Um homem de 19 anos foi preso em flagrante por homicídio culposo após soltar pipa com linha chilena que atingiu e matou o bebê Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, na tarde de quarta-feira (27), no bairro Arvoredo II, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A prisão foi ratificada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por meio da Central Estadual do Plantão Digital.

Ravi foi socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pampulha, mas não resistiu aos ferimentos. O velório está marcado para esta quinta-feira (28), a partir das 9h30, na Capela Velório da Funerária Dom Bosco. O sepultamento ocorrerá às 16h no Cemitério da Paz, no bairro Caiçaras, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
Segundo as informações apuradas, a linha cortante ficou presa em uma motocicleta que passava pela rua e foi arremessada em direção à calçada, atingindo o pescoço da criança. Ravi estava em um carrinho de bebê com a irmã Nicole Gomes dos Santos, de 18 anos, em frente à casa da família, quando ocorreu o acidente.
O suspeito, que não teve a identidade revelada, prestou socorro à vítima após o ocorrido. Sob escolta policial, esteve na UPA onde o bebê foi atendido e, abalado, preferiu não conceder entrevista. Ele está à disposição da Justiça para as medidas legais cabíveis. A PCMG deslocou a perícia oficial ao local, onde foi recolhido o material utilizado pelo suspeito. O caso segue sob investigação.
Legislação
O uso de cerol é crime previsto no artigo 132 do Código Penal, que trata da exposição da vida de terceiros a perigo direto e iminente, com pena de três meses a um ano de prisão. Se resultar em morte, o responsável pode responder por homicídio culposo.
Em Minas Gerais, a venda e o uso de linhas cortantes são proibidos por lei, com multa de R$ 5.279, podendo chegar a R$ 263.950 em caso de reincidência. Em Belo Horizonte, legislação municipal também pune a prática: R$ 2 mil para quem usar o material e R$ 4 mil para quem o comercializar, com valores dobrados em caso de reincidência.
Luto
Enquanto aguardava a liberação do corpo do irmão, a estudante Nahuana de Oliveira Santos, de 21 anos, lamentou a morte de Ravi entre lágrimas e questionou o uso de linhas cortantes.
“Quantas crianças mais vão precisar morrer? Podia ter sido eu. Podia ser qualquer pessoa”, desabafou.
Nahuana contou que a mãe trabalhava no momento do acidente e passou mal ao receber a notícia. “Ela desmaiou, se machucou. A gente nem sabia como contar”, relatou. A jovem descreveu o irmão como uma criança alegre e querida por todos na vizinhança.
“Era muito agitado, uma criança feliz. Onde passava, todo mundo queria brincar com ele”, disse.
Ela afirmou ainda que o uso de linhas cortantes era prática frequente na região e já havia gerado preocupação entre os moradores.
“Já tinha brigado com algumas crianças, mas não adianta. Hoje perdi meu irmão”, lamentou.
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