A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta sexta-feira (29), a Operação Contenção, que mira uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico de drogas. A ação teve desdobramentos em Minas Gerais, com cumprimento de mandados em Belo Horizonte, Contagem, na Região Metropolitana, e Pequi, na região Central do estado.
Segundo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a investigação durou cerca de um ano e quatro meses e identificou uma estrutura financeira criada para ocultar recursos provenientes, principalmente, do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Ao todo, foram expedidos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias, indisponibilidade de bens e sequestro de imóveis e veículos ligados ao Comando Vermelho. Até por volta das 8h, 20 pessoas já haviam sido presas, conforme a Polícia Civil fluminense.
As investigações apontam Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, como chefe da organização criminosa. Já Alex Sandro Ferreira de Araújo, o “Tek”, seria o principal operador financeiro do esquema, responsável pelo gerenciamento de empresas de fachada e movimentações bancárias usadas na lavagem de dinheiro.
De acordo com a polícia, empresas de reciclagem, comércio de sucatas e ferros-velhos eram utilizadas para dar aparência legal aos valores obtidos com o tráfico. O esquema incluía emissão de notas fiscais falsas, depósitos fracionados e circulação financeira entre empresas controladas pelos investigados.
Ainda segundo a corporação, o grupo movimentou mais de R$ 453 milhões, valor identificado por meio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), análises bancárias, fiscais e quebra de sigilos telefônicos e telemáticos.
A Polícia Civil também investiga suspeitas de furto de materiais metálicos, como cabos de cobre, que posteriormente seriam inseridos no mercado formal por meio das empresas investigadas. Durante as apurações, drones foram utilizados para monitorar áreas de queima clandestina de cobre e imóveis ligados aos suspeitos.
A operação ocorre em diversos estados, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Minas Gerais.
As investigações continuam para identificar outros integrantes e empresas envolvidas no esquema de lavagem de dinheiro e financiamento do tráfico de drogas.
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