sexo do bebê. Se fosse menino, a criança seria entregue a Adriano e Lediane. Já se fosse menina, seria entregue a Lilia, que segundo os levantamentos iniciais da Polícia Civil, pretendia vender a criança. Entretanto, Lilia nega a intenção da venda.
Carlos Alberto e o outro casal negam ter conhecimento das negociações de Lilia e afirmam que pretendiam burlar a fila de adoção. Contudo, Adriano chegou a detalhar para a Polícia Civil como seria o esquema para falsificar o registro da criança: “Eles iriam simular que se tratava de um parto em casa e omitiriam a documentação do hospital no cartório durante o registro”, ressaltou o Delegado Christiano Xavier.
Os quatro suspeitos foram presos preventivamente por formação de quadrilha e enquadrados no paragrafo único do Art. 238 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A mãe da criança também foi presa por incidir no caput mesmo artigo, porem pagou fiança equivalente a um salário mínimo e responde ao processo em liberdade.
A jovem fez um apelo às mães que se encontram em situação semelhante. “Eu digo para elas procurarem conversar com alguém de confiança: um amigo, alguém da assistência social da cidade ou a Polícia. Hoje, eu penso que meu filho poderia estar em perigo. Eu estava desesperada e sem orientação, mas nunca faria isso de novo”. A mãe explicou que passava por uma situação de abandono por parte do pai da criança e não sabia como agir. “Depois de conversar com a psicóloga e a assistente social do hospital e com os policiais civis, eu me senti segura e vou criar meu filho, a quem eu amo muito”, concluiu a jovem.

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