O motorista de aplicativo de 30 anos preso por suspeita de envolvimento na morte de Joice Batiston, de 27 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que a jovem “caiu da moto” durante a corrida, mas disse não saber explicar como isso aconteceu. A declaração foi prestada no Presídio de Varginha, no Sul de Minas, em 2 de julho.
Joice desapareceu na noite de 19 de junho, quando seguia para encontrar amigas e assistir ao jogo do Brasil pela Copa do Mundo. Horas depois, ela foi encontrada gravemente ferida na Avenida Perimetral e morreu após ser socorrida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Segundo o depoimento, o motorista afirmou que aceitou a corrida no bairro Figueira com destino ao bar Arca de Noé, na zona rural de Varginha. Ele disse que trafegava em velocidade normal quando, “sem explicação”, a passageira caiu da motocicleta.
O investigado relatou que parou o veículo e encontrou Joice desacordada e sem o capacete, que, segundo ele, pode ter se soltado com o impacto.
Em vez de acionar o socorro, afirmou que foi até a casa do pai em busca de ajuda. Como não encontrou ninguém, disse que retornou ao local cerca de dez minutos depois, mas a jovem já havia sido retirada.
Celulares e objetos
O motorista negou ter levado bolsa, documentos ou outros pertences da vítima, mas admitiu que jogou o celular de Joice em uma área de mata. Segundo ele, não se lembra do local exato onde descartou o aparelho.
Outro ponto investigado é a destruição do próprio celular do suspeito. O aparelho foi localizado pela Polícia Civil escondido dentro de uma sacola com cimento fresco, queimado e completamente danificado.
Questionado sobre o motivo, ele afirmou que destruiu o telefone três dias após o ocorrido porque o chip utilizado pertencia à empresa do pai.
Os investigadores também apreenderam uma camisa da Seleção Brasileira que estava de molho. O motorista alegou que a roupa havia sido sujada por um cachorro.
Ele afirmou ainda que só soube da morte da passageira na manhã de 22 de junho, por meio da imprensa, e que, após o ocorrido, entrou em contato com um advogado, que o orientou a permanecer em casa até a chegada da polícia.
Investigação
O motorista foi preso em 25 de junho, após ser identificado por imagens de câmeras de segurança transportando Joice na motocicleta.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Polícia Civil recolheu a motocicleta, celulares e roupas que podem auxiliar no esclarecimento do caso.
Inicialmente, a morte era tratada como possível acidente de trânsito. No entanto, familiares contestaram essa versão após relatarem que Joice apresentava lesões consideradas incompatíveis com uma queda, como escoriações pelo corpo, roupas rasgadas e sangramento na região íntima.
Outro fator que reforçou as suspeitas foi o desaparecimento do celular da vítima. Segundo a família, bolsa, documentos e cartões foram encontrados, mas o aparelho nunca foi localizado. Além disso, mensagens enviadas ao telefone chegaram a aparecer como visualizadas antes de o celular deixar de responder.
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