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O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22). Natural de Além Paraíba, na Zona da Mata de Morre aos 95 anos Zuenir Ventura, jornalista e escritor mineiro – Foto: Reprodução, ele era integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) e construiu uma carreira de mais de seis décadas no jornalismo brasileiro.
Segundo a Academia Brasileira de Letras, Zuenir morreu em casa, em decorrência de uma pneumonia. O corpo será velado nesta quarta-feira (23), na sede da ABL, e enterrado no mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Zuenir Ventura ocupava a Cadeira nº 32 da ABL. Ele foi eleito em outubro de 2014, na sucessão do escritor Ariano Suassuna, e tomou posse em março de 2015.
Ao longo da vida, o mineiro exerceu diferentes profissões antes de se consolidar como jornalista. Foi pintor de parede, office-boy, jogador de basquete, arquivista e professor universitário. Na carreira acadêmica, lecionou por mais de quatro décadas na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
‘1968: o ano que não terminou’
Entre os trabalhos mais conhecidos de Zuenir Ventura está o livro “1968: o ano que não terminou”, publicado em 1988. A obra se tornou uma referência na literatura sobre o período da ditadura militar e retratou acontecimentos políticos e sociais do Brasil e do mundo naquele ano.
O livro também serviu de inspiração para a minissérie “Anos Rebeldes”, produzida pela TV Globo.
Outro destaque da trajetória foi “Cidade Partida”, publicado em 1994. O livro aborda a violência e a desigualdade social no Rio de Janeiro a partir da experiência do jornalista em Vigário Geral, após a chacina que deixou 21 mortos em 1993. A obra recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem em 1995.
Zuenir também escreveu “Chico Mendes: Crime e Castigo”, lançado em 2003, resultado do trabalho jornalístico realizado após o assassinato do líder seringueiro, no Acre.
Cobertura do caso Chico Mendes
No início de 1989, Zuenir foi ao Acre como repórter especial para acompanhar as investigações sobre a morte de Chico Mendes. O trabalho resultou em uma série de reportagens que recebeu reconhecimento nacional.
Durante a cobertura, o jornalista também se aproximou de Genésio, então com 13 anos, apontado como uma das principais testemunhas do assassinato e que permanecia sob proteção policial.
Zuenir contou posteriormente que assumiu a tutela do garoto e o levou para morar com sua família até que ele completasse 18 anos.
Carreira no jornalismo
Zuenir Ventura trabalhou em diferentes veículos de comunicação e foi colunista de jornais e revistas, entre eles O Globo e Época. Também recebeu os principais prêmios do jornalismo brasileiro.
Em 1989, dividiu o Prêmio Esso de Jornalismo pela cobertura da investigação do assassinato de Chico Mendes. Também foi vencedor do Prêmio Vladimir Herzog.
Em 2008, recebeu uma homenagem especial da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil.
Além do jornalismo e da literatura, Zuenir participou de produções audiovisuais. Em 2000, esteve na codireção do filme “Um Dia Qualquer”. Também assinou o roteiro do documentário “Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje”, dirigido por Izabel Jaguaribe e lançado em 2003.
Zuenir Ventura deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos, o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.
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