A diarista Flávia Silva Marques, de 27 anos, foi encontrada morta em uma área rural de difícil acesso em Inhapim, no Vale do Rio Doce, nesta quinta-feira (2). A vítima estava desaparecida desde o dia 27 de junho. O ex-marido é o principal do crime.
Conforme a Polícia Civil, imagens de câmeras de segurança e o comportamento do suspeito foram decisivos para direcionar a apuração. Após ser confrontado com as evidências, o homem indicou aos policiais o local onde havia deixado o corpo da ex-companheira.
As investigações começaram oficialmente na segunda-feira (29), quando familiares registraram o desaparecimento de Flávia. Eles informaram que a diarista havia deixado as duas filhas na casa dos pais para participar de uma festa, mas não retornou para buscá-las nem compareceu ao trabalho nos dias seguintes.
De acordo com o delegado Ivan Sales, a análise das imagens de monitoramento revelou que, poucos segundos após Flávia sair de casa, o carro do ex-marido passou a segui-la.
“Assim que ela sai para ir nessa festa, passa aproximadamente 15 a 20 segundos, o carro do investigado a segue. E ela é vista posteriormente somente num trilho, que não é um local comum para ela passar”, afirmou o delegado.
Tentativa de criar um álibi
Ainda segundo a Polícia Civil, o comportamento do investigado chamou atenção nos dias seguintes ao desaparecimento. Conforme o delegado, ele procurou familiares da vítima, ofereceu ajuda para cuidar das filhas e chegou a acionar a Polícia Militar demonstrando preocupação.
“O investigado, tentando um álibi, fez contato com os familiares da vítima mostrando uma preocupação. Ligou para a mãe, para a irmã da vítima e procurou a Polícia Militar, chorando e dizendo estar preocupado com o desaparecimento da Flávia”, disse Ivan Sales.
Posteriormente, o homem ainda teria informado a familiares que havia recebido notícias de que Flávia estaria presa no México, versão considerada incompatível com os elementos já reunidos pela investigação.
Corpo foi encontrado em mata de difícil acesso
Antes mesmo da conclusão do pedido de prisão temporária, os investigadores decidiram abordar o suspeito. Durante a conversa, segundo a Polícia Civil, ele percebeu que as provas já o ligavam ao desaparecimento e passou a indicar o local onde havia descartado os pertences da vítima.
Em seguida, levou a equipe até uma área de mata fechada, próxima a um cafezal, onde o corpo foi localizado.
O delegado Sávio Moraes explicou que o resgate precisou ser adiado para a manhã seguinte devido à dificuldade de acesso ao terreno.
“Mesmo encontrando o corpo, não conseguiríamos retirá-lo porque não tínhamos aparato suficiente para isso.”
O Corpo de Bombeiros foi acionado para realizar a remoção, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde exames devem determinar a causa da morte.
O investigado afirmou que Flávia teria caído de um penhasco após os dois manterem relação sexual. A versão, no entanto, é contestada pela Polícia Civil.
Segundo o delegado Ivan Sales, a perícia encontrou elementos incompatíveis com esse relato, entre eles a forma como uma peça de roupa da vítima foi encontrada no local. Além disso, o suspeito apresentava arranhões nas costas, que podem indicar uma tentativa de defesa por parte de Flávia.
MP aponta indícios de outros crimes
Durante a coletiva, o promotor de Justiça Jonas Monteiro informou que as investigações também apontam indícios da prática de sequestro, estupro e tortura. A definição dos crimes que serão imputados dependerá da conclusão do inquérito policial.
“Temos certeza absoluta da autoria. Temos certeza absoluta de que ele matou ela de forma violenta”, afirmou o promotor.
Segundo o Ministério Público, caso todos os crimes sejam confirmados durante a investigação, as penas somadas podem ultrapassar 100 anos de prisão.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.
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