Análises laboratoriais identificaram contaminação da água da Maternidade Odete Valadares (MOV), na região Centro-Sul de Belo Horizonte, por bactérias consideradas de alto risco para ambientes hospitalares. O caso gerou preocupação entre servidores, especialmente por se tratar de uma maternidade de referência em atendimentos de alto risco, com UTI neonatal.
Os exames foram realizados em 14 de abril pela empresa GHS Indústria e Serviços Ltda. O relatório oficial, datado de 6 de maio de 2026, apontou a presença de duas bactérias: a Pseudomonas aeruginosa, que afeta principalmente pessoas com baixa imunidade e pode causar infecções graves, e bactérias heterotróficas, cuja presença indica possíveis falhas no processo de desinfecção ou acúmulo de matéria orgânica no sistema de abastecimento.
A Pseudomonas aeruginosa foi encontrada em setores críticos da unidade, como bloco cirúrgico, bloco obstétrico, lactário, setor de pasteurização, Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (UCIM), UTI Neonatal (UTIM) e Central de Material e Esterilização. Em vários desses locais, a concentração ultrapassou 2 mil UFC/100mL. Já as bactérias heterotróficas foram identificadas em praticamente todos os setores, com contagens superiores a 57 mil UFC/mL em alguns pontos, mais de 114 vezes acima do limite operacional de alerta, fixado em 500 UFC/mL.
Servidores não foram comunicados, diz sindicato
O Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG) afirma que teve acesso ao documento interno apenas na última sexta-feira (16) e que muitos servidores desconheciam o problema. Segundo a diretora do sindicato, Neuza Freitas, a falta de comunicação é o que mais preocupa.
“Quando acontece algum tipo de contaminação ou presença de bactéria, normalmente os trabalhadores são os primeiros a serem informados para colocarem em prática protocolos de emergência. O que nos assustou foi justamente o fato de os trabalhadores relatarem que não sabiam de nada”, afirmou.
Uma servidora, que preferiu não se identificar, relatou que essa não seria a primeira vez que a unidade enfrenta problemas semelhantes, e que alguns funcionários apresentaram sintomas gastrointestinais após se alimentarem no local. Ela também mencionou que bebês internados no CTI neonatal estariam em isolamento por causa da bactéria, e que a contaminação estaria presente inclusive no banco de leite.
Sindicato pede investigação e alerta para risco de óbitos
Em ofício encaminhado à Fhemig, à Secretaria de Estado de Saúde, às vigilâncias sanitárias municipal e estadual, ao Ministério Público de Minas Gerais e à Assembleia Legislativa, o Sindsaúde classificou a situação como de “risco iminente de surto infeccioso, sepse neonatal e óbitos”, diante da exposição de recém-nascidos, gestantes e pacientes vulneráveis à bactéria, conhecida pela alta resistência a antibióticos.
O sindicato pediu a apresentação imediata do plano de ação adotado pela unidade, relatórios sobre possíveis infecções hospitalares nos meses de abril e maio, inspeção emergencial da Vigilância Sanitária e abertura de investigação pelo Ministério Público.
O que diz a Fhemig
A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) confirmou a identificação das bactérias durante análise programada realizada em abril, mas afirmou que tomou providências imediatas. Segundo a fundação, foram realizadas limpeza e desinfecção dos reservatórios e caixas d’água da unidade, além de treinamentos e orientações aos profissionais responsáveis pelos procedimentos de higienização.
A Fhemig informou ainda que não há registros de sintomas gastrointestinais entre servidores e que não houve infecções hospitalares nos meses de abril e maio. A fundação acrescentou que a água de consumo de pacientes e servidores é mineral e que segue monitorando a qualidade da água para garantir a segurança de pacientes, acompanhantes e trabalhadores.
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