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A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (12), em Montes Claros, no Norte de Minas, a Operação Canudo, que investiga um esquema de venda de diplomas falsos e falsificação de documentos acadêmicos usados para facilitar o acesso a cursos de Medicina e a obtenção de registros profissionais.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou duas prisões preventivas e uma prisão temporária. Os três mandados de prisão foram cumpridos, totalizando três presos.
As investigações começaram após a apreensão, em 2023, de um diploma falso de Medicina apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers). O documento teria sido fornecido por um dos investigados.
Durante a apuração, a PF identificou indícios de um esquema estruturado para falsificar e comercializar diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos. Segundo a investigação, os materiais eram utilizados para permitir o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina.
A apuração alcançou três estados e resultou na prisão de integrantes da organização.
Documentos falsos para transferência
De acordo com a PF, o grupo atuava de duas formas. Em uma delas, eram falsificados diplomas de Medicina que posteriormente seriam apresentados aos Conselhos Regionais de Medicina para a obtenção de registro profissional.
Em outra modalidade, documentos de instituições de ensino superior eram falsificados para que estudantes conseguissem ingressar em cursos de Medicina já em andamento, inclusive em períodos próximos à conclusão.
Nesses casos, os estudantes apresentavam documentação falsa como se estivessem realizando uma transferência de uma faculdade para outra. A investigação também identificou movimentações financeiras entre os integrantes do grupo e pessoas suspeitas de terem adquirido os documentos falsificados.
Pelo menos 45 médicos são investigados
Segundo a Polícia Federal, o esquema teria ramificações em diferentes estados brasileiros. Pelo menos 45 pessoas que já estão inscritas como médicos em Conselhos Regionais de Medicina teriam realizado pagamentos ao grupo para obter documentos falsos usados na obtenção do registro profissional.
A PF informou que as diligências continuarão para identificar outras pessoas que possam ter contratado ou utilizado os serviços oferecidos pelo grupo.
Investigado já foi alvo de operação em 2016
O principal investigado na Operação Canudo já havia sido alvo de uma investigação da Polícia Federal em 2016.
Na ocasião, a PF identificou uma organização criminosa envolvida em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo a investigação daquele período, professores e estudantes eram recrutados para realizar as provas e transmitir os gabaritos, por meio de dispositivos eletrônicos, a candidatos que pagavam valores elevados para obter vantagem no exame.
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