Um enfermeiro de 35 anos foi preso por tentativa de homicídio qualificado contra a madrasta, de 56 anos, e o pai, de 64, em Bonfim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso foi detalhado pela Polícia Civil em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (13).

O crime
De acordo com a delegada Anagreici Manfrin, titular da delegacia do município, o crime ocorreu no dia 5 de abril e chocou a população local, a cidade tem cerca de oito mil habitantes. Segundo as investigações, o suspeito foi até a casa das vítimas com uma garrafa contendo cerca de dois litros de gasolina e um isqueiro. No local, despejou o combustível sobre o corpo da madrasta e tentou atear fogo.
“Ele agarrou a vítima pelos cabelos, arrancando uma grande quantidade, e a derrubou no chão. Passou a tentar acionar o isqueiro, momento em que ela entrou em luta corporal com ele”, afirmou a delegada. O pai também interveio e conseguiu impedir que o fogo fosse iniciado. Mesmo assim, o suspeito ainda tentou arrastar a madrasta pelas pernas, possivelmente com a intenção de jogá-la do segundo andar da residência.
Após o crime, o homem fugiu. No dia seguinte, a madrasta procurou a delegacia e solicitou medidas protetivas. Ela ainda apresentava forte odor de gasolina e lesões pelo corpo causadas pelo contato com o combustível e pelas agressões.
Crime premeditado
As investigações apontam que o ataque foi premeditado e motivado por conflitos familiares envolvendo a posse de um lote. As ameaças teriam começado em janeiro e se intensificado após um desentendimento recente por causa de um vaso de plantas retirado da área da casa do suspeito.
Para a polícia, houve intenção direta de matar a madrasta e, ao espalhar combustível pela residência, o homem também assumiu o risco de atingir o pai, o que configura dolo eventual.
“A forma como os atos se desencadeou demonstram claramente o dolo de ceifar a vida da vítima”, disse a delegada.
A prisão preventiva foi solicitada no dia 8 de abril e cumprida no dia seguinte. O suspeito não possui antecedentes criminais e permaneceu em silêncio durante o depoimento. Apesar de ser réu primário, a delegada destacou que a gravidade, a crueldade e a premeditação da ação justificaram a prisão.
O investigado morava em uma casa no mesmo lote que o pai e a madrasta, mas em um imóvel separado. A família é conhecida na cidade e, segundo relatos, não havia histórico anterior de violência nesse nível. Ele segue à disposição da Justiça e pode cumprir pena de 12 a 30 anos de prisão, caso seja condenado.
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