O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso por suspeita de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, já havia sido expulso da corporação em 2009, antes de ser reintegrado por decisão da Justiça cinco anos depois.
À época, Eduardo foi desligado por meio de um Processo Administrativo de Exoneração (PAE), instaurado após a PM concluir que ele teria omitido informações ao preencher o Formulário para Ingresso na Corporação (FIC), durante o concurso regido pelo Edital DRH/CRS nº 15/2007.
Segundo a corporação, o então candidato não preenchia os requisitos de idoneidade moral e social exigidos para o exercício da função militar. A justificativa era de que ele havia respondido a processos por atos infracionais quando era adolescente, constava como representado em registros de ocorrências e teria sido apreendido por porte ilegal de arma de fogo.
Reintegração determinada pela Justiça
Em 2014, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) anulou a exoneração e determinou a reintegração de Eduardo aos quadros da Polícia Militar.
Ao analisar o caso, o relator, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, concluiu que a alegação de porte ilegal de arma de fogo estava baseada apenas em um extrato genérico de sistema policial, sem provas concretas.
O magistrado também destacou que os processos da Vara da Infância e da Juventude já estavam arquivados e envolviam fatos praticados quando Eduardo era menor de idade, condição que o tornava penalmente inimputável.
Conforme o acórdão, o militar cumpriu integralmente a medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade imposta na época e obteve o benefício legal da remissão.
Estado recorreu, mas decisão foi mantida
O Estado de Minas Gerais apresentou embargos de declaração, alegando omissões na decisão e sustentando que o Judiciário teria interferido indevidamente na discricionariedade da Administração Pública. Também questionou a forma de reintegração do militar e os critérios de atualização dos valores eventualmente devidos.
Em julgamento realizado em 29 de maio de 2014, a 8ª Câmara Cível do TJMG rejeitou, por unanimidade, os embargos.
Na decisão, os desembargadores reforçaram que cabe ao Poder Judiciário controlar a legalidade dos atos administrativos quando há indícios de violação de princípios constitucionais, como a razoabilidade e a presunção de inocência. O tribunal também estabeleceu que caberia à própria Polícia Militar operacionalizar a reintegração do servidor.
Investigação por feminicídio
Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante na segunda-feira (20), após levar a capitã Michele Leão Azevedo já sem vida ao Hospital Metropolitano Odilon Behrens, em Belo Horizonte.
A equipe médica identificou múltiplas lesões pelo corpo da vítima e constatou que a morte havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital. Diante das circunstâncias, a Polícia Civil instaurou investigação por feminicídio.
Segundo depoimento da mãe de Michele, o casal mantinha um relacionamento havia cerca de oito anos e a relação era marcada por episódios de abuso.
Além do caso atual, Eduardo já havia sido acusado de agredir uma ex-companheira em 2016. No mesmo ano, também foi investigado por descumprir medida protetiva, após enviar mensagens com ameaças à vítima e aos familiares. Em 2023, ele ainda foi preso por embriaguez ao volante.
A prisão em flagrante do sargento foi posteriormente convertida em prisão preventiva pela Justiça.
Defesa
Em nota, a defesa de Eduardo Abner Pereira de Oliveira informou que acompanha as investigações e afirmou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer julgamento.
Os advogados declararam confiar no devido processo legal, na imparcialidade da apuração e informaram que irão se manifestar no momento oportuno, preservando o direito de defesa e o sigilo do procedimento.
GRUPO COM NOTÍCIAS DO POR DENTRO DE MINAS NO WHATSAPP
Gostaria de receber notícias como essa e o melhor do Por Dentro de Minas no conforto por WhatsApp. Entre em grupos de últimas notícias, informações do trânsito da BR-381, BR-040, BR-262, Anel Rodoviário e esportes.
Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Acompanhe o Por Dentro de Minas no YouTube
Assista aos melhores vídeos com as últimas notícias de Belo Horizonte e Minas Gerais. Informações em tempo real.







