A Justiça de Minas Gerais determinou o cumprimento da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que concedeu liberdade a Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como “Mancha”, preso desde março deste ano e investigado por envolvimento com tráfico internacional de drogas e organização criminosa.
O despacho foi assinado nesta quarta-feira (2) pelo juiz Rodrigo Heleno Chaves, da 4ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Comarca de Belo Horizonte. A decisão determina a expedição do alvará de soltura e a formalização de um termo de compromisso para que o investigado cumpra medidas cautelares diversas da prisão.
No documento, o magistrado determina que, após a certificação da autenticidade da decisão, sejam cumpridas as determinações do STJ, incluindo a liberação do preso e a aplicação das medidas cautelares fixadas pela Corte.
Apesar da ordem judicial, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que, até a publicação desta reportagem, Douglas de Azevedo Carvalho permanecia detido no Presídio de Francisco Sá, no Norte de Minas.
Prisão na Bolívia
Douglas de Azevedo Carvalho foi preso em 15 de março de 2026, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após meses foragido da Justiça brasileira. Ele foi transferido para Belo Horizonte dois dias depois, em uma aeronave da Polícia Federal que fez escala em Brasília.
Ao chegar à capital mineira, passou por exames no Instituto Médico-Legal (IML) e foi levado ao Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), da Polícia Civil de Minas Gerais, onde prestou depoimento. Segundo os investigadores, permaneceu em silêncio durante a maior parte do interrogatório.
Conhecido como “Mancha”, ele integrava a lista de alvos prioritários do Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Investigações
Segundo a Polícia Civil, Douglas é apontado como integrante de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas. Ele responde a processos por tráfico internacional e interestadual de entorpecentes, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Entre as investigações está um caso conduzido pela Justiça Federal do Pará que apura o envio de mais de 300 quilos de cocaína para Portugal. A droga teria sido escondida em uma carga de açaí.
Antes de fugir, Douglas cumpria prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. De acordo com as autoridades, ele descumpriu as condições impostas pela Justiça em julho de 2024 e passou a ser considerado foragido, sendo localizado e preso meses depois na Bolívia.
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