O sargento reformado da Marinha Guilherme Augusto Rodrigues Martins, de 34 anos, suspeito de matar a tiros o vizinho Carlos Alberto dos Santos, de 61 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça nessa quarta-feira (15). O crime ocorreu na terça-feira (14), na zona rural de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
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A decisão foi tomada durante a audiência de custódia. No mesmo ato, a Justiça aceitou o pedido da defesa e da Marinha para que o militar permaneça preso em uma unidade prisional da instituição, no Rio de Janeiro. Já o pedido para que ele respondesse ao processo em liberdade, sob a justificativa de tratamento para transtornos mentais, foi negado.
Segundo o boletim de ocorrência, o homicídio ocorreu após uma briga entre os dois vizinhos. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Carlos Alberto deixa um carro dentro do condomínio onde moravam. Em seguida, Guilherme se aproxima da janela do veículo. A vítima desce, os dois entram em luta corporal e saem do campo de visão da câmera. Instantes depois, é possível ouvir quatro disparos de arma de fogo.
Carlos Alberto foi atingido no abdômen, socorrido por familiares e levado ao Hospital Regional de Betim, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) e sepultado na quarta-feira.
Histórico de transtornos mentais
Guilherme Augusto Rodrigues Martins foi interditado judicialmente após ser diagnosticado com esquizofrenia paranoide, psicose não orgânica, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e síndrome de burnout.
Durante perícia realizada no processo de interdição, em 2021, o militar afirmou que já havia cumprido cinco anos de prisão por matar um homem durante um surto psicótico. O laudo pericial anexado ao processo informa que ele foi internado em um hospital psiquiátrico após o episódio e concluiu que possui incapacidade parcial para administrar os atos da vida civil, necessitando de acompanhamento permanente e tratamento contínuo com medicamentos.
Investigação
Em depoimento à Polícia Militar, Guilherme alegou ter agido em legítima defesa. Segundo ele, Carlos Alberto teria invadido sua residência armado com uma faca e provocado um ferimento superficial em sua mão direita.
No entanto, conforme a ocorrência policial, o militar apresentou versões contraditórias sobre a dinâmica do crime e afirmou não saber onde estavam os estojos das munições utilizadas.
A esposa da vítima relatou à polícia que havia desavenças antigas entre os vizinhos e afirmou que o suspeito também mantinha conflitos frequentes com outros moradores da região.
Após o crime, Guilherme entregou aos policiais um revólver calibre .22 com numeração suprimida e 31 munições do mesmo calibre. A perícia da Polícia Civil realizou os levantamentos no local e recolheu vestígios que irão subsidiar a investigação. O caso segue sob apuração da Polícia Civil de Minas Gerais.

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