Uma quadrilha especializada em estelionato digital e lavagem de dinheiro foi desarticulada pela Polícia Civil de Minas Gerais na quarta-feira (29), durante a Operação Espelho Turvo. A ação resultou na prisão de 15 pessoas em cinco estados do país. O grupo atuava criando cópias falsas dos sites do Detran-MG e da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais para aplicar golpes em contribuintes que tentavam pagar o IPVA.
Em três anos de atuação, a organização criminosa acumulou R$ 20 milhões obtidos de cerca de 1,2 mil vítimas em todo o Brasil, sendo R$ 10,4 milhões somente em Minas Gerais.
Como o golpe funcionava
Conforme explicou o delegado Álvaro Homero, do Departamento de Operações Especiais (Deoesp), os criminosos desenvolviam páginas praticamente idênticas às dos órgãos oficiais e utilizavam estratégias para que esses endereços falsos aparecessem entre os primeiros resultados em buscadores como o Google. Sem perceber as diferenças mínimas nos sites, as vítimas realizavam o pagamento do IPVA via Pix e o dinheiro ia diretamente para contas da quadrilha.
“A maior parte só percebe na segunda ou terceira parcela, quando constata que as anteriores não foram quitadas”, afirmou o delegado.
Assim que os valores eram transferidos, o dinheiro era rapidamente distribuído entre diversas empresas e CPFs diferentes, dificultando o rastreamento. Da mesma forma, sempre que um site falso era derrubado, os criminosos criavam outro rapidamente.
Prisões e perfil dos suspeitos
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, 39 de busca e apreensão e ordens de bloqueio de ativos financeiros nos estados do Maranhão, Tocantins, Sergipe, Bahia e Santa Catarina. A maior parte dos detidos tem entre 20 e 49 anos e nenhum deles é natural de Minas Gerais.
Treze pessoas foram presas em Imperatriz, no Maranhão, incluindo um dos principais alvos da investigação, identificado como o “contador” do grupo. Outros dois suspeitos de destaque foram capturados em Sergipe e no Tocantins. Notebooks e celulares foram apreendidos nas residências e serão analisados no decorrer das investigações. Os réus respondem pelos crimes de fraude cibernética, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, embora os golpes ocorressem em todo o país, Minas Gerais concentrava o maior número de vítimas.
Destino do dinheiro bloqueado
As vítimas que transferiram valores para os sites falsos terão de efetuar o pagamento novamente junto ao governo estadual. Os R$ 10,4 milhões bloqueados pela Justiça ficarão depositados em conta judicial até que o Poder Judiciário decida sobre sua destinação, sem garantia de devolução aos prejudicados.
Como se proteger
O delegado recomenda que, ao realizar pagamentos digitais, o cidadão verifique com atenção o endereço URL do site e confira os dados do destinatário antes de concluir qualquer transferência via Pix ou boleto. A Polícia Civil também tem atuado no bloqueio dos sites falsos e na divulgação de alertas para orientar a população.
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